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O Governo português selecionou 31 órgãos de comunicação social da diáspora em 11 países para repartir uma verba de 200 mil euros, valor considerado “aquém” do necessário para enfrentar a crise da Covid-19.

“O que recebemos são 9.500 euros e não nos vai ajudar praticamente nada. Temos uma edição suspensa em papel e o nosso negócio está na edição em papel”, afirmou Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, o maior jornal português em França, em declarações à Lusa.

Os meios apoiados foram conhecidos no início do mês de agosto, após um período de candidatura por parte dos Consulados e de seleção, tendo a escolha recaído sobre 22 jornais, 4 rádios, 3 revistas, 1 canal de televisão e 1 grupo de media, espalhados pelo mundo.

Este apoio vem na forma de “um regime excecional e temporário de aquisição de espaço para publicidade institucional aos órgãos de comunicação social da diáspora”, segundo uma resposta à Lusa do Gabinete da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e as temáticas da publicidade podem ir desde “a promoção do ensino da língua portuguesa” a “informações relevantes dirigidas às Comunidades portuguesas no contexto da atual pandemia”.

Sem revelar a verba que lhe foi atribuída, a Rádio Alfa, que difunde em antena aberta em português e francês na região parisiense, diz que o valor ajuda, mas que fica “aquém” do necessário. “Quando fizemos o nosso pedido, pensávamos que a crise ia acabar em junho. O montante atribuído é um valor que ajuda, mas que fica completamente aquém do que nos é necessário para uma rádio como a nossa com 20 empregados”, afirmou Fernando Lopes, Diretor-geral da Rádio Alfa.

A Rádio Alfa chega semanalmente a pelo menos 480 mil ouvintes em Paris e nos arredores, tendo emitido durante todo o confinamento. Atualmente, os custos da rádio, que teve uma queda de publicidade de 77%, estão a ser suportados “pelas pessoas por detrás do capital da rádio”, segundo Fernando Lopes.

Com uma edição gratuita semanal de 10 mil exemplares distribuída em cerca de 400 pontos em toda a França, o prejuízo para o LusoJornal, que é editado em português e francês, vai atualmente nos 200 mil euros, depois de a perda dos anunciantes e dos locais de distribuição terem levado à suspensão da edição impressa em março.

“Durante o confinamento fomos desenvolvendo outros suportes como o digital, que não estávamos a comercializar ainda, mas o negócio continua no papel”, indicou Carlos Pereira, revelando que o jornal deverá voltar a ser distribuído em “meados de setembro” e que continuou sempre com uma edição online atualizada.

Carlos Pereira é também o presidente da Plataforma dos Órgãos de Comunicação Social Portugueses no Estrangeiro e lembrou que a verba de 200 mil euros que chegou aos meios na diáspora “está muito longe” dos 15 milhões de euros atribuídos pelo Ministério da Cultura aos órgãos de comunicação nacionais.

Esta diferença ameaça a continuação de alguns meios de comunicação em português espalhados por todo o mundo. “Já desapareceu o jornal ‘A Gazeta Lusófona’ na Suíça. Um jornal que já tinha algumas dificuldades e como os anunciantes pararam, o jornal fechou. O ‘Século’ em Joanesburgo vive porque a dona está a pagar o jornal”, exemplificou.

Como último recurso, esta organização pediu à Secretária de Estado, Berta Nunes, que a diplomacia económica feita nas Embaixadas portuguesas se estenda aos meios de comunicação em português, podendo servir de ponte entre estes meios e as empresas estrangeiras ou nacionais que pretendam comunicar em português.

 

Os meios apoiados por este programa foram:

“Voz Portuguesa”, na África do Sul

“Portugal Post” na Alemanha

“Luso.eu” na Bélgica

“Mundo Lusíada”, “Portugal em Foco” e “Revista Acontecimentos Lusíadas” no Brasil

“A Voz de Portugal”, “Correio da Manhã”, “LusoPresse”, “Sol Português” e “MDC Group” no Canadá

“Rádio KLBS e KSQQ”, “Tribuna Portuguesa”, “Feel Portugal”, “Rádio WJFD”, “Portuguese Times”, “Jornal 24 Horas”, “Jornal Luso-Americano” e “SPTTV” nos Estados Unidos

“CAPMag”, “Português Vivo”, “LusoJornal”, “Rádio Alfa”, “Portugal Sempre”, “Arc en Ciel” e “LusoPress” em França

“Bom Dia” e “LUX24” no Luxemburgo

“As Notícias” no Reino Unido

“Correio da Venezuela” na Venezuela.

Os valores individuais atribuídos a cada meio não foram revelados pelo Governo.

 

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