Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Religião

 

 

O Evangelho do próximo domingo, dia 3, é uma das páginas mais dramáticas e comoventes do Novo Testamento. Os escribas e fariseus arrastam uma mulher, surpreendida em flagrante adultério, até que ela caia junto aos pés de Jesus. «Tu que dizes?» Os olhos do povo fixam-se sobre Ele. Se perdoa, desrespeita a lei hebraica; se a condena à morte, viola a lei romana (a única que podia sentenciar a pena capital).

Os ânimos exaltam-se; os escribas e fariseus atiçam a multidão e exigem uma resposta de Jesus. Num ambiente hostil em que todos gritam e ninguém escuta, Ele faz algo que capta a (nossa) atenção e abranda o ritmo frenético do episódio: inclina-se e começa a escrever com o dedo na areia. Jesus abaixa-se (como que para estar mais perto daquela mulher que agoniza no chão) e reflete. O verdadeiro sentido da Lei (que o “dedo” de Deus escreveu um dia na pedra) está para ser revelado. E tudo começa com o gesto de um dedo que escreve na areia.

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Tal como dizia santo Agostinho, «ficaram só os dois: a miséria e a misericórdia»; a mulher e Jesus. A Lei (r)escrita permanece intacta, mas ao mesmo tempo, radicalmente transformada. O único sem pecado, que poderia condenar a mulher, prefere salvá-la, distinguindo para sempre o pecado do pecador. A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida! A proposta que Deus nos faz não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à libertação de tudo o que oprime e escraviza. E destruir ou matar em nome de Deus é uma ofensa inqualificável ao Senhor da vida e do amor, que apenas deseja a realização plena do homem.

 

Donativos LusoJornal

 

X