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Há 8 anos que David Alves se bate para que sejam abertas aulas de português em Saint Gratien (95), no Departamento do Val d’Oise. Há 8 anos que diz que envia cartas registadas, mails e telefonemas para a Embaixada, para o Consulado e para a Coordenação de ensino de português em França, sem conseguir chegar aos seus objetivos.

“Comecei quando o meu filho estava no CP, agora tem 14 anos, continuei a tentar para o meu segundo filho, que está agora em CM2, acaba este ano a escola primária, mas nunca puseram aqui um professor de português” diz David Alves, empresário em França e também com investimentos em Portugal, Administrador da Câmara de comércio e indústria franco-português (CCIFP). “Mesmo se já não é para os meus filhos, não vou desistir, quero que haja aulas de português em Saint Gratien”.

David Alves facultou ao LusoJornal a última troca de mails que teve com a Coordenação de ensino de português em França.

A Coordenação confirma que “em Saint Gratien há um pedido de criação EILE na escola Dagneux, da parte da Inspection Académique do Val d’Oise (95) com 35 respostas positivas dos pais em 2019/20”. Ora, habitualmente, a Coordenação diz que são necessários 15 alunos para abrir uma aula de português. Neste caso, confirma que há 35 pedidos só para uma das escolas de Saint Gratien, mas David Alves garante que nas outras escolas da cidade há mais alunos que querem aprender português.

Mário Macho, o funcionário da Coordenação que responde a David Alves explica que “compreenda que é impossível para o Governo português por à disposição um professor de português em cada escola onde há alguns alunos de português” só que David Alves não compreende porque não responde a este pedido onde há… 35 inscrições!

A Coordenação de ensino vai mais longe, explica a David Alves que na cidade vizinha de Sannois tem uma aula de português que só tem 13 alunos, “mas pode ir até 24” e por conseguinte, propõe que os alunos de Saint Gratien passem a ir às aulas de português… a Sannois. Esta sugestão enerva David Alves: “então se nós temos aqui 35 alunos, porque razão temos de ir levar os nossos filhos a uma escola numa outra cidade?”.

Mário Macho insiste que as aulas EILE [Ensino Internacional de Língua Estrangeira] são organizados fora do tempo escolar, precisamente para poder reagrupar alunos de várias escolas, para ter grupos mínimos de 15 alunos, e explica que “estes reagrupamentos são feitos pela parte francesa e não por nós”.

David Alves acabou por inscrever os filhos nas aulas de português de uma associação em Soissy-sous-Montmorency e não compreende as decisões da Coordenação de ensino.

“A decisão de ter uma aula EILE numa ou noutra escola, não nos pertence. É a Inspeção Académica, em colaboração com os IEN (Inspecteurs de l’Education nationale) que decidem. Nós apenas somos responsáveis pela atribuição do professor, e do horário e dia da semana disponível no seu horário” responde a Coordenação.

“Não compreendo as instituições portuguesas, sobretudo depois desta vaga de comunicação e de insistência, pedindo aos pais que inscrevam os filhos nas aulas de português” afirma David Alves que lamenta que a maioria dos pais já tivesse baixado os braços. “Mas eu não desisto sem conseguir esta aula, tanto mais que o Maire da cidade, meu amigo, apoia esta abertura de aulas de português em Saint Gratien, assim como a representante dos pais que também é portuguesa”.

David Alves pode considerar-se privilegiado por ter tido um contacto direto com a Coordenação do ensino de português em França. Na maior parte dos casos, os pais preenchem os formulários que as escolas lhes submetem, e depois nunca recebem nenhum resposta, nem positiva, nem negativa. “Não há nada pior do que ficar nesta espera, durante anos”.

É difícil compreender que neste contexto em que tanto se culpabiliza os pais por não inscreverem os filhos nas aulas de português, afinal há milhares de alunos em todo o país que querem aprender português mas… não têm essa possibilidade.

 

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