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O Deputado socialista eleito pelo círculo eleitoral da Europa Paulo Pisco disse ao LusoJornal que o Parlamento português continua a funcionar e que “continua a haver um rumo no país”.

Paulo Pisco é Coordenador dos Deputados socialistas na Comissão de Negócios estrangeiros e Comunidades portuguesas e por isso, vai ocasionalmente à Assembleia da República, mas trabalha essencialmente a partir de casa.

 

Como está a passar este período?

Estou em casa, confinado, e a trabalhar, noutro contexto, mas a trabalhar e atento ao que se passa. É importante que as instituições não parem e é importante que sejam respeitadas as regras sanitárias e de confinamento social. Sair de casa com o crescente aumento das contaminações é perigoso, para nós e para os outros. Exige-se de todos nós um grande sentido de responsabilidade e uma grande disciplina pessoal para respeitar todas as regras sanitárias. O Parlamento tem de estar presente, não apenas para que a democracia se mantenha a funcionar, mas também para que os Portugueses sintam que os decisores políticos estão a fazer o seu trabalho, que continua a haver um rumo no país.

 

E como trabalha o Parlamento neste período?

Os Deputados continuam a trabalhar depois da declaração do estado de emergência, com o Plenário a funcionar apenas com um quinto dos eleitos. Por ser Coordenador dos Deputados do PS na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, todas as semanas tenho participado numa reunião plenária fisicamente. Fizemos já quatro reuniões plenárias: uma para aprovar a declaração do estado de emergência e outra para o prolongar, um debate quinzenal com o Primeiro-Ministro António Costa, e um Plenário dia 8 de março para discutir e votar várias dezenas de iniciativas legislativas relacionadas com a resposta ao combate ao Covid-19 em termos económicos, sociais e sanitários, essencialmente. Mas a maioria das reuniões é feita via Skype. Semanalmente participo numa reunião de Coordenadores das Comissões parlamentares com a Direção do Grupo parlamentar, uma reunião de todo o Grupo parlamentar com a Direção para debater e analisar a situação e uma reunião com os Deputados do PS na Comissão dos Negócios estrangeiros e Comunidades portuguesas para analisar a situação da política externa no contexto da pandemia e acompanhar a situação das Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. No final das nossas reuniões dos Deputados do PS da Comissão dos Negócios Estrangeiros produzimos um comunicado que enviamos para a imprensa, que alguns órgãos publicam e outros infelizmente não, o que é pena, porque creio que é importante que as pessoas saibam que os Deputados continuam ativos. Tranquiliza as pessoas. Faço ainda outras reuniões via Skype e falo muito com Portugueses espalhados pelo mundo. Criámos também um grupo de whatsapp com militantes e simpatizantes do PS nas Comunidades para trocarmos impressões sobre a situação dos Portugueses.

 

Está preocupado com a situação atual de pandemia?

Estou muito preocupado com a pandemia. E todos devemos estar muito preocupados. Já todos percebemos como este vírus é muito perigoso, ainda por cima porque, mesmo passado todo este tempo, ainda permanece relativamente desconhecido. Tem uma grande velocidade de propagação e de contágio e tem estado tudo a acontecer com uma velocidade tão grande que nenhum país está devidamente preparado para o combater. Ainda não existem as terapêuticas adequadas nem uma vacina. O mundo precisa de ganhar tempo para descobrir como funciona o vírus, os medicamentos a utilizar para tratar os doentes e a vacina para o neutralizar. Este vírus já infetou perto de um milhão e meio de pessoas e já matou mais de 80 mil pessoas (até 7 abril) em quase todos os países do mundo. Este vírus não conhece fronteiras, nem parentescos, nem classes sociais. É perigosíssimo e traiçoeiro. Todos temos de estar alerta, todos temos uma responsabilidade individual em dar o nosso contributo para parar a cadeia de transmissão do vírus. Ficar em casa é fundamental.

 

Quando esta situação estiver ultrapassada o que espero do “novo mundo”?

Espero que tenhamos aprendido muitas coisas. Que cuidemos melhor de nós e consideremos mais os outros, independentemente da sua origem ou condição social, que sejamos mais solidários e menos egoístas, que sejamos menos mesquinhos e quezilentos, que saibamos valorizar aquilo que é realmente essencial, que valorizemos mais os valores éticos e a moral, que os partidos sejam mais cooperativos e menos arrogantes, que se reconsidere melhor as prioridades para o mundo, que sejamos mais ativos na salvação do planeta, que haja mais paz e menos conflitos como pediu o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, que se combata com mais determinação a pobreza, as injustiça e as desigualdades, que o capitalismo deixe de ser selvagem, que as democracias, o Estado de Direito e os Direitos Humanos sejam mais respeitados, que terminem as ditaduras e a falta de liberdades, que haja menos egoísmos nacionais e mais colaboração internacional e multilateralismo, para que as Nações Unidas e todas as suas agência como a Organização Mundial de Saúde, o Alto Comissariado para os Refugiados e a Organização para a Alimentação e Agricultura, entre outras, tenham um poder de intervenção infinitamente maior para que tenhamos um mundo muito melhor do que aquele que temos tido até aqui.

 

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