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No mesmo dia – e praticamente à mesma hora – o antigo Cônsul de Portugal em Bordeaux, Aristides de Sousa Mendes, tinha homenagens nacionais no Panteão, em Lisboa, na esplanada Charles-de-Gaulle, Jardins de Mériadeck, em Bordeaux, em frente do busto de Aristides de Sousa Mendes, teve lugar uma cerimónia em honra do Cônsul português, presidida pela Ministra francesa delegada à Memória e aos Antigos Combatentes, Geneviève Darrieussecq, mas também do atual Cônsul Geral de Portugal, Mário Gomes, e do Presidente do Comité nacional francês de homenagem a Aristides de Sousa Mendes, Manuel Dias.

Assistiram a esta cerimónia “bonita e emotiva” autoridades civis e militares, da Região, do Departamento e da cidade de Bordeaux. Foram depostas coroas de flores, ouviram-se os hinos nacionais e foi entregue à representante do Governo francês da Medalha de honra do Comité Sousa Mendes.

Na sua intervenção, depois de ter lembrado que Aristides já tinha sido reconhecido “Justo entre as Nações” pelo Estado de Israel, mas também teve reconhecimento no Senado americano, na Argentina, na ONU, o atual Cônsul disse que “enquanto seu sucessor em Bordeaux, é com muito orgulho que assisto a esta unanimidade, também em França, com a implicação das autoridades nacionais, regionais, departamentais e municipais, reconhecendo Aristides e as suas ações de 1940 como uma parte do património de Bordeaux, da Nouvelle Acquitaine, da França, dos nossos dois países, da nossa Europa e até da Humanidade”.

Mário Gomes afirmou que Aristides era Português, servia o Estado português, “mas a sua ação mostra que há valores mais importantes, de solidariedade, de humanidade, que se sobrepõem à noção de nacionalidade, de raça, de religião ou de cor da pele”.

“A mais importante lição de Aristides é a importância de confrontar as descriminações porque nós somos todos membros de uma só Humanidade” discursou o diplomata português.

Aristides de Sousa Mendes foi responsável pela mais importante ação de resgate levada a cabo por uma só pessoa durante o holocausto. “E ele fê-lo porque não podia aceitar que milhares de pessoas fossem abandonadas, perseguidas, desumanizadas” lembrou o Cônsul Mário Gomes.

No seu discurso, Mário Gomes lembrou que Aristides de Sousa Mendes pediu, por várias vezes, autorização a Portugal para passar vistos, abriu a porta do Consulado para acolher os refugiados e abriu as portas da sua própria casa, “até ao momento em que a sua consciência o puxa para a ação e o inspirou a passar vistos e salvo-condutos a todos quantos ele podia, aos famosos, como o artista Salvador Dali e a sua esposa Gala, ou a família Rothschild, mas também aos miseráveis, aos católicos e aos judeus, aos que tinham passaporte, mas também aos que não o tinham”.

“Quando a França caiu e os alemães entraram em Bordeaux, ele seguiu para Bayonne para continuar a passar vistos, instalou-se no jardim em frente do Consulado e continuou a assinar. Finalmente, confrontado com as dificuldades que os refugiados tinham com os seus vistos, foi para Hendaye para garantir a sua passagem para Espanha e depois para Portugal” lembrou Mário Gomes.

Para o atual Cônsul Geral de Portugal em Bordeaux, Aristides de Sousa Mendes “é um exemplo de humanidade e de altruísmo que merece hoje o reconhecimento e a admiração de todos nós, em Portugal como em França. Aristides é a prova que a ação de um homem pode fazer a diferença”.

“Milhares de pessoas salvas pelo Aristides de Sousa Mendes tinham nacionalidade francesa e, por isso, é a França que homenageia este feito. A presença da Ministra é o reconhecimento deste facto e as autoridades francesas sempre homenagearam o diplomata português. É constante”, disse Manuel Dias, Vice-Presidente do Comité Aristides de Sousa Mendes em Bordeaux, em declarações à Lusa. “O que se tem lembrado é a ação extraordinária do Cônsul Aristides de Sousa Mendes, as pessoas que ele pôde salvar e o papel de Portugal na II Guerra mundial, que acolheu cerca de 500 mil refugiados, sendo lugar de trânsito para muitos”.

Desde 1987 que o Comité Sousa Mendes presta homenagem ao Cônsul que passou vistos a 30.000 pessoas em 1940, salvando-as das barbaridades dos Nazis, mesmo sabendo que estava a desobedecer às diretivas de Salazar.

Salazar nunca lhe perdoou.

 

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