Deputado Paulo Pisco quer um Mapeamento “abrangente” das Comunidades Portuguesas

Comunidade

 

O mapeamento das Comunidades portuguesas tem flexibilidade para abranger cidadãos que, não sendo Portugueses de nacionalidade ou lusodescendentes diretos ou próximos, por “estado de alma” se sentem portugueses, assegurou ontem o Deputado socialista Paulo Pisco.

O Deputado falava num colóquio sobre “O que é ser lusodescendente?”, iniciativa organizada pela Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) e pelo Observatório da Emigração, que decorreu ontem no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa.

“Eu acho que a grande vantagem do mapeamento enquanto método de conhecimento de uma determinada realidade é a sua extraordinária flexibilidade”, afirmou Paulo Pisco.

Assim, “se o objeto definido for o dos lusodescendentes de uma determinada origem é esse o objeto que se vai trabalhar”, detalhou.

Segundo Paulo Pisco, o mapeamento das Comunidades portuguesas “é de tal maneira flexível que permite que nada nem ninguém seja deixado de lado”.

“E pode ser feito em função dos objetivos que tivermos, pode ser feito por Governos, pode ser feito num nível maior de proximidade, como por exemplo pelas Embaixadas e pelos Consulados (…) e depois qualquer organização ou instituição pode fazer o mapeamento”, acrescentou.

“A aplicação de método de conhecimento para as Comunidades não tem nenhum limite”, garantiu. Portanto, aqueles que têm “estados de alma” de serem Portugueses, para Paulo Pisco, também se incluem no mapeamento. “É claro que sim, porque os estados de alma revelam um determinado sentimento relativamente à sua origem, neste caso à origem portuguesa, e pode haver comunidades muito diferentes por estarem localizadas geograficamente em pontos opostos”, apontou.

Os Macaenses têm “um sentimento relativamente à sua origem e a sua ligação a Portugal, através da cultura, que não variará muito em relação ao que um descendente de portugueses possa ter nos Estados Unidos”, por exemplo, indicou.

“Acho que há algo de sentimento comum de partilha das origens e das raízes”, frisou o parlamentar socialista, no primeiro painel do colóquio, sobre o “mapeamento das Comunidades” portuguesas.

No encontro também participaram Jorge Rangel, do Instituto Internacional de Macau, e Carlos Piteira, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, que levantaram várias dúvidas em relação à Comunidade macaense e abrangência do conceito de Diáspora e de Comunidades portuguesas.

Para Carlos Piteira, “o mapeamento tem potencialidades e limitações”, porque o que interessa para definir Comunidades portuguesas “é a referência identitária”.

O Presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, realçou que a Comunidade lusodescendente do Oriente existe há cinco séculos, e “com Macau sempre como ponto de partida e de chegada”.

“Quando falamos de Comunidades temos de ter sempre presente esta diáspora específica, com gente que nunca esteve em Portugal mas sentiu-se sempre português”, sublinhou.

Ser macaense na definição deste responsável é “muito mais do que a natureza étnica”, “é um estado de alma”.

Jorge Rangel lembrou também que Macau foi muito útil à China, por ser diferente e para continuar a ser tão útil tem de ser diferente.

Defendendo, por último, que o “mapeamento [das Comunidades portuguesas] só vale a pena fazer contando com as suas associações e as suas diásporas”, concluiu que “é um projeto que tem de ser feito” e, para isso, precisa do apoio do Estado português à sociedade civil.

 

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