Bagneux: Mulheres em debate na Associação Luso-Balnéolaise

A Associação Luso-Balnéolaise organiza neste sábado, dia 9 de março, no quadro das “Jornadas Internacionais dos Direitos das Mulheres”, na sala Léo Ferré, em Bagneux, na Região parisiense, um dia de debate e de reflexão em torno da condição da mulher no mundo lusófono e também em território francês.

Um encontro onde França e Portugal vão estar representados bem como outros países lusófonos: Moçambique, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe.

Em entrevista ao LusoJornal, a Presidente da associação, Sónia Ribeiro, explicou-nos os objetivos desta segunda edição.

 

O que motivou esta segunda edição?

Visto o êxito da primeira edição, ę, sobretudo, a partir das conclusões dos testemunhos e incitações de todos os intervenientes, e com a nossa perseverança, devemos estar presentes no quotidiano, sempre.

 

Em relação à primeira edição, o que mudou?

Sob o ponto de vista inicial, não mudou grande coisa, pois estamos aqui para agitar (no bom sentido) e continua a ser o nosso lema. Para a evolução do evento lutámos por instalações maiores e apropriadas para o evento, o que conseguimos de forma a tornar maior a exposição do evento, prevendo assim uma maior participação de todo o mundo em geral, sobretudo ao nível da lusofonia.

 

O que se pode esperar desta segunda edição?

Um dos maiores problemas da condição feminina está associado à questão da mentalidade. Nós esperamos que, com a nossa segunda edição “Jornada de Reflexão dos Direitos das Mulheres ao Nível Lusófono e da França”, possamos atingir com todas as nossas ações os nossos objetivos, sensibilizar na maior medida do possível a imprensa e o cidadão comum para que a reflexão sobre os direitos das mulheres seja um facto quotidiano.

 

Foi complicado encontrar intervenientes para a segunda edição? Há países mais complicados a convencer ou a encontrar intervenientes do que outros?

Podemos constatar a presença da maior parte dos intervenientes da primeira edição, que nos ajudaram e incentivaram a encontrar muitos outros. Entretanto a lista evoluiu consideravelmente com os novos representantes, assim como com uma maior colaboração das representações diplomáticas. Em geral, a Comunidade lusófona é acessível e agradável ao contacto. As dificuldades que por vezes encontramos são relativas ao encontro, isto é, ou não têm representação diplomática ou a identidade diplomática é de difícil acesso. Mas está tudo bem, com um pouco de boa vontade todos se juntaram a nós.

 

Neste ano que passou, acha que houve uma evolução em relação à condição das mulheres?

De facto é complicado dizer que há uma evolução na condição da mulher quando em França, um país considerado da era moderna, onde tudo está escrito na Constituição, onde proliferam antenas de apoio às mulheres maltratadas, constatámos que desde o princípio do ano, o número de mortos, de mulheres, a diversos níveis já atingiu 29. Quase dá para comparar com as guerras ou doenças fatais em todo o mundo. Num só país, 29 mulheres mortas por violências em dois meses. Não temos mais palavras!

 

Sente que há uma tomada de consciência maior por parte de certas mulheres ou homens também interessam-se cada vez mais?

Infelizmente a resposta é pouco favorável e por esse motivo, nós estamos aqui para continuar a fazer barulho «para ver se as pessoas acordam».

 

Uma mensagem para os Portugueses ou Portuguesas?

A relação homem/mulher é um fenómeno cultural que está com um certo atraso. Todos nós podemos e devemos contribuir para uma revolução cultural há muito esperada. Temos de começar por educar ou reeducar os nossos filhos com boas maneiras de convivência, as mulheres a serem independentes financeiramente para procurarem um companheiro e não um patrão, os filhos a serem independentes nas tarefas domésticas para encontrarem uma companheira e não uma criada. Já agora haverá diferenças entre uma mulher de calções ou um homem de calções? Um homem tronco nu e uma mulher com uma camisola curta?