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A realizadora lusodescendente Christine Almeida, que vive nos arredores de Tourcoing vai realizar este ano a sua primeira curta-metragem de ficção intitulada “Emília”. Para poder realizar o projeto e com o objetivo de fechar o orçamento, Christine Almeida está à procura de financiamento colaborativo.

A realizadora não estudou cinema. “Os meus pais eram operários, à primeira vista o universo do cinema não era algo acessível para mim, era necessário ter os códigos sociais, ter uma rede de contactos, vir de uma classe um pouco burguesa” disse ao LusoJornal.

Como sempre gostou do contacto com os outros, começou a trabalhar muito cedo em Centros sociais, antes de se especializar como educadora especializada. Mas já nessa época existia no seu trabalho a presença da imagem e do som “para que todos possam exprimir-se de uma maneira ou outra”.

Depois iniciou um Master em comunicação, setor no qual foi trabalhar uns anos antes de se especializar no vídeo e de começar a realizar documentários. Hoje, o que lhe interessa é “contar a história de pessoas reais ou criar personagens inspirados por coisas que lhe interessam” através dos seus documentários. Também tem vários projetos à volta da condição da mulher de forma bastante larga.

Christine Almeida é filha de pais portugueses que chegaram ao norte da França, mais especificamente a Tourcoing nos anos 70. Apesar de ter nascido em França, as suas raízes estão em Portugal, era o lugar para onde ia quase todos os anos de férias. No entanto, o seu interesse pela cultura e o país dos pais é bastante recente. Só há cerca de uns dez anos é que se interessa realmente pela sua história e pela forma como os pais chegaram a França. Antes disso, como muitos jovens filhos de emigrantes, ser português “não era um orgulho”, “tinha vontade de integrar-me, de ser francesa… era bom ir lá de férias, mas a cultura portuguesa, os naperons em casa, a música portuguesa… era um pouco aborrecido” confessa ao LusoJornal, numa entrevista conduzida por Carlos Pereira.

“Emília” será a primeira curta-metragem de ficção de Christine Almeida que até agora estava mais habituada a realizar documentários.

Emília é uma mulher que tem 65 anos e cujo marido vai morrer no início do filme. Apesar deste acontecimento ser trágico, também pode ser o início de uma nova vida para Emília, portuguesa, que poderá finalmente viver para ela e não só para os outros, parando de seguir o modelo tradicional, de ser discreta, de ser como os outros, e de se fechar numa ‘célula’ familiar, de tomar conta dos outros ao ponto de esquecer-se de si própria. Mas, para isso, vai ter que opor-se ao peso das tradições portuguesas e enfrentar o olhar não sempre fácil da Comunidade portuguesa.

Segundo a realizadora, “Emília poderia ser a minha mãe e a mãe de muitas outras pessoas”.

O filme, que fala ao mesmo tempo da condição da mulher e da Comunidade portuguesa de França, é “um convite para pensar em si mesmo, na nossa felicidade e no nosso bem-estar, de amar-se a si própria, para estar depois disponível para os outros”.

A personagem de Emília vai ser representada pela atriz Rita Blanco, conhecida por exemplo pela sua participação no filme La Cage Dorée de Ruben Alves. E a filmagem está prevista para o próximo mês de setembro.

“A economia da curta-metragem é algo bastante precário” por isso, de forma a completar o orçamento e para realizar o projeto em boas condições, Christine Almeida está ainda à procura de financiamento.

A realizadora já beneficiou de um primeiro apoio da Pictanovo – um organismo da região Hauts-de-France que acompanha os autores e a criação de curtas, longas-metragens e documentários… No entanto, “ainda faltam 10.000 euros para poder fechar o orçamento, para que o filme possa ser realizado em boas condições e para poder pagar a equipa técnica que vai implicar-se no projeto” explica a realizadora. Para lá chegar, uma plataforma de financiamento participativo foi criada no site HelloAsso, e o necessário foi feito para que todos os donativos possam ser abatidos dos impostos.

 

Ver a entrevista AQUI.

 

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