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A Associação Cultures en Dialogues organizou, na quinta-feira da semana passada, um debate sobre Fernando Pessoa nos salões nobres da Mairie de Paris 7, intitulado “Pessoa, l’avant-garde intranquile”.

Marie-Adeline Tavares, a Presidente da associação, convidou Régis Salado, professor de literatura comparada na Universidade Paris Diderot e Marie-Hélène Piwnik, professora de português nas Universidades de Bordeaux e de Paris-Sorbonne, tradutora, nomeadamente da obra de Mário de Carvalho. A moderação do encontro foi confiada ao jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal.

A Maire de Paris 7, Rachida Dati, patrocinou o evento, e o Maire Adjoint com o pelouro da vida associativa e da juventude, Christophe Poisson, deu as boas vindas ao público, destacando a importância de Fernando Pessoa na literatura mundial.

Para além da apresentação de Fernando Pessoa e da sua obra, dos heterónimos e da relação com Ofélia…, foi posta em destaque a última tradução para francês do Livro do desassossego, coordenado por Teresa Rita Lopes e traduzido precisamente por Marie-Hélène Piwnik.

A obra tem gerado polémica, sobretudo pela inclusão do manuscrito do Livro do Barão de Teive, “que foi encontrado num envelope que dizia DS, onde estavam outros textos do Livro do desassossego” explicou Régis Salado. Teresa Rita Lopes considerou que este texto devia estar no Livro do desassossego e integrou-o nesta versão, o que não era o caso nas versões anteriores. Para Régis Salado, este texto é bastante diferente dos outros textos do livro e por isso não devia ter lugar nesta obra. “Há debate” confessou.

O livro, com o nome de «Livre(s) de l’inquiétude» e não «Livre de l’intranquilité» como era o caso até aqui, foi traduzido por Marie-Hélène Piwnik para as Editions Christian Bourgois.

Durante o evento os alunos da Secção portuguesa do Liceu Balzac, em Paris, leram extratos do Livro de Vicente Guedes, do Livro do Barão de Teive e do Livro de Bernardo Soares, nas duas línguas, português e francês.

Na sala estavam presentes os Embaixadores de Cabo Verde e de Angola em Paris, respetivamente Hércules Cruz e João Miranda, o Conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris, João Pinharanda, a curadora da Fundação Calouste Gulbenkian Helena Freitas, o filósofo FranklinTavares, entre muitas outras pessoas. Aliás, durante o debate, foram evocadas as influências filosóficas da obra de Fernando Pessoa.

Este foi a segundo debate literário que Marie-Adeline Tavares organizou com a associação Cultures en Dialogues. A primeira teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, em janeiro deste ano, sobre Eugénio Tavares, com a participação de Nicolas Quint e de Teófilo Chantre, também moderado por Carlos Pereira.

 

 

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