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A Diretora da Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Universitária Internacional de Paris, Ana Paixão, diz que vai tentar recuperar quase todos os eventos culturais que têm sido anulados, embora reconheça que alguns já não possam ter lugar.

Ana Paixão, que também é professora Universitária, integra a equipa de Administração da Cidade Universitária e trabalha no plano de contingência para os cerca de 6.000 residentes do campus.

 

Como está a passar este período?

A trabalhar de forma muito intensa. A Administração da cidade universitária, da qual faço parte, definiu primeiramente um plano de prevenção desde o final de fevereiro e, no início de março, começámos a trabalhar num plano de contingência que abrangesse os 6.000 residentes do campus. O plano de prevenção insiste na responsabilização de cada residente para que respeite o confinamento, as distâncias e os gestos barreira, e o plano de contingência prevê consultas médicas, alimentação dos residentes doentes e toda a logística de acompanhamento. Felizmente tem tido resultados positivos e temos em média cerca de 10 pessoas sintomáticas que ficam em quarentena de acordo com as preconizações médicas. Paralelamente continuo a dar aulas à distância aos meus alunos da Universidade de Paris 8, a planear avaliações e trabalhos de fim de semestre.

 

A Casa de Portugal continua a funcionar?

A Casa de Portugal funciona sempre, 365 dias no ano, e, nesta fase, estamos mais do que nunca presentes para os nossos residentes. Neste momento temos um confinamento diferente, com 136 pessoas! As medidas de segurança são as globais do campus: a responsabilização dos residentes para se manterem confinados, conservarem as distâncias de segurança e praticarem os gestos barreira. Fechámos espaços coletivos, e a utilização das oito cozinhas coletivas obedece agora a um planeamento para não serem partilhadas por mais de 2 residentes. Exige alguma organização, mas é possível quando todos estamos empenhados. Fizemos ainda contratos ao nível do campus para alimentar os eventuais doentes, sem que tenham de utilizar as cozinhas comuns, assim como um sistema de diagnóstico e acompanhamento médico por videoconsulta. Temos ainda um plano de animação com atividades coletivas feitas por videoconferência, como ginástica, ioga, concursos de fotografia e dança, jogos de sociedade e música.

 

A programação da Casa de Portugal foi anulada. Há eventos que vai ainda recuperar para mais tarde?

Vamos tentar recuperar todos os eventos, assim que for possível, embora nem todos possam ser transferidos para outra data, como a Universidade da Paz, que estava programada para o mês de março, o concerto comemorativo do 25 de abril, ou ainda a Noite Europeia dos Museus, em maio. Com a Cátedra Lindley Cintra da Universidade de Paris Nanterre, que é parceira de toda a programação, estamos a tentar encontrar soluções para manter a programação nos meses que se seguem, recuperando a maior parte dos eventos que não se realizaram.

 

Está preocupada com a situação atual de pandemia?

Na Cidade universitária, não estou. Em primeiro lugar, porque a grande maioria dos nossos residentes não faz parte do grupo de risco e porque temos um plano de prevenção e de ação que até agora está a mostrar bons resultados. Estou preocupada com a pandemia em termos globais, sobretudo com a falta de responsabilidade da maior parte dos líderes políticos do nosso tempo, que agiu e continua a agir de forma tardia ou errada, e com as dificuldades sérias que os hospitais e todo o pessoal médico estão a enfrentar neste momento com poucos meios materiais e humanos. Preocupam-me os grupos de risco, em especial os mais idosos, tantas vezes isolados ou fragilizados em comunidades com grandes riscos de contágio.

 

Quando esta situação estiver ultrapassada, o que espera do ‘novo mundo’?

Espero um mundo com líderes empenhados nas pessoas, e com uma visão que ultrapasse a das urnas de voto. Percebemos que uma pandemia pode começar num ponto e, em menos de 3 meses, contornar o globo. O novo mundo precisa assim de ser mais inclusivo, solidário e atento em ações concretas dentro dos países e entre estados. Precisamos de uma nova Europa, que repense as suas missões. No plano individual, compreendemos também que há serviços, reuniões e eventos que podem funcionar por videoconferência, em vez de corrermos de forma desmedida e fazermos viagens desnecessárias. Ao mesmo tempo, depois deste confinamento, passaremos a valorizar mais o contacto e a presença. Depois da responsabilização individual que esta pandemia tem exigido, tomamos consciência de que o nosso papel pode fazer a diferença num mundo global. Temos de trabalhar cada vez mais nas nossas comunidades pela mudança social, cultural, política ou educativa com o objetivo de enfrentarmos um desafio ainda maior do que aquele que temos agora: o das alterações climáticas.

 

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