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Cultura

 

 

O filme “Les Héritiers de la Bataille de La Lys” realizado pelo jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, vai ser projetado, dia 19 de março, às 16h00, na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade universitária Internacional de Paris, seguindo-se um encontro com o realizador.

O evento é organizado pela Sociedade dos Autores Lusófonos de França (SALF) e vai contar também com apresentação de livros de Altina Ribeiro e de Manuel do Nascimento, assim como com a apresentação do tema musical “Carte Postale de La Lys” de Dan Inger dos Santos, que termina o documentário.

 

Felícia de Assunção, Leonilde Milhões, Raymonde da Silva e Claude Correia são os protagonistas do documentário “Les Héritiers de la Bataille de La Lys” (“Os herdeiros da Batalha de La Lys”), de Carlos Pereira, que quer lutar contra o esquecimento da participação lusa na Primeira Grande Guerra.

O filme estreou a 5 de novembro de 2018, numa projeção na Université Populaire d’Histoire de Pessac (Unipop Histoire), perto de Bordeaux, e resulta de 12 anos de reportagens nas terras francesas onde os portugueses combateram há mais de um século, e em Murça, onde o Soldado Milhões é aclamado como um herói.

“O objetivo é mostrar o filme aos Portugueses de França, para que mostrem aos Franceses que os Portugueses participaram na I Guerra Mundial. Esta relação entre a França e Portugal não é conhecida; é algo que está esquecido e não se percebe muito bem porquê”, explicou à Lusa Carlos Pereira.

No documentário, Raymonde da Silva, que já morreu, conta, por exemplo, que foi Maire de uma terra francesa “por ser a filha do português” que tinha combatido na Grande Guerra, e também recorda como foi buscar a terra natal do pai para a sua campa. “Ela foi à procura da terra do pai, junto a Lamego. Foi lá buscar um saco de terra, trouxe-a e pô-la em cima da campa do pai. Isto é uma coisa que me fez arrepiar, quando fiz esta entrevista. Ela, aliás, até diz que, quando chegou a Portugal, apetecia-lhe beijar a terra como o Papa costuma beijar”, descreveu o também Diretor do jornal luso-francês LusoJornal.

O filme dá, ainda, voz a Claude Correia, que também já morreu e que lutou na II Guerra Mundial, depois de o pai ter estado nas trincheiras da primeira.

Leonilde Milhões, filha do Soldado Milhões, que também já faleceu, conta que “o pai recusou a metralhadora que lhe queriam dar quando regressou a Portugal porque essa ‘menina’ já a tinha aturado muito tempo”. E recorda que ele tinha apenas uma pensão de guerra de 15 escudos, apesar do estatuto de “herói”.

“Ela conta que ele foi pedir para o filho não ir para o serviço militar e perguntaram-lhe se ele não tinha vergonha, ele que andou na guerra. Ele disse que necessitava do filho para trabalhar no campo, porque só tinha 15 escudos por mês”, explicou Carlos Pereira.

O realizador sublinhou que o Soldado Milhões, como a generalidade dos Portugueses que participaram na Primeira Guerra, eram “analfabetos, foram arrancados aos campos, às terras onde estavam, sem saber onde era a França”, algo que é sublinhado no filme pelo historiador Nuno Gomes Garcia.

Outra filha de um soldado luso a intervir no filme é Felícia de Assunção Pailleux, hoje com 96 anos, e que nas últimas quatro décadas tem levado a bandeira de Portugal para as cerimónias anuais no Cemitério militar português de Richebourg e no Monumento aos mortos em La Couture, no norte da França.

“Ela diz no filme que quando ela está ali, o pai está ali com ela, porque aquela bandeira era a bandeira do pai”, continua Carlos Pereira sobre a também porta-estandarte da Liga dos Combatentes, que, foi condecorada em 2018, por ocasião do Centenário da Batalha de La Lys, pelo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa com a Medalha da Defesa Nacional.

Há, ainda, a história de João Marques, que nos últimos 30 anos se tem ocupado do Cemitério de Richebourg, onde estão as campas de 1.831 soldados lusos, e que também foi condecorado, em 2018, nas cerimónias do centenário da Batalha de La Lys, com a Medalha da Defesa Nacional.

Radicado em França há 37 anos, Carlos Pereira começou a trabalhar, em 2005, sobre a participação do Corpo Expedicionário Português (CEP) na Grande Guerra, mas só em 2006 começou a filmar as comemorações anuais da fatídica Batalha de La Lys para reportagens difundidas na RTP e na SIC Internacional.

O jornalista passou a infância no concelho de Murça, a ouvir histórias do Soldado Milhões e apesar de não ter familiares que foram para as trincheiras da Flandres francesa, deixou-se cativar pelo tema, guiado por Afonso Maia, um especialista da Grande Guerra e neto de um soldado do CEP, a quem o filme é dedicado.

“O filme é dedicado à memória do Afonso Maia. Escrevemos o filme juntos inicialmente, e como acabámos por não o fazer – ele morreu há uns anos – este vem substituir aquilo que tínhamos pensado fazer. Aos 50 anos, ele descobriu que o avô tinha andado a combater no sítio onde ele morava”, contou Carlos Pereira sobre o homem a quem Marcelo Rebelo de Sousa também atribuiu, em 2018, a título póstumo, a Medalha da Defesa Nacional.

No documentário, há ainda entrevistas ao historiador e antigo Ministro da Defesa Nuno Severiano Teixeira, ao ex-Ministro da Defesa Azeredo Lopes, ao jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos, ao historiador Georges Viaud, ao Presidente da Liga dos Combatentes e Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, entre muitas outras personalidades.

 

Sábado, 19 de março, 16h00

Casa de Portugal André de Gouveia

Cidade universitária internacional de Paris

7 boulevard Jourdan – 75014 Paris

RER e Tram Cité Universitaire

Entrée libre

 

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