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Jorge Mendes Constante, Advogado em Marseille e Delegado da Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP) na região PACA, considera que a resposta francesa à crise provocada pela pandemia de Covid-19 “foi eficaz na ajuda às empresas” e que a França aprendeu com os erros na gestão da crise de 2008.

“Eu penso que foi importante e foi rápida a ajuda francesa às empresas, com a implementação rápida do dispositivo de ‘chomage partiel’ e de empréstimo às empresas” disse numa entrevista ao LusoJornal. “Muito sinceramente eu não sei o que poderia ser feito mais rapidamente, numa situação tão incrível como esta. Nós sabemos que o custo da mão de obra estava assegurado, já era 50% da solução do problema, e com um empréstimo bancário o problema resolveu-se”.

A maior parte das cerca de 13.000 empresas da região PACA criadas e dirigidas por portugueses ou lusodescendentes trabalha, segundo Jorge Mendes Constante, no setor da construção civil. E neste setor, as primeiras semanas de confinamento foram muito difíceis. “No mês de março a construção civil estava totalmente perdida, a mensagem não era clara, sabíamos que havia o dispositivo do ‘chomage partiel’, mas foi uma barafunda, foi uma confusão terrível durante 3 semanas ou um mês” disse o Advogado. “Depois, no mês de abril as empresas começaram a trabalhar, mas ainda hoje há grandes dificuldades, tudo o que não foi faturado é uma perda, e não se pode voltar atrás”.

Mas Jorge Mendes Constante acrescenta também que “claro que há muito trabalho atualmente nessas empresas, mas elas vão ter que pagar os empréstimos que contraíram e estão numa situação de fragilidade”.

Outro dos problemas das empresas da região no setor da construção civil é o da subcontratação. Há muitas empresas portuguesas que trabalham em França e em particular nesta região. “Essas empresas foram embora porque não havia mais possibilidade de destacamento de trabalhadores. O destacamento só voltou a ser possível no mês de junho e só estão praticamente agora a recomeçar” explica Jorge Mendes Constante. “Esses portugueses não tiveram direito ao dispositivo francês que ajuda às empresas francesas. Essas empresas tiveram que assumir o problema desta paragem brutal que durou de março até setembro”.

Outra área onde há muitas empresas de portugueses na região PACA é a do turismo e da restauração “que foram terrivelmente impactadas pela pandemia”.

Interrogado sobre a resposta do Governo português à crise económica subjacente à pandemia de Covid-19, Jorge Mendes Constante confessa que tem a informação que “em Portugal a resposta foi dada, mas com um tempo de reação maior. Também há o dispositivo de preservação do emprego, mas o empréstimo foi mais difícil. Eu penso que a resposta foi mais atrasada, mas mesmo assim, as consequências em Portugal também parecem estarem limitadas, o que quer dizer que o Estado também soube responder a esta crise”.

 

Dinamizar a Delegação regional da Câmara de comércio

A Delegação da Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP) foi criada há 5 anos. O primeiro Delegado regional foi Joaquim Pires, um empresário com base em Sainte Maxime, que agora também é Cônsul Honorário de Portugal em Nice, e que depois deixou as funções de Delegado da CCIFP para a região PACA a Jorge Mendes Constante.

A Delegação tem hoje uma centena de membros. “Temos três concentrações de empresários em toda esta região: uma em Marseille, outra em Sainte Maxime e a terceira em Beausoleil, Nice e Cannes” explica Jorge Mendes Constante. “O objetivo é aumentar o número de membros e ter um representante por cidade, por exemplo em Montpellier, Nice ou Beausoleil”.

Todos os anos, esta Delegação organiza a Gala de Verão da Câmara de comércio. O objetivo é juntar empresários da região, mas também de outras regiões, durante três dias, em Sainte Maxime, para se encontrarem, para se conhecerem melhor e eventualmente para trabalharem juntos. “Umas vezes mais, outras vezes menos” alguns Administradores da CCIFP deslocam-se da região parisiense, representantes dos bancos portugueses e até personalidades públicas. “É um momento importante que nos permite passar tempo juntos para conversar. É um momento importante para a nossa região, já cá vieram membros do Governo, Deputados, o Embaixador…” confirmou ao LusoJornal.

Outra das ações da Delegação é a organização mensal de sessões de formação e de informação sobre áreas técnicas, seguros na construção, questões notariais, aspetos jurídicos e fiscais, destacamento de empregados, sempre seguidas de um momento de convívio.

Para estas formações, a Delegação da CCIFP recorre a competências internas ou então a intervenientes convidados. “Desde março que tudo isto está parado” lembra o Delegado da CCIFP, esperando voltar às formações no próximo ano.

 

Ajudar quem mais necessita

Jorge Mendes Constante dirige um Gabinete de advogados em Marseille há 18 anos. Mudou de instalações antes do confinamento e está agora no Hôtel Grawitz, 23 rue Stanislas Torrents, em Marseille 6.

A MCL Avocats trabalha essencialmente no Direito das empresas e tem 10 advogados, “e duas assistentes jurídicas lusófonas” acrescenta Jorge Mendes Constante. “Sensivelmente metade da nossa clientela é portuguesa ou de origem portuguesa” explica numa entrevista ao LusoJornal.

Quando Jorge Mendes Constante recebeu as insígnias de Comendador da Ordem de Mérito que lhe foram atribuídas pelo Presidente da República, foi lembrado que o Advogado presta apoio jurídico a compatriotas que necessitam. “São histórias de vida que acabam mal e eu tento dar o apoio jurídico até ao fim, até eles regressarem para junto da família, em Portugal. São acidentes da vida, por exemplo uma pessoa que vem de Portugal, tem um acidente de carro, matou alguém, acaba por fugir… Fez uma asneira terrível e encontra-se aqui isolado, sozinho, sem ninguém, durante 3 ou 4 anos de cadeia. São situações complicadas porque ninguém o vai ver, ninguém lhe dá apoio e nós tentamos” mas acrescenta que “eu não estou sozinho, o Vice-Cônsul também vai comigo muitas vezes apoiar essas pessoas”.

E são vários os casos na região. “Onde há riqueza também há pobreza. Nós temos aqui alguns crimes cometidos por Portugueses. O álcool também ajuda e há pessoas que ficam aqui numa situação trágica”.

 

 

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