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Dino d’Santiago agitou Paris ao som do funaná

O músico Dino d’Santiago atuou na sexta-feira em Paris, uma cidade que considera entender bem o seu “som”, levando portugueses e cabo-verdianos ao rubro com músicas dos trabalhos mais recentes “Mundu Nôbu” e “SOTAVENTO”.

“O ‘SOTAVENTO’ veio fechar o ciclo do “Mundu Nôbu”, agora é um momento de tournée. É ir para a estrada. Estar aqui em Paris é realizar um sonho com este projeto. Porque é uma cidade que vai entender bem este som. Depois temos Londres e ainda temos coisas em Portugal”, disse Dino d’Santiago em declarações à Agência Lusa antes da atuação.

O concerto decorreu na sexta-feira à noite na sala La Maroquinerie, no 20º bairro da capital francesa, e foi seguido da atuação de Branko, antigo integrante do grupo Buraka Som Sistema. Com uma forte presença de portugueses, cabo-verdianos e lusodescendentes, os sons do funaná dominaram a noite a pedido da audiência, algo que Dino d’Santiago já antecipava.

“Nos grandes festivais já há muita gente a cantar crioulo e aqui em França a Mayra [Andrade] teve um papel muito importante a trazer um Cabo Verde moderno e tem uma legião de fãs. A Cesária [Évora] sempre esteve na moda e sempre estará, inspirou o Stromae que canta “Ave Cesária”. Os sons de África estão ainda a expandir as suas características”, indicou o músico nacional com origens cabo-verdianas, que não deixou de prestar homenagem a Cesária Évora ao cantar “Sodade” no meio do público.

Como cantor urbano, que mistura ritmos africanos com batidas contemporâneas, Dino d’Santiago considera que Lisboa tem um papel particular na era da globalização.

“Eu sinto que a diferença entre Lisboa e outras capitais como Paris, Londres ou Nova Iorque é a verdadeira aculturação. Aqui sentem-se muitas culturas, mas não sentes aculturação. Nem é bem segregação, mas há um sítio para cada cultura e não um ‘melting pot’ como existe em Lisboa, onde as pessoas se fundem”, referiu.

E foi esta aculturação que, segundo o cantor, criou um novo som em Lisboa. “Criou um som único, porque numa cidade como Lisboa tens Moçambique, tens Guiné, tens São Tomé, tens Brasil, Goa, Cabo Verde, tudo misturado, e esse é o som de Lisboa que os Buraka [Som Sistema] tão bem conseguiram ver há mais de 10 anos”, afirmou o cantor.

Os Buraka Som Sistema estão presentes no trabalho de Dino d’Santiago como influência musical, mas com uma influência também presencial. Kalafa Epalanga, um dos integrantes do grupo, é o seu manager e continua a ser “uma referência”, e com Branko gravaram o tema “Tudo certo” – música que levou o público ao rubro na La Maroquinerie.

Os concertos de Dino d’Santiago e Branko aconteceram no âmbito do Festival Les Muses Héliconiennes que trouxe também a Paris na última semana Cristina Branco, Blaya e Salvador Sobral.

 

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LusoJornal