Banco de Cabo Verde prevê moderação no envio de remessas pelos emigrantes

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O Banco de Cabo Verde (BCV) espera este ano uma “moderação” no envio de remessas dos emigrantes para o arquipélago, após o recorde de 2022 e tendo em conta a inflação nos países de origem.

Nos alertas que constam do Relatório de Política Monetária de abril, o BCV refere que “a inflação alta e as condições mais restritivas de financiamento”, no crédito para consumo, juntamente com “a retirada de algumas das medidas do Governo para mitigar” os efeitos da alta dos preços, “poderão condicionar a evolução do consumo privado ao longo de 2023”.

Prevê-se assim “um abrandamento no ritmo de crescimento face a 2022”, bem como “a moderação na entrada de remessas dos emigrantes (face ao potencial efeito negativo da alta inflação no rendimento disponível real dos emigrantes)”, lê-se no documento, de análise semestral

Ainda assim, o BCV refere esperar “algum potencial de consumo, principalmente entre as famílias de maior rendimento” em 2023, mas com “um efeito limitado em amortecer o impacto inflacionário adverso sobre o rendimento disponível real”.

O envio de remessas dos emigrantes cabo-verdianos para o arquipélago quase duplicou desde o início da pandemia de Covid-19, tendo o Primeiro-Ministro afirmado no final de abril, no Parlamento, tratar-se de um “sinal de confiança” no país.

“As Comunidades cabo verdianas emigradas amplificam a dimensão do território nacional, quer do ponto de vista do mercado, do capital humano, da preservação da cabo-verdianidade, da cultura e da afirmação e projeção de Cabo Verde no mundo”, disse em 26 de abril Ulisses Correia e Silva, durante o debate mensal no Parlamento, este dedicado à diáspora.

A população de Cabo Verde ronda os 500 mil habitantes, mas o Governo estimou recentemente que mais de um milhão e meio de Cabo-verdianos vive na Europa e Estados Unidos da América (EUA), estando o sistema financeiro do arquipélago dependente das remessas desses emigrantes.

“Nestes períodos difíceis de crises mundiais as remessas em divisas cresceram. Cresceram, passando de 18 milhões de contos [18 mil milhões de escudos, 162 milhões de euros] em 2019 para 30 milhões de contos [30 mil milhões de escudos, 270 milhões de euros] em 2022. Isto representa confiança no país, solidariedade e investimento”, afirmou o Chefe do Governo.

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LusoJornal