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Joana Neto, antiga internacional portuguesa de Voleibol Indoor e de Voleibol de Praia, representou tanto a Seleção Nacional de Seniores como vários clubes de primeiro plano, o último dos quais o Leixões SC.

Em 2010, e formando uma promissora dupla de Voleibol de Praia com Mariana Filipe Alexandre, também ela atleta do Centro de Alto Rendimento de Voleibol de Praia da FPV, Joana Neto foi Vice-Campeã europeia, alcançando a Medalha de prata no Europeu de Sub-18 disputado no Porto.

Hoje, Joana Neto trabalha como médica dentista em França, habitando na localidade de Saint Prix (95).

 

Estando relativamente próxima de Paris, como está a viver a crise sanitária?

Neste momento encontro-me por casa. Já não trabalho desde o dia 16 de março, dia em que foi declarado o estado de emergência em França. A situação é assustadora e preocupante. Só podemos sair de casa com uma declaração assinada, com a hora de saída, ou estamos sujeitos ao pagamento de uma multa. Mas mantemos a calma, na esperança de que rapidamente possamos voltar ao normal.

 

Como é que a pandemia afetou o seu dia-a-dia e a relação médica dentista-paciente?

Afetou muito, ao ponto de ter de deixar de trabalhar. Todas as clínicas dentárias tiveram ordem para fechar, apenas os casos urgentes, sujeitos a uma rigorosa triagem (por telefone) são atendidos, mas nem isso até agora pudemos assegurar, uma vez que não há material de proteção. Sendo que na minha profissão trabalho diretamente na boca do paciente, há um perigo enorme de transmissão através dos aerossóis gerados durante os tratamentos, que ficam no ar e nas superfícies. Por outro lado, eu que estava habituada a atender pacientes das 9h00 às 19h00, 5 dias por semana, passei ao nada e estou em casa todo o dia, até esta relação médico-paciente faz falta. Mas mantenho contacto com os pacientes, muitos com tratamentos inacabados, e estou ansiosa por voltar ao trabalho.

 

O que pensa da forma como Portugal está a lidar com a pandemia, tanto a nível desportivo como social?

Mantenho contacto com a família e com muitos amigos que o Voleibol me deu. E indiretamente, através das redes sociais, fico a par de tudo. Penso que muita gente em Portugal ainda não percebeu a gravidade da situação, assim como aqui. Começámos tarde a implementar medidas de prevenção e, mesmo em estado de emergência, pecamos quando é necessário respeitar as recomendações de confinamento e distanciamento social. Não podemos pensar só em nós, é de louvar o esforço, foco e determinação de todos os profissionais de saúde. Ficar em casa, neste momento, significa salvar vidas. A nível desportivo, parabéns à Federação pela suspensão de todos os jogos. Tenho apreciado uma onda de partilha de treinos em casa por parte de antigas colegas de equipa e treinadores que rapidamente se espalhou a outras pessoas, mesmo não desportistas. Neste momento, é absolutamente essencial manter o corpo ativo e a mente desperta.

 

Como vê o futuro mais próximo? Com alguma confiança?

Esta pergunta dá que pensar. Obviamente, quero manter um pensamento positivo, mas esta situação deixa-me com um nó na garganta. Está a ser difícil para tantos. Neste momento, tenho colegas de trabalho com familiares que perderam a vida para a doença Covid-19. É duro, mas acredito que vamos sair desta, mais humanos e mais humildes.

 

Agradecimento à FPV

 

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