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Octávio Espírito Santo trabalha no cinema, é Diretor de fotografia, com participação em muitos filmes. Regressado de Portugal há pouco tempo, depois da morte do pai, está agora em casa, confinado por causa do Coronavírus, mas nem por isso deixa de refletir no futuro… num futuro mais justo.

 

Como está a passar este período?

Estou em casa, em Paris, depois de dois meses a gerir problemas familiares em Portugal e que continuo a tentar fazer através das novas tecnologias, que frequentemente não funcionam (mesmo em Paris), como o sistema apregoa… Estou sem trabalho porque, como sabe, sou intermitente do espetáculo e quando se está longe dos olhos, longe do coração!… Logo, encontro-me no desemprego. Em França perdi os direitos e agora com o Corona vamos ver se as promessas do nosso Emmanuel se concretizam…

 

Está preocupado com a situação atual de pandemia?

Este período estou a passá-lo evidentemente com preocupações, como todos os cidadãos deste mundo. Particularmente em relação ao futuro. Estas medidas de exceção, necessárias, foram postas em prática, quanto a mim, de uma forma irresponsável e em desordem (pelos diversos Governos do planeta). Estou preocupado com o caminho que a Democracia vai tomar se o povo continuar a se deixar manipular pelo capitalismo neoliberal (financeiro) no poder em quase todo o planeta.

 

Quando esta situação estiver ultrapassada, o que espera do ‘novo mundo’?

Quando o Corona estiver controlado – e não nós! – espero que hajam vacinas para todos, hospitais, maternidades, camas de hospital e materiais suficientes, segurança social, educação para todos… enfim, serviços públicos fortes, empresas fundamentais nacionalizadas ou com grande participação gestionária por parte do Estado que é a única solução para evitar a precaridade, manter uma certa igualdade de oportunidades e defender particularmente os mais desfavorecidos. Tendo em conta o respeito por todas as opiniões públicas, organizações políticas, laborais, associações, municípios, eleições… enfim tudo o que permite a liberdade e a decisão popular. No caso da França, gostaria de ver uma Constituinte que prepare uma 6ª República com eleições à proporcional e com um Parlamento a escolher Governos, penso que seria mais ajustado para a democracia tão falada (género portuguesa) pois quanto a mim, a 5ª República já deu o que tinha a dar, nomeadamente coisas aberrantes como o Rei Republicano.

 

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