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Dois filmes portugueses foram galardoados no Festival de Cinema de Cannes desde ano. O filme «Diamantino», de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, venceu o Grande Prémio da Semana da Crítica e o filme «Chuva é cantoria na aldeia dos mortos», de João Salaviza (na foto) e Renée Nader Messora, foi distinguido com o Prémio especial do júri da secção «Un Certain Regard».

«Diamantino» venceu o Grande Prémio da Semana da Crítica atribuído por um júri, presidido pelo realizador Joachim Trier e composto pelos atores Chloe Sevigny e Nahuel Pérez Biscayart.

«Diamantino», a primeira longa-metragem de ficção de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, conta «a história de Diamantino, interpretado pelo ator Carloto Cotta, uma superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça».

«À procura de um novo objetivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade», lê-se no comunicado divulgado pela produtora.

Além de Carloto Cotta, o elenco desta coprodução entre Portugal, Brasil e França inclui Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Carla Maciel, Filipe Vargas, Manuela Moura Guedes, Joana Barrios e Maria Leite.

Gabriel Abrantes e o norte-americano Daniel Schmidt têm trabalhado juntos nos últimos anos em filmes como «Tristes Monroes» (2017) e «A History of Mutual Respect» (2010).

Além de «Diamantino», havia outro filme português em competição na Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes, a curta-metragem «Amor, Avenidas Novas», de Duarte Coimbra, feita em contexto escolar e produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema.

O filme de Duarte Coimbra, de 21 anos, trabalho final do curso de Realização da Escola Superior de Teatro e Cinema e o primeiro «a sério» que fez, «é muito pessoal».

Criada em 1962 para revelar novos talentos, a Semana da Crítica de Cannes é uma iniciativa do Sindicato Francês dos Críticos de Cinema.

Quanto a «Chuva é cantoria na aldeia dos mortos», de João Salaviza e Renée Nader Messora, foi distinguido com o Prémio especial do júri da secção «Un Certain Regard» no Festival de Cannes, mas o realizador português já venceu a Palma de Ouro com a curta-metragem «Arena», em 2009.

Os realizadores disseram que é o Brasil indígena, historicamente silenciado, que sai exaltado desta edição do festival de cinema. «O Brasil indígena é historicamente negado, silenciado, assassinado. Mas é justamente esse Brasil que sai exaltado de Cannes», disseram os cineastas à Lusa. «São os Krahô quem ocupou este espaço com sua língua, seu corpo e seus espíritos».

«A importância deste reconhecimento transcende o gesto cinematográfico, até porque existem hoje, no Brasil, dezenas de diretoras e diretores indígenas que estão contando suas histórias e sendo donos de suas imagens. É maravilhoso estarmos aqui e é uma pequena revolução, mas a grande revolução terá acontecido quando esses cineastas estiverem ocupando também estes lugares», acrescentam Salaviza e Nader Messora, sobre o reconhecimento do filme em Cannes, e a importância das comunidades indígenas e dos seus testemunhos.

Na quarta-feira, a equipa do filme juntou-se na passadeira vermelha para exibir cartazes em protesto «pelo fim do genocídio indígena» e pela «demarcação das terras dos povos autóctones», no Brasil. No final da sessão de estreia, a equipa foi aplaudida e houve ainda um momento de cânticos «Fora Temer».

«É um filme feito por duas pessoas no meio do mato, sem qualquer coprodução francesa, com 80 mil euros de apoio do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual], e estar a ombrear com outros filmes da competição é fantástico», disse o realizador.

Descrito pelo Hollywood Reporter como «um dos menos ortodoxos títulos» a apresentar-se na secção «Un Certain Regard», trata-se de uma «mistura ligeiramente dramatizada de facto, ficção e estudo de campo antropológico».

O filme foi rodado durante nove meses, em 16mm, sem equipa, na aldeia Pedra Branca, no estado de Tocantins, no Brasil. «Não há espíritos ou cobras esta noite e a floresta em redor da aldeia está sossegada. Ihjãc, de 15 anos, tem pesadelos desde que perdeu o pai. É um Krahô indígena do norte do Brasil. Ihjãc caminha pela escuridão, o seu corpo suado move-se com receio. Um cântico distante atravessa as palmeiras. A voz de seu pai chama por ele através da cascata: é hora de organizar o festim funerário para que o espírito possa partir para a aldeia dos mortos. O luto deve cessar», pode ler-se na sinopse disponibilizada pelo festival.

O texto acrescenta: «Negando o seu dever e para poder escapar o processo crucial de se tornar um xamã, Ihjãc foge para a cidade. Longe do seu povo e da sua cultura, enfrenta a realidade de ser um indígena no Brasil contemporâneo».

«Chuva é cantoria na aldeia dos mortos» foi produzido por Ricardo Alves Jr. e Thiago Macêdo Correia, da produtora Entre Filmes, sediada em Minas Gerais, em coprodução com a portuguesa Karõ Filmes e com a Material Bruto, de São Paulo.

 

 

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