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O pianista Bruno Belthoise apresentou, na sexta-feira passada, dia 21 de maio, na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade universitária internacional de Paris, mais dois volumes da AVA Musical Editions, uma com partituras para piano solo (volume 6) e outra com partituras para piano a 4 mãos (volume 2), selecionadas pelo próprio Bruno Belthoise et por João Pedro M. Santos.

Para o lançamento foi organizado um concerto de piano com alunos do Conservatoire à Rayonnement Régional du Grand Avignon, do Conservatoire à Rayonnement Départemental d’Argenteuil, do Conservatoire à Rayonnement Communal de Houilles, do Conservatoire Municipal du 13e arrondissement de Paris e da Haute Ecole de Musique de Genève.

O evento integra-se num projeto lançado em 2013 para “dar a oportunidade aos pianistas franceses de descobrirem os compositores portugueses”. E a fórmula encontrada por Bruno Belthoise para o fazer foi através da edição de partituras, em colaboração com a editora portuguesa AVA Musical Editions.

“A minha vontade como intérprete de compositores portugueses é de facilitar o trabalho dos professores para encontrarem esta música que foi esquecida durante muitos anos, por causa de política, da história de Portugal, da falta de edição, e até da imagem cultural dos Portugueses em França, que não foram bem reconhecidos como força cultural e rica do ponto de vista musical” explica Bruno Belthoise ao LusoJornal. “De muitos anos de pesquisa pessoal, encontrei uma quantidade incrível de música para piano. Em Portugal há dois domínios mais representativos da criação musical portuguesa: a sua música sinfónica, que é muito rica, e um reportório para piano”.

Cerca de 200 pianistas já participaram neste projeto desde 2013, quase 60 Conservatórios diferentes, em Portugal e em França, e cerca de 75 professores, mas Bruno Belthoise promete continuar.

Ana Paixão, a Diretora da Casa de Portugal, considera este projeto “extremamente interessante, um dos mais interessantes em termos pedagógicos, em termos de divulgação cultural, de divulgação artística, junto de crianças franceses ou de outras nacionalidades, que vêm aprender o que é a música portuguesa e dá-la a conhecer ao público francês, mas também ao público português” diz ao LusoJornal. “É um projeto de investigação, porque o Bruno Belthoise vai buscar partituras que não são tocadas há muitos séculos, é um projeto de criação porque há muitos compositores portugueses, contemporâneos, que são convidados para criar uma nova peça, é um projeto de edição, e o processo de edição de partituras em Portugal ainda é raro e é um projeto pedagógico que visa estas crianças francesas e portuguesas, que vêm tocar compositores portugueses e ao mesmo tempo é um projeto de divulgação da música portuguesa, também em Portugal, porque há muitas destas referências que se perderam também em Portugal. É importante que os próprios portugueses descubram a sua própria música erudita”.

Bruno Belthoise é francês e não tem raízes portuguesas, “mas tenho bons amigos portugueses, há muitos anos” confessa. O concertista, autor, improvisador, é também o responsável pelo Conservatório da cidade de Houilles. “Quando eu era pequeno, os meus pais eram amigos de Portugueses aqui em Paris e convidaram-nos para descobrir Portugal. Eu tinha 14 anos, quando, pela primeira vez, em 1968, descobri um país maravilhoso, uma cidade de Sintra incrível, descobri também Lisboa” conta ao LusoJornal.

Poucos anos depois de ter terminado os estudos, decidiu voltar a Portugal “para conhecer mais a cultura portuguesa e fiquei realmente encantado com a riqueza da poesia e com a riqueza desconhecida da música erudita portuguesa”. Foi uma “grande aventura” que ainda hoje continua, tornando-se num dos mais eficazes promotores dos compositores portugueses em França e não só.

 

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