A professora e diretora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Ana Cristina Freire, foi distinguida com o Prix Franco‑Portugais 2026, um dos mais relevantes prémios atribuídos pela Société Chimique de France, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Química. A distinção reconhece o impacto internacional do trabalho que a investigadora tem desenvolvido no design e fabrico de nanomateriais inorgânicos funcionais, aplicados em sensores, eletrocatálise e fotocatálise, áreas que hoje se encontram no centro das soluções tecnológicas para a sustentabilidade, a energia e a monitorização ambiental.
O prémio, atribuído alternadamente a investigadores portugueses e franceses, distingue não apenas a excelência científica, mas também o contributo para o reforço das relações bilaterais entre os dois países. No caso de Ana Cristina Freire, a Société Chimique de France sublinha a qualidade da investigação e a colaboração continuada com equipas francesas, um eixo que tem marcado o seu percurso académico e que corresponde plenamente ao espírito deste galardão. Como vencedora, a diretora da FCUP realizará um ciclo de conferências em pelo menos três cidades francesas, promovendo novas parcerias e aprofundando a cooperação científica franco‑portuguesa.

Com esta distinção, Ana Cristina Freire torna‑se a quinta portuguesa a receber o prémio, sucedendo a Armando Pombeiro (2018), João Rocha (2020), José Nuno Lopes (2022) e Filipa Ribeiro (2024). A continuidade desta presença portuguesa demonstra a vitalidade da investigação nacional na área da química e o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido em Portugal.
Diretora da FCUP desde 2019, e reeleita em 2023, Ana Cristina Freire integra o Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) – REQUIMTE, onde lidera o grupo “Catalysis, Functional and Smart Materials”. A sua investigação abrange a química de materiais, nanotecnologia, catálise, sensores químicos, energia e têxteis funcionais.
É membro da Academia Europeia das Ciências (EURASC) desde 2020 e, desde 2023, sócia correspondente da Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa, distinções que reforçam o reconhecimento da sua reputação científica.
Ao longo da carreira, esteve envolvida em múltiplos projetos nacionais e internacionais de I&D, colaborou com empresas e centros tecnológicos e fundou a spin‑off Innovcat, Ldt, dedicada ao desenvolvimento de materiais catalíticos inovadores. O seu percurso inclui ainda responsabilidades de gestão universitária, como a direção do Departamento de Química e Bioquímica entre 2016 e 2019.
A atribuição do Prix Franco‑Portugais 2026 confirma a relevância internacional da investigação portuguesa na área da química e destaca uma carreira marcada pela inovação, pela cooperação científica e pela capacidade de transformar conhecimento avançado em aplicações com impacto real.






