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O Comissário de exposição e ensaísta António Pinto Ribeiro pronunciará, quinta-feira, dia 22 de novembro, às 19h00, uma conferência intitulada “Podemos descolonizar museus?” na delegação em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian.

Esta conferência está inserida no ciclo «Atlas des mots et des images des dé-colonisations» proposto por Maria Benedita Basto, Maître de conférences em Estudos Lusófonos na Sorbonne e Teresa Castro, Maître de conférences em estudos cinematográficos e audiovisuais na Sorbonne Nouvelle.

A partir dos anos 60 o “deseurocentrismo” da produção do conhecimento e a revisão dos cânones e das epistemologias iniciadas com os Estudos culturais aos quais sucederam os diferentes pós-colonialismos e estudos de género provocaram uma revolução que podemos comparar à revolução coperniciana. Neste contexto que a epistemologia e a museografia de deslocaram para compreender que os museus, não sendo somente coleções, mas fundamentalmente dispositivos narrativos, confrontam-se ao facto de terem o dever de serem pós-coloniais. Esta situação obriga-nos a rever as narrativas ou pelo menos a incorporar as tensões entre antigas e novas histórias e a refletir à forma como estas coleções e estas relíquias chegaram aos museus europeus e norte-americanos e enfim para redefinir o conceito de museu à luz do “pan-africanismo” e do “pensamento ameríndio”. Nesta conferência serão apresentados vários casos de estudo de museus e das suas tentativas ou incapacidades a serem pós-coloniais.

António Pinto Ribeiro, residiu em vários países africanos e europeus, é licenciado em Filosofia, pela Universidade Clássica de Lisboa, mestre em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e doutorado em Estudos de Cultura (“A representação de África através da literatura de viagens europeia e norte americana, de 1958 a 2012”) pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica. É investigador associado do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra no âmbito do qual é programador cultural do projeto “MEMOIRS – Filhos de império e pós-memórias europeias” (financiado pelo Conselho Europeu de Investigação). Desenvolve atividades de programação, de curadoria e consultadoria cultural. Atualmente é Comissário geral de “Passado e Presente – Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura 2017”. Foi Diretor artístico e curador responsável em várias instituições culturais portuguesas, nomeadamente da Fundação Calouste Gulbenkian (2009 e 2015) e da Culturgest (1993-2014). No campo académico, é professor convidado em várias universidades nacionais e internacionais. Os seus principais interesses desenvolvem-se na área da arte contemporânea, especificamente artes africanas e sul-americanas. Das suas publicações destacam-se: o seu último livro de autor “Miscelânea” (2015), a organização da obra coletiva “Grandes Lições” (2013) e ainda a organização do jornal “Próximo Futuro/ Next Future” (2015-2019).

 

Fundação Calouste Gulbenkian

39 boulevard de la Tour Maubourg

75007 Paris

 

 

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