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As Secções de França e do Luxemburgo do Bloco de Esquerda (BE) querem mais meios para o ensino da língua portuguesa no estrangeiro e querem que “a Propina da vergonha” seja definitivamente suprimida.

Estas foram as conclusões de uma “conversa” que o BE França e o BE Luxemburgo organizaram sobre esta temática com Teresa Duarte Soares, professora de português língua materna no estrangeiro desde 1981, lecionando atualmente em Nuremberga (Alemanha) sendo também a Secretária Geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL) desde 2009.

Teresa Soares disse que a introdução da Propina, em 2013, já fez perder cerca de 15.000 alunos no estrangeiro. “Na Suíça, por exemplo, perdem-se cerca de 500 alunos por ano” disse Teresa Soares, enquanto Cristina Semblano dizia que cada vez há mais emigrantes.

“Em 2006 havia na Suíça 144 professores, em 2016 havia 83 e hoje há menos de 70. Em 2007 havia cerca de 15.000 alunos na Suíça, em 2012 havia 13.000 e em 2015 havia cerca de 9.500” ilustrou Teresa Soares. “Em França passou-se de 120 professores em 2006 a 86 professores em 2016. O número de alunos também desceu de 13.400 em 2012 para 11.390 alunos em 2016”.

A sindicalista diz que esta redução dos alunos fazem surgir horários incompletos e logo a precarização dos professores.

Todos os participantes concordaram que é necessário suprimir a Propina no ensino de português no estrangeiro, até porque há países onde não se aplica a Propina. “Por exemplo em Espanha, onde 70% dos alunos de português são Espanhóis, não se paga Propina. Finalmente a Propina é aplica aos alunos lusodescendentes, enquanto os alunos estrangeiros não pagam Propina” afirma Teresa Soares. Em França, foi o Governo francês que não aceitou a Propina “porque a escola francesa tem de ser gratuita” explicou Teresa Soares.

A sindicalista diz ter feito tudo para fazer suprimir a Propina “mas já vamos no terceiro Governo e não reagem”. Cristina Semblano acusou o Partido Socialista e em particular o Deputado eleito pelo círculo eleitoral da Europa, Paulo Pisco, “que antes do PS estar no Governo era contra a Propina, e agora aceita a Propina”.

Este assunto ocupou uma boa parte da “conversa”, com Teresa Soares a dizer que se trata de uma “vergonha nacional” que rende pouco mais de um milhão de euros aos cofres do Estado, mas também foi uma oportunidade para Cristina Semblano deixar recados internos. “O Bloco de Esquerda tomou posição contra as Propinas” explicou, mas acrescentou que “tomar uma posição de vez em quando não chega. Era necessário levar este assunto ao Plenário da Assembleia da República”.

Teresa Soares disse ainda que as condições de trabalho dos professores “são humilhantes” e ilustrou que têm de dar aulas em 4 ou 5 escolas diferentes e com alunos de vários níveis na mesma sala. Mas sobretudo, teceu graves críticas ao afirmar que o Ensino da língua portuguesa no estrangeiro “não tem qualidade” e que o diploma que é entregue aos alunos “não tem qualquer validade”.

A conversa foi animada por Cristina Semblano (BE França), mas também por José Luís Correia (BE Luxemburgo) e Pedro Guedes de Oliveira, Leitor de português em França e linguista e foi foi transmitida na plataforma do LusoJornal.

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