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Desde redigir um currículo e preparar uma entrevista em português até ofertas de trabalho, a associação Cap Magellan, em cooperação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), promoveu em Paris oportunidades em Portugal.

Durante o dia de quarta-feira da semana passada, dia 20 de fevereiro, a Cap Magellan instalou no Consulado-geral de Portugal em Paris um serviço de atendimento ao público para ajudar portugueses, lusodescendentes ou franceses que tenham noções de português a encontrar novas oportunidades profissionais em Portugal.

Através de consultas individualizadas com duas técnicas da associação, os interessados puderam conhecer não só as oportunidades de emprego, mas também como construir o seu currículo e preparar a entrevista de trabalho em português, uma iniciativa em parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Já na quinta-feira, dia 21, a associação esteve presente no evento “Paris pour l’emploi des jeunes”, promovido pela cidade de Paris, no Parc de la Villette, difundindo as ofertas em Portugal.

Este fórum contou com mais de 200 expositores, incluindo várias instituições públicas francesas, e mais de 4.000 oportunidades de trabalho, incluindo estágios, contratos a prazo e contratos sem termo. Portugal não foi o único país a apresentar as suas oportunidades aos jovens parisienses, com várias províncias do Canadá a tentarem também atrair franceses para os seus territórios.

Dezenas de lusodescendentes participaram no Fórum de emprego no Consulado-geral de Portugal em Paris, mas a principal motivação para voltar a Portugal continua ser cultural ou familiar e não apenas pela procura de maior estabilidade financeira. “Vim à procura de uma oportunidade para voltar para Portugal. Estou em França há 10 meses, depois de oito anos a trabalhar na Argélia. Tenho mulher e filhos em Portugal e vou todos os 15 dias, agora quero voltar. Trabalho no setor da construção, e apesar de ter havido um ‘boom’, sobretudo na área da reconstrução e remodelação, as ofertas de emprego em Portugal não são por aí além e são muito mal remuneradas”, explicou à Lusa Gabriel Travassos, de 34 anos.

Mesmo reconhecendo que as oportunidades não são as melhores, Gabriel Travassos quer voltar a Portugal para estar mais perto da família e está disponível até a mudar de profissão. “A minha ideia passa mesmo por mudar de área profissional, para o que quer que seja. A minha esposa tem um emprego estável em Portugal e eu tenho um país. Apesar de agora aqui ter um emprego também estável, prefiro voltar”, acrescentou.

Tal como dezenas de pessoas que passaram pelo Consulado-Geral de Portugal em Paris, este português agendou uma hora para ser recebido pelas responsáveis da associação Cap Magellan, que passaram o dia a acolher individualmente quem procurava oportunidades de estágio ou trabalho para falantes de língua portuguesa, tanto em França como em Portugal.

E as motivações, tal como Gabriel Travassos, nem sempre são financeiras. “A maioria das pessoas que nos procura quer ir para Portugal pela cultura, incluindo aqueles que nem são lusófonos. Alguns já lá estiveram e querem voltar, outros são jovens que querem descobrir o país. O critério financeiro não é o que aparece mais”, afirmou Diana Domingues, uma das responsáveis do pólo de emprego da Cap Magellan.

Este é o caso de Letícia Teixeira, lusodescendente que está a terminar a licenciatura em Finanças numa Universidade de Paris e que procura um estágio. “Para terminar a licenciatura preciso de fazer um estágio e estou à procura tanto em Portugal como em França. Não conheço particularmente o mercado de trabalho em Portugal, mas conheço o país porque tenho família e visito todos os anos”, afirmou a jovem lusodescendente.

Há ainda quem não esteja interessado em voltar, mas apenas em utilizar a língua portuguesa como mais valia para encontrar um trabalho em França. “Após ter sido despedida de uma empresa por razões financeiras e ter feito uma requalificação profissional, estou à procura de trabalho, algo que eu sei que é difícil na minha idade”, disse Terensia Martins, lusodescendente de 50 anos, que com filhos e companheiro em França, não tem ideia de voltar para Portugal.

Para António de Albuquerque Moniz, Cônsul-Geral de Portugal em Paris, há cada vez mais pessoas à procura das “grandes oportunidades” nacionais. “Eu cheguei cá em 2015 e, na altura, estávamos a sair da crise e ainda havia Portugueses a chegar a França à procura de trabalho (…) Ultimamente está tudo mais estável e há Portugueses a regressar a Portugal porque sabem que Portugal é um país com grandes oportunidades em diferentes setores”, afirmou o diplomata português.

 

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