Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Desporto

 

O empresário português Carlos Ferreira (Groupe CFM) organizou esta segunda-feira um almoço, no restaurante “L’Atelier 24”, em La Queue-en-Brie (94), com empresários portugueses apelando ao apoio à Federação portuguesa de râguebi. No almoço esteve presente Carlos Amado da Silva, Presidente da Federação, que veio a França para reuniões das instâncias europeias do râguebi em Marcoucis.

Carlos Ferreira conheceu Carlos Amado da Silva há dois anos, quando Portugal veio defrontar a Geórgia no Stade Jean Bouin, em Paris. “Na altura, a minha empresa patrocinou as camisolas da Seleção de Portugal” explicou Carlos Ferreira ao LusoJornal.

O empresário do ramo do comércio de materiais de construção, ficou encantado com os “valores” do râguebi. “Finalmente, os valores do râguebi e os dos empresários são idênticos: nos dois casos é necessário muito trabalho e muita persistência”.

Carlos Amado da Silva disse aos jornalistas que este contacto com a Comunidade portuguesa de França deve ser constante. “Isto não é só de agora. Nós não voltamos hoje, nós estamos cá” disse o Presidente da Federação.

Carlos Ferreira afirma de três quartos da Seleção portuguesa são jogadores de França. Mas Carlos Amado da Silva acrescenta que “nós também queremos ‘exportar’ jogadores portugueses para jogar em equipas profissionais francesas. Já temos 5 ou 6 cá em França. Primeiro havia um fluxo de França para Portugal e agora também de Portugal para França. Isto está a dar muito gozo a toda a gente. Já se fala de Portugal no mundo inteiro”.

O Selecionador português também é francês e Carlos Amado da Silva encheu de elogios Patrice Lagisquet. “Eu escolhi o Patrice porque é um profissional conhecido em França. Ele foi o número dois da equipa técnica da Seleção francesa, foi Campeão de França pelo Biarritz e foi um internacional de renome. Tanto tecnicamente como humanamente ele é excecional e está a fazer um trabalho espetacular. Portugal está a jogar um râguebi que faz inveja a muita gente” garante o Presidente da Federação portuguesa de râguebi que foi, durante 35 anos, Presidente de um clube e dedica-se agora, já aposentado da função pública, à Federação.

Carlos Ferreira quer convencer os empresários portugueses de França a apoiarem a Federação portuguesa de râguebi. À mesa estavam Mapril Baptista, Mário Martins, Olivier Matias, Artur Machado… “Estou certo que este grupo vai crescer e que vamos ter cada vez mais empresas a apoiar o râguebi português. Só para garantir a presença dos jogadores de França na Seleção portuguesa são necessários cerca de 200 mil euros” disse o empresário ao LusoJornal.

Mas Carlos Amado da Silva voltou a queixar-se da “atitude irresponsável” da Mairie de Paris. Um Conselheiro de Paris prometeu suportar as despesas com o estádio Jean Bouin e acabou por não cumprir.

“Financeiramente, o jogo em França correu muito mal. Houve uma desresponsabilização lamentável por parte da Mairie de Paris que se comprometeu nomeadamente em relação ao estádio Jean Bouin e ainda hoje estamos a pagar mensalmente ao Stade Français as dívidas provocadas por esse aluguer que era suposto ser oferecido pela Mairie de Paris. Isso foi muito mal” denuncia Carlos Amado da Silva.

O próximo passo que motiva Carlos Ferreira é o facto de Portugal estar praticamente apurado para o Mundial de Râguebi que vai ter lugar em 2023. “Esse é o nosso grande objetivo” diz também por seu lado o Presidente da Federação.

Portugal está neste momento em segundo lugar na qualificação para o Mundial e Carlos Amado da Silva veio tentar recrutar novos jogadores lusodescendentes em França. “Houve uma alteração na regulamentação mundial, proposta curiosamente pela Federação portuguesa de râguebi. Agora nós temos vários jogadores elegíveis, que não tínhamos antes, como é o caso do Cerqueira e do Laranjeira, do Brive, que podem agora jogar por Portugal, já estamos a tratar disso. Ontem estive também a ver um jogo do Stade Français e o Lucas da Silva é outro jogador que nós queremos que venha jogar para nós. Fiz-lhe o convite” disse aos jornalistas. “Um jogador que ainda não conseguimos estabelecer o contacto – e aproveito para dizer, se chegar aos ouvidos dele, que me contacte – é o Cedate Gomes de Sá. É português, joga no Racing 92, e é um pilar, são lugares que nós precisamos muito. Queremos que ele se junte ao grupo. É um grupo extremamente aberto, onde as pessoas se sentem bem, há uma mistura entre jogadores que jogam em Portugal e em França, e o Patrice Lagisquet está a gerir isso muito bem”.

Para concluir, Carlos Amado da Silva afirma “sem nenhum problema” que Portugal “é, sem dúvida, das 6 Nações B, a que pratica melhor râguebi. É indiscutível. Toda a gente reconhece isso”.

Este relacionamento entre a Federação portuguesa de râguebi e os empresários portugueses de França promete continuar, segundo Carlos Ferreira, e o Presidente da Federação deixa um apelo: “nós vamos precisar do apoio da Comunidade portuguesa”.

 

Donativos LusoJornal
X