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A Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP) vai organizar, no próximo fim de semana, o seu Jantar anual em Faro e, numa entrevista ao LusoJornal, o Presidente Carlos Vinhas Pereira fala de “nova era” e de “novas orientações” a partir do próximo ano.

 

Qual o balanço deste ano que agora termina?

Foi um ano cheio de decisões estratégicas para a CCIFP. É um ano que serviu para reorientar a Câmara para as atividades naturais de uma Câmara de comércio. Na última Assembleia Geral foi decidido encontrar um investidor a quem vender totalmente ou parcialmente o Salão do imobiliário. O Salão era uma atividade comercial da CCIFP, bastante pesada para a nossa estrutura. Vários especialistas valorizaram o Salão, encontrei 7 ou 8 empresas organizadoras de salões no mercado, ficámos com uma short list de duas dessas empresas e vendemos 75% do Salão a uma delas.

 

A Câmara continua com 25%?

Sim, o investidor necessita da Câmara para continuar a dar uma vertente institucional ao Salão e queria que nós continuassemos a comercializar junto dos nossos expositores habituais como temos vindo a fazer desde 2012. Vamos comercializar e temos uma comissão de exclusividade sobre as vendas, o que nos vai permitir ter uma verba financeira por vários anos. Ficamos também de prestar serviços à nova estrutura, continuar a divulgar o Salão, trabalhar junto das autarquias, das CIM, do Governo, em Portugal, e desenvolver a componente turística que é muito importante, para que o Salão continue a ter esta vertente.

 

Vão então continuar ligados ao Salão…

É o que tínhamos decidido na Assembleia Geral. Mas passávamos 6 a 7 meses a tratar do Salão, em termos de logística, venda de espaços, promoção,… dá muito trabalho organizar um salão com 200 expositores. Agora não tínhamos mais nada a mostrar depois de 7 edições, era o bom momento para valorizar e vender, mantendo este projeto próximo de nós. Vamos certamente continuar a trabalhar no novo conceito que era de passar do Salão do imobiliário e do turismo para o Salão Portugal, com mais 5.000 metros quadrados e ter a vertente gastronómica mais organizada, equipamentos de casa e outros ramos, como por exemplo o ramo do digital, tendo em conta a imagem que Portugal tem com o Web Summit. Ainda não é para este ano, mas será um projeto para 2020.

 

Mas deixa de ser um projeto diretamente pilotado pela CCIFP…

Sim, claro, é esse o interesse. Aliás, na Assembleia Geral também foi anunciada publicamente que queríamos encontrar investidores para vender a CCIFP Editions, a empresa que edita o LusoJornal. Este processo está em curso e bem orientado, pelo que cumpriremos com o que tínhamos anunciado, antes do fim do ano 2018.

 

Este ano, a Gala da CCIFP realiza-se em Faro. Porquê?

A Gala realiza-se uma vez por ano, um ano em França e outro ano em Portugal. Já fizemos em Lisboa, no Porto e agora em Faro. São as três zonas onde há mais investimento francês. Para mais, Faro é uma das cidades com quem assinámos um Protocolo de cooperação e é o símbolo do turismo em Portugal e dos investimentos ligados ao turismo. É pois natural que seja em Faro. É um destino muito utilizado pelos Franceses.

 

E qual vai ser o programa?

Temos visitas a empresas locais, por exemplo uma empresa de Alfarroba, o que não é de estranhar no Algarve, mas representa originalidade e deve ser uma empresa única no mundo. Temos visitas a várias empresas, os participantes escolhem e inscrevem-se nas visitas que mais lhe interessa. Teremos também uma receção na Câmara municipal de Faro. Durante o Jantar de Gala, os apresentadores vão ser a atriz Jaqueline Corado e o apresentador de televisão José Figueiras. E a grande novidade é o novo Troféu CCIFP do melhor ator do imobiliário em Portugal. É natural e vem no seguimento do nosso trabalho com o Salão do imobiliário. Também gostávamos de ter connosco o novo Ministro português da economia.

 

Sem o Salão do imobiliário, a Câmara vai então dedicar-se a outros assuntos?

Os nossos membros não estão todos ligados à área do imobiliário. Mas compreenderam que tínhamos que desenvolver a área do Salão do imobiliário em 2012, quando estava em forte crise. Tínhamos ali uma oportunidade e tivemos de aproveitar. Se hoje os Franceses são os maiores investidores no ramo imobiliário em Portugal, o único trabalho feito aqui foi o nosso, pelo que acho que os nossos membros reconhecem isso e nós temos algum orgulho nisso. Pedimos alguma indulgência por não termos tratado todos os assuntos que os nossos membros queriam.

 

E de que outros assuntos se trata?

Estamos a fazer um inquérito junto dos nossos membros para saber o que lhes interessa, qual pode ser a ajuda que necessitam da Câmara. Estamos agora a recolher os resultados, vamos compilar tudo e destacar os pontos principais para podermos estabelecer uma lista de prestações para poder responder aos pedidos dos nossos membros. Na próxima Assembleia Geral queremos prestar contas, mas também apresentar a “nova” Câmara, com novos produtos e novos serviços que resultam dos desejos que os membros formularam, para estarmos numa verdadeira sintonia com os nossos membros.

 

Se o Salão deixa de ser o momento forte da CCIFP, qual vai ser o momento de destaque do próximo ano?

Para 2019 queremos manter um grande evento que é o nosso Fórum empresarial. Fizemos um em 2008, outro em 2011, mas depois estávamos demasiado concentrados com o Salão do imobiliário. Queremos que seja um grande Fórum internacional, com 1.000 empresas francesas e portuguesas, num sítio que ainda está por definir. Queremos fazer algo mesmo bilateral, com um colóquio, mas também com uma sessão de speed-datting, porque as empresas querem coisas concretas, terem 10 minutos para se apresentarem. Nas primeiras edições estávamos associadas à Cimeira franco-portuguesa que deixou de existir, mas nós queríamos que voltasse a realizar-se este tipo de cimeiras entre os dois países.

 

Que outras novidades nos reserva a CCIFP de 2019?

A grande novidade é efetivamente termos uma atividade muito mais organizada e mais orientada para os membros. Também vamos relançar a revista Bilateral, que é um suporte fundamental para nós, e uma ferramenta importante. Queremos ter um catálogo de prestações de serviços para os membros, alguns pagos, outros não, organizar missões empresariais em Portugal ou em França, acolher empresas aqui em França, formação,… muita formação e informação. O produto regular com mais sucesso na Câmara são as nossas formações para se instalar em Portugal. Essas formações estão praticamente sempre cheias. Queremos ter uma lista grande de prestadores de serviços, nossos membros, para sugerir, por exemplo advogados, notários, empresas agroalimentares, bancos, seguros, etc. E queremos articular mais coisas com a AICEP, não somos concorrentes, mas sim complementares.

 

O Governo português anunciou que as Câmaras de comércio portuguesas no estrangeiro passariam a ter reconhecimento de utilidade pública. A CCIFP já tem?

Apenas temos de ter uma domiciliação em Portugal. Tudo o resto está feito. Queremos ser a primeira Câmara de comércio a ter este estatuto, até porque fomos nós a formular o pedido.

 

A CCIFP está sem Diretor há algum tempo. Vai continuar assim?

Em 2018 recorremos a um prestador de serviço. Queremos primeiro ver até onde podemos ir. Queríamos cumprir com as nossas decisões. Agora, com o inquérito aos nossos membros, vamos ver de que meios necessitamos. Ainda não decidimos se vamos recrutar ou não um Diretor. Podemos recorrer apenas a prestadores de serviços.

 

São muitas mudanças num só ano…

Efetivamente, é uma nova era. Também decidimos alargar os nossos Administradores de 9 para 15 pessoas e vamos apresentar uma lista de acordo com os critérios expostos na Assembleia Geral extraordinária, com Administradores de vários setores económicos. Estamos muito concentrados em alguns setores e temos de alargar para termos uma representação mais próxima do tecido empresarial franco-português em França. Há quem pense que isto é só para as grandes empresas, mas nunca foi o caso, é para todos. Até porque a maioria das empresas são pequenas e médias. Queremos que o Conselho de Administração traduza esta realidade.

 

Como está a Federação das Câmaras de comércio europeias?

Nós assumimos atualmente a Presidência desta Federação e vamos propor um evento conjunto. Queremos aproveitar o nosso Fórum, em junho, para poder trazer empresas de toda a Europa, todas podem estar interessadas pelos temas em debate.

 

 

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