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Berta Nunes e Rosa Mota na Gala que festejou 25 anos da Misericórdia de Paris

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Neste fim de ano, a Santa Casa da Misericórdia de Paris organizou, como habitualmente, a sua Gala de recolha de fundos, com a presença de Berta Nunes, Secretária de Estado das Comunidades, de Jorge Torres Pereira, Embaixador de Portugal em Paris, e António de Albuquerque Moniz, Cônsul Geral de Portugal em França, além dos Deputados Paulo Pisco (PS) e Carlos Gonçalves (PSD).

O Provedor da Misericórdia de Paris, António Fernandes, admitiu que o trabalho vai continuar para além desta data aniversária em que se assinalam os 25 anos da instituição. “Estamos na reta final de mais um ano, mas o trabalho da Santa Casa não acaba por aqui, esse recomeça todos os dias. Festejamos os 25 anos, merecem ser celebrados e recordados. As celebrações terminarão a 31 de dezembro deste ano. De 1994 a 2019, foram 25 anos que fizeram história” assumiu, antes de acrescentar que “Esta Gala de Jubileu marca o início da Campanha de Natal nos seus vários aspetos: recolha de fundos, recolha e distribuição de alimentos e apoio financeiro aos detidos portugueses nas prisões francesas”.

A intervenção do Padre Nuno Aurélio também teve eco na Sala Vasco da Gama que estava repleta. “É sempre um privilégio falar convosco. Nesta sociedade que consideramos ser democrática a 100%, vamos cada vez mais para a ideologia do politicamente correto que se introduz e diz-nos o que devemos pensar, como devemos falar, o que podemos dizer, e até o que podemos comer. A palavra caridade foi eliminada do nosso discurso e substituída por outra, solidariedade. Não é a mesma coisa. A caridade não é um sentimento, nem apenas uma boa ação, a caridade é segundo a bíblia, a substância mesmo de Deus. O amor de Deus, Deus é caridade. Uma pessoa solidária poderá dar dinheiro, até pode dar muito, sem amar nada, nem ninguém. A caridade implica a pessoa. A solidariedade pode apenas ajudar causas, a caridade pode, para além das causas, procura amar e servir pessoas. Causas e pessoas não são a mesma coisa”, frisou o Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Paris.

Pela sua primeira vez em território francês, Berta Nunes, Secretária de Estado das Comunidades, não deixou escapar a ocasião para elogiar o trabalho realizado pela Santa Casa da Misericórdia. “É uma grande honra estar aqui. De facto foi uma escolha que não foi ao acaso, ter feito a minha primeira viagem, pouco tempo depois de tomar posse, a França. França é a nossa maior Comunidade, é a Comunidade com mais história, é a Comunidade mais organizada em termos de associação e a Misericórdia é de facto um bom exemplo. A Misericórdia é uma instituição que cuida daqueles que tiveram menos sucesso, e aqui temos muita gente bem-sucedida e ainda bem. Mas alguns ficaram para trás, tiveram alguns problemas. Alguns foram enterrados num lugar especifico, que as pessoas da Misericórdia visitam, porque não havia ninguém que os reclamassem, estavam sozinhos. Eu sou Secretária de Estado das Comunidades, porque na verdade, hoje em dia, não são propriamente emigrantes no sentido de há 50 ou 60 anos atrás, quando vieram na década de 50-60. Vieram com um regime de Ditadura, com um regime Fascista. Vieram por exemplo para Champigny, para onde vinham sem condições. O Maire da cidade ajudou a Comunidade e dizia que o Sol brilha para todos. Estamos a celebrar uma Comunidade que se organiza para que todos tenham a sua oportunidade, para que todos sintam que contam. Não há nada de pior que alguém que se sente isolado, mesmo que tenha muitas coisas materiais”, admitiu Berta Nunes antes de acrescentar: “Aqui a Misericórdia, as associações de jovens, as associações de pessoas mais velhas, são aquelas que fazem falta para não nos sentirmos sozinhos. Para sentirmos que estamos juntos e que juntos podemos ir mais longe. Se digo que temos uma identidade, uma cultura, isto com o facto de caminharmos em conjunto, as culturas enriquecessem umas às outras. Eu ouvi uma jovem dizer que se senti 100% francesa e 100% portuguesa, mas lá no coração dela, era portuguesa porque ela confessou que quando Portugal ganhou o Europeu, ela ficou muito contente. Portugal ganhou à França, ela sentiu muito orgulho e era uma jovem que nasceu aqui em França, tem dupla nacionalidade, mas na verdade ela é primeiro portuguesa, portuguesa de coração. Tenho muita honra em estar aqui. Podem contar com o Consulado, com a Embaixada, com a Secretária de Estado em conjunto a trabalhar para o bem-estar de todos e de todas. Queria agradecer a todos pelo vosso trabalho ao longo destes 25 anos. Todos nós precisamos de alguém que nos dá a mão. Isso é de facto o que vocês têm feito. Parabéns. Os políticos têm obrigações, é um serviço, mas não podem, nem devem fazer tudo, a sociedade civil organizada é muito importante para que as coisas aconteçam pela positiva”, assegurou.

O Embaixador, Jorge Torres Pereira, começou com uma nota humorística em relação aos discursos algo ‘longos’ de certos intervenientes, antes de declarar o seu ‘amor’ pela Comunidade portuguesa em França. “Tinha pensado num discurso de 20 minutos, mas vou encurtar (risos). O importante aqui é assinalar a importância, o número de presenças aqui em relação a esta obra. Para a Comunidade portuguesa em França, de referir a importância do facto da Secretária de Estado ter escolhido como primeiro destino França. A Comunidade deve reconhecer a importância desse gesto. Queria ainda referir que na vida de um Diplomata, de um Embaixador, há muitos jantares, muitas receções, e apesar das pessoas pensarem o contrário, nem sempre estamos particularmente empenhados em ser convidados ou estarmos presentes. Mas ao vir aqui, senti a satisfação que ia ter ao estar convosco. Muitas vezes perguntam se o ‘novo’ Embaixador vai conquistar a Comunidade, e nunca o contrário. Mas posso dizer que esta Comunidade conseguiu conquistar o Embaixador”, realçou.

António de Albuquerque Moniz, Cônsul de Portugal em Paris, chamou a atenção das pessoas presentes para a necessidade de se financiar a Santa Casa da Misericórdia. “Reitero aqui o que foi dito pelo Padre Nuno Aurélio, é necessário haver um trabalho de equipa, que passa por contribuições generosas. Tem havido um apoio crescente da parte do Estado português às atividades da Santa Casa da Misericórdia de Paris e gostaríamos muito que um dia fosse possível fazer uma cooperação entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Santa Casa de Paris. Os meios são muito amplos em Portugal e talvez isso seja possível fazer no futuro”, apelou.

 

Corrida da Santa Casa para a Primavera 2020

Outro tema abordado durante a Gala, para além das iniciativas da Santa Casa da Misericórdia em torno das obras de solidariedade e de caridade, foi a corrida de 2020 cuja a madrinha da precedente edição, Rosa Mota, esteve presente.

Patrick da Eira, organizador da corrida, lembrou um pouco da história desta prova algo particular. “A história desta corrida é uma história de amizade. Amigos que estão juntos e que tentam ajudar-se uns aos outros. Na altura o Joaquim era o provedor da Misericórdia. Decidimos organizar um evento para angariar fundos. Esta vai ser a 7ª corrida. Todos os anos estamos um pouco dececionados com a participação que temos na corrida. Seria muito importante para a sétima corrida, que seja um enorme sucesso. Não para mim, para o meu ego, seria sobretudo para termos o orgulho de ter uma iniciativa que seja universal. Temos pessoas de 7 a 77 anos, homens, mulheres, pessoas vindas de muitas origens, não temos patrocinadores porque não temos nada a vender, não temos miséria a vender. Queremos ter um evento em que todos se possam reunir, e agradeço os atletas que vêm porque eles têm valores a partilhar. Se eu consigo chegar ao fim da prova, todas as pessoas conseguem. E queríamos oferecer um presente à Rosa Mota. Além de ser uma grande atleta, é uma grande mulher com um grande coração. Esteve sempre disponível”, sublinhou.

Quanto a Rosa Mota, madrinha da corrida, não se cansou de apelar a uma maior participação, lembrando os benefícios do desporto na vida de uma pessoa. “Desde já marquem aí para estarem presentes no dia da corrida, quer seja para caminhar, quer seja para correr. Tragam os vossos amigos, porque costuma ser muito muito divertido. Ficaríamos muito felizes se conseguirmos ter o dobro ou o triplo das pessoas do ano passado. Tem sido um grande prazer estar com esta grande família. Ficamos sempre mais ricos quando temos ainda mais amigos. Eu faço sempre novos amigos aqui. Eu estou a caminhar para ajudar os outros e ajudar-nos a nós próprios. Sozinhos não somos ninguém. A Santa Casa da Misericórdia de Paris queria ter 1.000 sócios, não é assim muito, por isso queria que ajudassem. Faz bem à saúde caminhar. Exercício faz muito bem e ajuda a Misericórdia também”, concluiu.

A corrida deverá ser no mês de maio ou junho, sendo que a data exata ainda não foi escolhida.

 

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