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A banda desenhada “Maria e Salazar”, que relata a história da emigração para França de milhares de Portugueses, vai ser lançada no festival de BD da Amadora, a 03 de novembro.

O livro, que foi lançado em França há um ano, é agora editado em português pela Polvo, e o seu autor, o francês Robin Walter, vai estar, entre 03 e 05 de novembro, no Amadora BD, onde estará uma exposição com pranchas originais de “Maria e Salazar”.

“O livro foi muito bem recebido pela imprensa e pela Comunidade portuguesa em França. Muitas pessoas ficaram emocionadas e disseram-me que era a história dos seus pais e avós. Agora, quero continuar a transmitir esta história franco-portuguesa sobre estes portugueses um pouco nómadas que estão entre dois países”, contou o autor à Lusa.

A BD conta a história de Maria, uma emigrante portuguesa que chegou a Paris em 1972 e que foi como uma “segunda mamã” de Robin Walter. “Baseei-me no percurso de Maria, que é uma amiga da família e foi durante 30 anos a empregada doméstica dos meus pais e que eu e os meus irmãos consideramos como uma segunda mamã. Quando quis falar sobre este tema, pedi-lhe a ela e ao seu marido para me contarem as suas histórias”, recordou Robin Walter.

Quando os seus pais decidiram vender a casa onde cresceu, em Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris – uma cidade onde vivem muitos Portugueses – Robin Walter questionou-se sobre o que iria acontecer a Maria e decidiu saber mais sobre o que levou esta portuguesa a ir para França, assim como tantos milhares de portugueses nos anos 1960 e 1970.

O resultado foi um romance gráfico que tem como pano de fundo “a mais longa ditadura moderna da Europa ocidental”, mas procurou manter-se fiel ao tom dos relatos que ouvia para evitar fazer “uma banda desenhada sombria”.

Robin Walter optou por uma narração biográfica e autobiográfica, em que retoma as suas conversas com Maria e o seu marido, os testemunhos de amigos lusodescendentes, o visionamento dos documentários do cineasta da emigração José Vieira, as idas à biblioteca e ao Museu da História da Imigração, em Paris.

“Nos testemunhos de Maria e do seu marido, ainda que falassem das dificuldades em Portugal, das privações de liberdade durante Salazar, não senti grande rancor ou revolta. Havia uma suavidade no seu relato, uma nostalgia porque Portugal continuava a ser o Portugal da sua juventude – mesmo conscientes do que era esse Portugal politicamente – mas havia essa suavidade, talvez fosse a famosa saudade. Ao nível do tom, tentei transmitir essa ideia”, descreveu.

A partir das vidas de Maria e Manuel, o autor acabou por resumir o percurso de tantos milhares de portugueses que foram para França: a viagem clandestina “a salto”, a passagem da carrinha dos bancos portugueses no bairro de lata de Champigny-sur-Marne, a incompreensão do Maio de 68 para muitos portugueses, a política do Estado Novo relativamente à emigração, o sonho de regressar a Portugal e “o fim da ilusão”: “Com o tempo, o país que deixámos torna-se no país onde não voltamos”.

“Os testemunhos dos meus amigos têm vários pontos em comum. Os pais ou os avós chegaram a França nos anos 1960. Sempre por razões económicas, para escapar à miséria. Para alguns deles, o medo dos combates em Angola ou em Moçambique também foi uma razão para fugir ao longo serviço militar de três anos”, lê-se no livro.

“Maria e Salazar”, publicado em França pela editora Des ronds dans l’O, a 11 de outubro de 2017, esteve nos festivais de banda desenhada Quai des Bulles de Saint-Malo, Angoulême e Festival de la BD Engagé.

Robin Walter é o autor de “KZ DORA” (2010 e 2012), dois livros sobre a deportação de resistentes para os campos de concentração nazis, baseados na história do seu avô Pierre Walter. O desenhador também fez uma banda desenhada sobre o futebol intitulada “Prolongations”.

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