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A área consular de Marseille é certamente a mais atípica de França. Para além de ser geograficamente bastante grande e incluir a ilha da Córsega, o Consulado Geral está na cidade onde a Comunidade portuguesa é menos densa.

Maria João Boavida, a Cônsul Geral de Portugal, diz que tem 128.000 inscritos no Posto e confirma que a Comunidade está bastante dispersa. “Se for passear em Nice, na Promenade des Anglais, vai ouvir certamente falar em português, mas há outras cidades onde também há uma concentração maior de Portugueses do que em Marseille, como é o caso de Montpellier, por exemplo”.

“Estamos aqui por razões históricas e marítimas” explica ao LusoJornal. “Marseille também é o centro político da região PACA” e por isso seria difícil escolher outra cidade para instalar a representação portuguesa.

Só na Córsega residem cerca de 25.000 Portugueses. Maria João Boavida já visitou a ilha para se encontrar com as autoridades locais. “É um número bastante importante e curiosamente são a maior população estrangeira na ilha, o que já não acontece em outras regiões aqui no sul da França”. Estão concentrados essencialmente em Ajaccio, Porto Vecchio e Bastia. “É uma Comunidade bastante ativa e eu tive a oportunidade de conhecer algumas associações. Estive numa em Ajaccio e noutra em Corte, no centro da ilha”.

O Consulado Geral de Portugal em Marseille tem quatro Consulados Honorários, dois “clássicos”, em Montpellier e no Mónaco, e dois com poderes alargados e serviço de atendimento consular, em Nice e precisamente em Ajaccio.

“O Consulado está com dificuldades de recursos humanos. Neste momento devemos ser um dos postos com maior carência de recursos humanos” confirma ao LusoJornal a Cônsul Geral. Até porque tem de ter um funcionário em Ajaccio, outro em Nice e apenas tem 6 funcionários no Posto consular. Nestas condições de pandemia de Covid-19 e com a redução de pessoal, o tempo de espera para uma marcação no serviço de renovação do Cartão do cidadão é de cerca de 2 meses. “É verdade que houve a decisão do Governo de promulgar a validade dos documentos, mas ainda estamos a tentar recuperar do facto de termos estado encerrados ao público durante 3 meses” argumenta Maria João Boavida. “Não estivemos fechados de todo, foi aliás um período bastante difícil porque, como sabe, havia muitos Portugueses que se encontraram sem emprego e tinham de regressar a Portugal, não havia transportes, tivemos aqui também casos de Portugueses que chegaram de barco de cruzeiro… foi um período bastante complicado, bastante difícil, apesar de estarmos fechados ao público. Aqui, dentro de portas, houve muitas chamadas, muitas comunicações de pessoas aflitas, com perguntas sobre viagens de cá para lá e de lá para cá”.

O Consulado Geral atende cerca de 60 pessoas por dia e quando esteve 3 meses sem atendimento, o atraso foi, evidentemente, acumulando. Agora é difícil ir mais depressa porque entre cada utente atendido é necessário desinfetar os aparelhos. “Estamos a atender menos pessoas por causa disso, mas queremos garantir que as medidas de distanciamento social são mantidas na nossa sala de espera”.

A interrupção das Permanências consulares também agravou a situação no Consulado português. Montpellier e Valence já tinham Permanências há muito tempo. Maria João Boavida acrescentou Gap e estava em negociações com Nîmes e Beausoleil.

Beausoleil é uma cidade limítrofe com Mónaco. No Mónaco há uma Cônsul Honorária, mas, pelas Leis do país, não é possível ter uma Permanência no Mónaco a atender Portugueses que residem fora do Principado. Por isso, Maria João Boavida optou por uma Permanência em Beausoleil que possa acolher também os cerca de 200 Portugueses que residem no Mónaco. “Estava tudo a encaminhar-se muito bem, temos vários autarcas de origem portuguesa em Beausoleil, mas esta pandemia veio estragar os nossos planos. Já tínhamos um local para fazer a Permanência consular lá, o que aliviaria também a pressão no Consulado honorário de Nice. Infelizmente, os nossos planos estão suspensos” lamenta a Cônsul Geral numa entrevista ao LusoJornal.

Por enquanto, Maria João Boavida não tem previsão para a retoma das Permanências consulares. “Tanto eu como os meus colegas queremos retomar o mais rápido possível, porque é um serviço prestado ao utente e as pessoas apreciam”, mas já só aponta para o segundo semestre de 2021. “E se não for em 2021, que seja em 2022”. Mas deixa um alerta: “sem reforço de pessoal no Consulado, não conseguimos fazer mais Permanências consulares”.

Maria João Boavida tem uma lista com cerca de 80 associações portuguesas na região, mesmo se considera que algumas delas não estão ativas. “São associações bastante tradicionais, de cariz cultural e com grupos folclóricos”. Desde que chegou a Marseille, começou por estabelecer contactos com a associação de Cassis e de Gap, mas até estes encontros tiveram de ser suspensos por causa da pandemia. “Conseguimos arrancar com Permanências consulares em Gap por intermédio da associação portuguesa local, que foi o nosso mediador e ajudou-nos a contactar com a Mairie”.

Maria João Boavida está preocupada porque há uma boa proposta de ensino português em três Universidades da região – Aix-en-Provence, Nice e Montpellier – mas falta ensino da língua portuguesa a partir do primário. O facto da Comunidade estar muito dispersa, não é fácil colocar professores de português na região. “Eu encontrei a professora de português em Montpellier e ela dizia-me que percorre centenas de quilómetros para poder ir dar aulas em várias escolas. Aqui há muitos centros urbanos com núcleos de Portugueses, mas não há grandes núcleos de Portugueses”.

 

Veja a entrevista completa AQUI.

 

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