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O Bloco de Esquerda (BE) quer saber se o Governo vai lutar para manter a Sucursal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França e se tomará medidas para que terminem as «manobras de intimidação» junto dos trabalhadores em greve desde abril.

Na carta enviada em 11 de junho ao Ministério das Finanças, a que a Lusa teve acesso, os Deputados Mariana Mortágua e Moisés Ferreira do Bloco de Esquerda (BE), que já vieram a França, em momentos diferentes, para apoiar a greve de uma franja importante dos trabalhadores, questionam sobre se «vai ou não o Governo defender o interesse público e pugnar pela manutenção da operação francesa», isto «tendo em conta a importância da Sucursal francesa da CGD, seja para a Comunidade portuguesa em França, seja para os resultados da Caixa Geral de Depósitos».

A forma como tem decorrido a greve dos trabalhadores da Sucursal de França já levou a CGD a mover ações judiciais contra dirigentes sindicais e contra os membros da Comissão de negociação dos trabalhadores em greve. A CGD proibiu mesmo Assembleias-gerais dos trabalhadores nas instalações, por estas perturbarem a atividade dos funcionários que estavam a trabalhar.

Assim, o BE também questiona o Governo sobre se se revê «na atuação da Administração da Caixa Geral de Depósitos que faz tábua rasa dos direitos mais elementares de uma democracia e, por exemplo, processa delegados sindicais e membros da comissão negociadora nomeada pelos trabalhadores».

Mariana Mortágua e Moisés Ferreira questionam ainda sobre as medidas estão a ser tomadas «junto da Administração da Caixa Geral de Depósitos para que se abandonem todas as manobras de intimidação e chantagem que estão a colocar em causa direitos básicos dos trabalhadores, como é o caso do direito à greve e à manifestação».

Por fim, o Bloco de Esquerda quer saber se o Governo pensa «travar» as transferências de trabalhadores de serviços comerciais para serviços centrais, considerando que «tais procedimentos, para além de não serem conformes, são contrários à deontologia e à regulamentação bancária, expondo o banco público a um aumento de conflitos de interesses e de riscos de não-conformidade evidentes».

Entretanto, cerca de 80 trabalhadores da CGD/França voltaram a manifestar-se ontem, quinta-feira em Paris, contra uma eventual privatização da Sucursal, pela oitava vez desde o início da greve há quase dois meses.

O protesto aconteceu junto ao Consulado-Geral de Portugal em Paris, entre bandeiras portuguesas e cartazes a indicar «Em greve» e «A Caixa unida jamais será vendida».

«A manifestação de hoje é para continuar a fazer pressão sobre o Governo contra a alienação da Caixa Geral de Depósitos, é evidente. E penso que mesmo depois de a greve acabar, se a greve acabar, vamos continuar a manifestar-nos e vamos continuar a exercer toda a pressão que está ao nosso alcance para impedir a alienação», disse Lurdes Monteiro, Delegada sindical da Force Ouvrière, um dos sindicatos que apoia a greve, à Lusa.

Questionada sobre até quando vai durar a paralisação, iniciada em 17 de abril, Lurdes Monteiro disse que «será consoante as negociações, mas em princípio a greve mantém-se enquanto houver negociações».

Esta terça-feira, o Tribunal de Grande Instância de Paris pronunciou-se pela nomeação de um Mediador para as negociações, que foi requerido pela CGD devido ao desacordo entre Direção e Sindicatos grevistas sobre quem pode assinar um Protocolo de fim de greve, já que a paralisação foi apoiada pela intersindical francesa FO-CFTC, mas não foi seguida pelos sindicatos CGT e CFDT.

«Vamos, com certeza, tolerá-los em reunião, é evidente, e aceitar que eles venham às reuniões, mas reconheço que é ilegítimo um sindicato que não chama à greve, que desmobiliza e que quer fazer parte da negociação da assinatura do Protocolo do fim de greve», afirmou Lurdes Monteiro, que também é membro da Comissão de negociação eleita pelos trabalhadores em greve.

O Tribunal de Grande Instância de Paris vai, ainda, pronunciar-se, em 26 de junho, sobre o pedido da intersindical FO-CFTC para ter acesso ao plano de reestruturação acordado entre o Governo português e Bruxelas e que é a principal reivindicação dos grevistas. «Queremos uma cópia do plano de reestruturação integral no que diz respeito à Sucursal de França. Mesmo que haja partes confidenciais, como eles dizem, nós não queremos saber a parte que diz respeito a Portugal ou a outras sucursais, o que queremos é saber o que diz respeito a França. Se não obtivermos a cópia do plano, queremos garantias para as pessoas, quais as condições em que as pessoas vão ser despedidas ou vendidas, como e quando», continuou Lurdes Monteiro.

«Os trabalhadores estão decididos e sabem que só podemos continuar a lutar, não podemos baixar os braços. As manifestações vão depender do ritmo das reuniões de negociação. Se as reuniões avançarem continuamente, temos de estar na sede para as reuniões e penso que os colegas também gostarão de estar lá no pátio à espera de saber novidades», concluiu Lurdes Monteiro.

Esta semana houve também uma manifestação junto à Autoridade de Controlo e de Resolução, o organismo francês de supervisão dos bancos e, nas últimas duas semanas, houve três protestos junto à Embaixada, dois perto do Consulado – incluindo um em que participou o deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira – e um na Federação Bancária Francesa.

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