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A Associação Portuguesa Sócio-Cultural e Recreativa de Champigny recebeu da Mairie daquela cidade uma vivenda que vai transformar em “Casa de Portugal”. Mas para isso necessita de realizar importantes obras de restauro que vão custar mais de 200 mil euros. Os dirigentes da associação lançam agora uma vasta campanha de angariação de fundos.

Este é um velho sonho dos dirigentes da associação que vai comemorar em novembro deste ano 45 anos de existência. “Nós tínhamos uma sede, mas era um espaço municipal e foi-nos retirado para reconstrução.” Explica ao LusoJornal Manuel Marques Tesoureiro da Direção. “Andamos há uns 10 anos ou mais, a insistir com a Mairie para que nos ceda um novo espaço” refere por sua vez o Presidente António Lopes.

No verão do ano passado surgiu a boa notícia. Depois de ter sido inaugurado o Monumento de homenagem ao antigo Maire Louis Talamoni, depois do Presidente da República ter ido a Champigny para as comemorações do 10 de Junho e depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter atribuído ao Maire Dominique Adenot, as insígnias da Ordem de Mérito.

A Mairie recuperou um antigo lar da terceira idade para abrir a Maison des Associations. Mas a casa da porteira continuou a ser ocupada por quem lá vivia. “Mesmo depois da morte da senhora, o marido e os filhos ainda lá viveram mais uns dois anos” confirmou ao LusoJornal o Presidente António Lopes.

Foi esta a casa que a Mairie atribuiu à APSCR de Champigny. O espaço é nobre e agrada aos dirigentes da associação, só que as obras de restauro são enormes!

Em julho do ano passado, quando o Presidente e outros membros da Direção já estavam de férias, foi o Tesoureiro Manuel Marques quem assinou a Convenção de cedência do edifício por 1 euro simbólico e por 44 anos. “Depois dos 44 anos, a Mairie negociará a continuação do projeto com quem cá estiver” ri António Lopes.

Ter uma sede própria era o sonho dos dirigentes da associação. O Rancho Folclórico Saudades de Portugal vai poder ensaiar quando bem entender e as aulas de português, que sempre foram um cartão de visita da associação, vão continuar com condições dignas. A associação tem cursos para crianças e para adultos. “Já por aqui passaram dois padres da Paróquia de Champigny, que vieram aqui aprender a falar português e até as hospedeiras da Air France, que fazem a linha para Portugal” afirma Manuel Marques que se ocupa desta atividade há cerca de 35 anos. “Cheguei aqui quando a minha filha era pequena e estava a aprender português e agora já lá vão daqui a pouco 40 anos” explica.

As obras vão demorar cerca de um ano. “Vamos desterrar por detrás da casa para alargar o salão do rés-do-chão, para que o grupo folclórico possa ensaiar em boas condições e temos de organizar praticamente todo o interior” explica António Lopes quando mostrou ao LusoJornal as instalações.

Depois de pronta, “esta Casa de Portugal vai poder acolher teatro, dança, conferências e debates, assim como convívios entre Portugueses. E não é apenas aberta aos nossos associados, mas sim a toda a gente, portugueses ou não” diz António Lopes.

As obras vão custar mais de 200 mil euros. “Tivemos de fazer uma alteração ao nosso projeto inicial para que a Mairie aceitasse a obra e tivemos de fazer um estudo do terreno porque por baixo são ‘carrières’, mas está tudo bem e podemos fazer as obras como quisermos. Aliás a Mairie já nos deu autorização para começar a partir. Só a fachada é que tem de ficar idêntica” explica Manuel Marques.

Para as obras, a Mairie de Champigny atribuiu um envelope de 60 mil euros e os dirigentes da associação esperam também um apoio do Conselho Departemental.

“Já tivemos um encontro com o Senhor Embaixador e com o Senhor Cônsul de Paris. Ele prometeu-nos ajuda e disse que vai falar com umas empresas para nos ajudarem” disse ao LusoJornal Manuel Marques.

Os dirigentes da associação lançaram um peditório junto dos membros. “Pedimos apoio financeiro, mesmo se for uma soma pequena, é importante para nós. Pedimos também que os Portuguesses possam dar dias de trabalho para as obras. Quanto às empresas, pedimos material às que podem dar material, pedimos a algumas que nos enviem trabalhadores durante uma semana, por exemplo, e pedimos ajuda financeira porque há obras que temos mesmo que dar a fazer a empresas especialistas, sobretudo as obras que mexem com as fundações do edifício”.

Champigny ficará para sempre associada à história da emigração portuguesa, por ter sido uma plataforma de passagem de milhares de Portugueses e por ter acolhido nos anos 60, o maior bairro de lata da Europa, constituído essencialmente por Portugueses. Manuel Marques ainda se lembra de terem ido içar a bandeira portuguesa no Plateau. “Nunca vi tanto CRS junto. Éramos jovens, queríamos que aquilo fosse português, mas não podia ser, claro, e tivemos que descer a bandeira. Éramos jovens…” conta ao LusoJornal.

Ter agora uma Casa de Portugal na cidade é pois visto com “orgulho” pelos dirigentes da associação. Prometemque vão bater-se para levar a cabo esta empreitada mesmo se afirmam que “isto já não é para nós, é para os mais jovens, é para os nossos filhos”.

Se tudo correr bem e se houver participação, a Casa de Portugal de Champigny deve ser inaugurada no verão de 2019.

 

 

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