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Opinião

 

Há 6 anos, apesar da vitória da Coligação do PPD/PSD – CDS-PP nas Eleições Legislativas de 2015 nomeadamente nos círculos eleitorais da emigração, foi, pela primeira vez na história da nossa democracia, encontrada uma solução inédita para governar o país que acabou por contornar os resultados saídos das urnas.

Perante a sua derrota, o Partido Socialista estabeleceu então um acordo de apoio parlamentar com os partidos mais à esquerda, o que, para alguns e para os próprios, era visto como um exemplo de governabilidade à esquerda.

Importa lembrar também que “esta coligação” tinha como principal, e “talvez único” objetivo, o de afastar o Centro-Direita do poder não assentando assim, em minha opinião, num projeto político consistente e coerente com os interesses do país, nomeadamente, no plano europeu e internacional.

Infelizmente, os últimos acontecimentos e a crise política que se instalou em Portugal vieram demonstrar que para alguns, o interesse nacional deve submeter-se a estratégias políticas o que, para um país como Portugal e tendo em conta as suas fragilidades, tem, naturalmente, consequências muito significativas.

Na verdade, o cidadão comum não percebe que o tal acordo político “mal ou bem” citado como exemplar possa ceder a estratégias político-partidárias precisamente no momento em que o país tanto necessitava de estabilidade, estando a tentar sair de uma crise sanitária, que teve consequências graves para a economia e para a sociedade. Por outro lado, não nos podemos esquecer que o país deve estar empenhado na concretização da tarefa essencial da boa aplicação dos fundos europeus que chegarão a Portugal através do Plano de Recuperação e Resiliência.

A chamada “geringonça” fica assim associada como sendo uma novidade de governação do país, mas infelizmente para os portugueses e para as portuguesas fica também associada ao primeiro chumbo de um Orçamento do Estado com consequências graves para o futuro de Portugal.

É interessante verificar que desde o chumbo do Orçamento os partidos que integravam a famosa “aliança parlamentar” dividem as suas intervenções entre momentos de vitimização ou então, de momentos de passa culpas, o que configura uma enorme irresponsabilidade política e uma evidente insensibilidade quanto ao futuro do nosso país.

Para quem reside no estrangeiro, a crise política em Portugal não é uma boa notícia. Para estes portugueses é importante que o país transmita uma imagem de estabilidade e que manifeste a capacidade de cumprir compromissos e de realizar as reformas necessárias para o seu desenvolvimento.

Ora, desencadear um processo de eleições antecipadas não vai ao encontro destes propósitos que considero essencial para o país.

Acresce, que estes 6 anos de “geringonça” para os portugueses que residem no estrangeiro foram também anos associados à degradação dos serviços consulares e à falta de uma visão estratégica para as comunidades portuguesas, uma área fundamental para a nossa política externa.

Convém lembrar, que setores fundamentais da área das Comunidades portuguesas como o associativismo, os jovens, os luso-eleitos, o verdadeiro tecido empresarial, são setores que infelizmente não mereceram a atenção do Governo e daqueles que o apoiaram durante os últimos 6 anos.

Chegados aqui, vamos ter mais um ato eleitoral depois do país ter tido já em 2021, as eleições para o Presidente da República em janeiro e há menos de 2 meses as eleições autárquicas.

O portugueses e as portuguesas face a tudo isto têm sérias dificuldades em aceitar que a tática política supere o interesse nacional.

Esperemos que as eleições legislativas antecipadas viabilizem uma solução de governabilidade para Portugal e que permitam o regresso da área das Comunidades portuguesas às prioridades políticas de um país que não deve ter qualquer preconceito em se reconhecer como repartido pelo mundo.

 

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