
Jorge Macaísta, membro da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, destacou a importância das iniciativas que promovem o diálogo entre investigadores, responsáveis políticos e atores sociais e culturais em torno das questões migratórias. Diz que as migrações devem ser vistas como um espaço de encontro entre culturas e como um enriquecimento para as sociedades de acolhimento. Recordou ainda que, no contexto atual, os discursos de rejeição, desconfiança e xenofobia têm ganhado terreno em vários países, tornando ainda mais necessário o trabalho de reflexão e sensibilização sobre as migrações.
Geógrafo e investigador, Jorge Macaísta é professor associado no Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. Dedica-se aos estudos urbanos e às migrações internacionais, com foco na integração de imigrantes, género, habitação e segregação social. Doutorado em Geografia Humana, publicou diversos trabalhos em Portugal e no estrangeiro. É correspondente português do sistema de observação das migrações da OCDE, membro editorial da rede europeia IMISCOE, vice-presidente da Associação Portuguesa de Demografia e integra a direção do Centro de Estudos Geográficos.
Jorge Macaísta defende uma visão positiva da mobilidade humana, isto é, a capacidade de acolher o outro e reconhecer a contribuição das pessoas vindas do estrangeiro. Recordou que os emigrantes portugueses participaram amplamente no desenvolvimento económico e social de países como a França, Brasil, Estados Unidos e Suíça, e que essa memória coletiva constitui hoje uma fonte de orgulho para os portugueses.
Também salientou o papel essencial dos migrantes que atualmente escolhem Portugal, contribuindo para a sociedade portuguesa, para a economia e para a diversidade cultural do país.
O investigador interviu durante o encerramento dos trabalhos dedicados às migrações no âmbito do colóquio do 14 e 15 de maio, no Auditório Adriano Moreira da Sociedade de Geografia de Lisboa “Conhecer, Investigar e Difundir”, uma iniciativa promovida pela socióloga Maria-Beatriz Rocha-Trindade, Presidente da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, em parceria com a Academia Internacional da Cultura Portuguesa.
Preservar a memória das migrações
Na sua intervenção, Jorge Macaísta, destacou igualmente a importância dos museus da migração e do património migratório numa maior valorização da história das Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, assim como das diferentes vagas migratórias que marcaram o próprio Portugal.
Segundo o geógrafo, torna-se essencial desenvolver museus modernos, interativos e ligados às escolas, de forma a transmitir essa memória às gerações mais jovens. Lamentou a ausência de um verdadeiro Museu nacional da migração em Portugal e sublinhou a importância de criar redes entre as iniciativas locais já existentes.
Relançar os estudos sobre a emigração portuguesa
Jorge Macaísta alertou também para a diminuição das investigações dedicadas à emigração portuguesa. Após a crise económica, que tinha relançado o interesse académico pelas saídas de portugueses para o estrangeiro, esses estudos parecem perder visibilidade, apesar da continuidade de fluxos migratórios significativos.
Recordou que a emigração portuguesa atual é diversa, abrangendo tanto trabalhadores qualificados como menos qualificados, e que ainda existem muitas questões por aprofundar, nomeadamente as do regresso ao país, das relações entre migrações internas e internacionais e ainda das políticas migratórias portuguesas.
A educação como ferramenta de tolerância
Jorge Macaísta insistiu no papel fundamental da escola na construção de uma sociedade aberta e inclusiva. Defendeu uma educação que favoreça o diálogo intercultural, a cidadania e a compreensão entre jovens de diferentes origens.
Também incentivou os jovens investigadores a prosseguirem os seus trabalhos sobre migrações, anunciando a organização próxima de uma sessão destinada a apresentar as pesquisas das novas gerações nesta área.
Jorge Macaísta, terminou por anunciar que a próxima iniciativa da secção das migrações terá lugar a 6 de julho e será dedicada ao Brasil enquanto país de imigração.






