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Associação Portuguesa de Pelota Basca quer identificar praticantes em França

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Associação Portuguesa de Pelota Basca foi criada em janeiro de 2013 por Portugueses residentes em França e praticantes deste desporto, e tinha como objetivos principais, os de divulgar esta modalidade em Portugal e também junto da Comunidade portuguesa de França.

André Pagaime, que aderiu à associação praticamente desde o início, é o atual Presidente da Direção, depois de ter sido Vice-Presidente no mandato anterior e, antes, Vogal da Direção.

Numa entrevista ao LusoJornal, confessou que “por vezes nós, em Portugal, sentimos que estamos um pouco esquecidos e é sempre bom saber que há quem se preocupe connosco e dê voz à associação”.

Se a Pelota Basta é um desporto praticamente desconhecido do grande público em Portugal, André Pagaime lembra que a Pelota é um jogo tradicional português que existe há muitos anos. “Em Portugal talvez tenha mais de 100 anos de história, mas não era um desporto organizado”. Joga-se em algumas zonas da raia, da Guarda até Freixo de Espada à Cinta, passando por Almeida ou por Figueira de Castelo Rodrigo. “Chama-se Pelota, mas tem algumas diferenças com a Pelota Basca, já que o campo está longe daquilo que existe em França ou em Espanha. Não é aquela parede com 30 ou 36 metros, joga-se apenas com uma parede, inicialmente até era a parede da igreja porque era a maior parede da aldeia, servia para bater bolas”.

 

Lusodescendentes organizaram-se

Um grupo de jogadores de Pelota Basca, em França, entre os quais Nelson Saraiva – que reside na região de Toulouse – Sandra Simão ou Ilídio Martins, decidiram deitar mãos à obra e criaram a Associação Portuguesa de Pelota Basca.

Apesar da dificuldade de viverem em cidades diferentes, unia-os a paixão por este desporto e as origens portuguesas. Depois juntaram-se a eles Armando Pereira – que chegou a ser Campeão de França em “mão nua” – e outros praticantes com origem portuguesa.

Pouco a pouco surgiram os primeiros clubes em Portugal. Nelson Saraiva, o Presidente fundador, desenvolveu um clube em Ourém, de onde é originário. Na Moita, o atual Presidente, André Pagaime, criou também um clube e hoje é certamente a localidade onde mais se pratica a Pelota Basca em Portugal. “Em Freixo de Espada à Cinta também há um núcleo de jogadores que já disputaram jogos oficiais, mas eles ainda não têm uma estrutura de clube” explica André Pagaime.

“O desporto não estava organizado, não havia clubes, havia competições entre aldeias, por vezes por ocasião das festas populares, era algo similar à malha ou a outros jogos tradicionais, mas nada organizado” explica o Presidente da APPB.

A associação veio trazer alguma organização da modalidade e hoje já existem Campeonatos nacionais, onde participam 2, 3 ou 4 equipas. Mas ainda não se trata de uma Federação. “Como a nossa modalidade ainda não tem alguns parâmetros legais, legalmente é só uma associação e não uma federação. Há pressupostos locais, tinha de haver clubes, associações distritais e nós ainda não temos isso tudo. Mas na prática já somos como uma federação”.

 

André Pagaime descobriu este desporto na televisão

André Pagaime considera-se um curioso do desporto em geral e quando descobriu que tinha o canal da televisão Basca em casa, começou a ver partidas de Pelota Basca todos os fins de semana. “Também tenho família transmontana e já conhecia a vertente popular que se jogava nas aldeias” explica ao LusoJornal, assumindo que até tem antepassados bascos. Nelson Saraiva ajudou-o a criar um clube na Moita e “depois surgiram outras pessoas com interesse e as coisas correram assim”.

Promover este desporto e trazer novos adeptos é um desafio grande para André Pagaime. “Ninguém joga um desporto que ninguém conhece. O primeiro passo é dar a conhecer e depois é fazer experimentar. Ninguém vai experimentar um jogo que não sabe o que é” conta na entrevista ao LusoJornal.

 

Competições internacionais

Fazem esta promoção, mas sabem que quando querem ter atletas a disputar as competições internacionais, têm de recorrer aos Portugueses que estão a competir em França “porque eles jogam desde os 6, 7, 8 anos, com condições fantásticas, que auferem na prática do desporto em França”.

A Associação Portuguesa de Pelota Basca identificou cerca de 20 jogadores de bom nível em França. Alguns estão inscritos em clubes franceses, outros em clubes portugueses e até há aqueles que estão inscritos nos dois clubes.

A maior parte deles joga com ferramenta, embora em Portugal, por razões de facilidade, joga-se essencialmente em ‘mãos nuas’.

“Portugal escolheu a ‘mão nua’ por uma questão de ser mais simples. Primeiro porque são razões materiais, depois porque já era aquilo que havia enquanto jogo tradicional, mesmo se tem regras e métodos de contagem de pontos diferentes. É um jogo que nos permite jogar em menos espaço” explica André Pagaime que também é “manista”. “É um jogo muito doloroso, é preciso ter uma grande capacidade de sofrimento. Não conheço mais nenhum desporto em que não se consegue treinar mais do que uma vez por semana, porque não se aguenta mais do que isso”.

Portugal começa a participar em competições internacionais. O próprio André Pagaime já representou Portugal nos mundiais do México, há 4 anos. Este ano, a pandemia de Covid-17 impediu-o de participar noutra competição internacional.

Em outubro do ano passado, Steven Martins e Lucas Pereira representaram Portugal no Mundial de Pelota Basca que teve lugar em França, mais propriamente em Oloron Sainte Marie (64), e que o LusoJornal cobriu jornalisticamente.

Cyprien Ducos, o Vice-Presidente da associação é também o Selecionador nacional e ocupa-se essencialmente das modalidades com ferramentas. André Pagaime assiste-o para as modalidades de “mãos nuas”.

Identificar mais jogadores lusodescendentes em França é uma das prioridades da Associação Portuguesa de Pelota Basca, mas a outra prioridade é continuar a de promover a modalidade em Portugal, na esperança que surjam mais clubes e mais praticantes.

 

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