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Um encontro dedicado à poesia numérica intitulada “Étant donné” terá lugar na segunda-feira, dia 13 de janeiro, às 19h00 na Maison de l’Amérique Latine em Paris.

O encontro, que conta com a participação de Jean Francois Borry, Jacques Donguy e Susana Sulic, será constituído de debates, leituras e vídeo-projeções em torno da poesia numérica.

Será apresentado o livro “Vitesse Photon Targuet” de Susana Sulic (Editions Supernova) e ainda as revistas 591 #4 e Celebrity Café N° 3 (Les Presses du Réel) dedicadas ao poeta Augusto de Campos e a outros artistas latino-americanos.

Augusto de Campos nasceu em São Paulo, em 1931, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Em 1951 publicou o seu primeiro livro de poemas, “O Rei menos O Reino”. Em 1952, com o seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou a revista literária “Noigandres”, origem do Grupo Noigandres que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil. O segundo número da revista (1955) continha a sua série de poemas em cores “Poetamenos”, escritos em 1953, considerados os primeiros exemplos sólidos de poesia concreta no Brasil. O verso e a sintaxe convencional eram abandonados e as palavras rearranjadas em estruturas gráfico-espaciais, algumas vezes impressas em até seis cores diferentes, sob inspiração da Klangbarbenmelodie (melodia de timbres) de Webern.

Em 1956 participou na organização da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta (Artes Plásticas e Poesia), no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A sua obra veio a ser incluída, posteriormente, em muitas mostras, bem como em antologias internacionais como as históricas publicações “Concrete Poetry: an International Anthology”, organizada por Stephen Bann (London, 1967), “Concrete Poetry: a World View”, por Mary Ellen Solt (University of Bloomington, Indiana, 1968), “Anthology of Concrete Poetry”, por Emmet Williams (NY, 1968). A maioria dos seus poemas está reunida em Viva Vaia, 1979, “Despoesia” (1994) e “Não” (com um CDR de seus Clip-Poemas), (2003). Outras obras importantes são “Poemóbiles” (1974 e CAIXA Preta (1975), coleções de poemas-objetos em colaboração com o artista plástico e designer Julio Plaza.

Como tradutor de poesia, Augusto de Campos especializou-se em recriar a obra de autores de vanguarda como Pound (Mauberley, The Cantos), Joyce (Finnegans Wake), Gertrude Stein e Cummings, ou os russos Maiakóvski e Khliébnikov. Uma primeira antologia da sua obra enquanto tradutor, expandida depois em diversas monografias, é Verso Reverso Controverso (1978).

A partir de 1980, intensificou as experiências com novos média, apresentando os seus poemas em luminosos, videotextos, néon, hologramas e laser, animações computadorizadas e eventos multimédia, abrangendo som e música, como a leitura plurivocal de Cidadecitycité (com Cid Campos),1987/ 1991.

Alguns dos seus poemas visuais e sonoros podem ser vistos/ouvidos em:

www.ubu.com/sound/decampos.html

 

Maison de l’Amérique Latine

217 boulevard Saint Germain

75007 Paris

Mais informações: www.mal217.org/fr/agenda/poesie-numerique

 

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