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Dominique da Silva é o Deputado da 7ª circunscrição do Val d’Oise, eleito em 2017 nas listas da ‘République en Marche’ de Emmanuel Macron. Membro da Comissão dos Assuntos sociais, diz estar agora empenhado na reeleição do Presidente francês.

Os pais de Dominique da Silva eram portugueses. O pai emigrou para França desde de Barqueiros, Barcelos, em 1958 e a mãe, da Póvoa de Varzim, veio um ano depois com os três primeiros filhos do casal. Dominique da Silva já nasceu no Val d’Oise, onde sempre morou.

O Deputado nasceu em 1968 em L’Isle-Adam. A família viveu primeiro em Merry-sur-Oise, depois em Auvers-sur-Oise, e mais tarde mudou-se para Moisselles, onde é conselheiro municipal e onde ainda reside.

A mãe de Dominique da Silva morreu quando ele tinha apenas 23 anos e o pai morreu 5 anos depois. “Portugal é o país das férias. Vou lá todos os 2 ou 3 anos, mais ou menos. Este ano não fui e a última vez que lá fui, foi em 2018” diz em português numa entrevista ao LusoJornal. Mas insiste em dizer que “falo pouco” e que necessita de algum tempo de adaptação. “Depois de dois ou três dias em Portugal, já falo melhor” sorri.

Quando mudou para Moisselles era empresário e tinha um comércio. Por isso foi contactado para integrar as listas de candidatos às eleições municipais. “A política interessava-me, seguia pela televisão e pela radio, e tinha vontade de participar na vida pública” conta ao LusoJornal. “Aceitei o convite, fui eleito, mas um ano depois demiti-me porque não me entendia com a equipa. Na verdade, não me dei o tempo necessário para perceber com quem me embarcava naquela aventura de um mandato político. Preferi parar”.

Seis anos mais tarde, na eleição seguinte, decidiu voltar a candidatar-se e voltou a ser eleito. Passou a ser então o 1° Maire-Adjoint da cidade, até que surgiram as eleições legislativas.

“Enquanto autarca, cruzei-me muitas vezes com o Deputado da época, que era eleito pelo RPR, e eu também me quis investir no projeto de Emmanuel Macron, quando ele criou o movimento ‘En Marche’” diz ao LusoJornal.

Politicamente, Dominique da Silva aposta numa convergência política ao Centro. “Acredito mesmo que, juntando ao mesmo tempo pessoas que defendem valores da Direita e pessoas que defendem valores da Esquerda, num grande centro, com gente que quer uma unidade nacional e que saiba extrair o que há de bom nos dois lados, seja a melhor solução para fazer as transformações necessárias para que a França seja efetivamente um dos melhores países do mundo, neste terceiro milénio, que é um milénio muito complicado, como estamos a constatar, com desafios climáticos, sanitários e de proteção social, de reforma, de qualidade de vida. Eu acredito que é na unidade que se pode lá chegar”.

“Mesmo se nos acusam de ter dividido os Franceses, na verdade, eu penso que a alternativa à Esquerda ou à Direita dividiria mais ainda” afirma o Deputado do Val d’Oise.

As maiores dificuldades parecem mesmo ser as de “manter equilíbrios”. Dominique da Silva diz que para as Oposições “é muito fácil estar com posições radicais”, porque não estão no poder, na gestão do Estado. E considera que Emmanuel Macron consegue, “apesar de todas as dificuldades” manter “um certo equilíbrio”.

“Isto também é verdade com a Europa. A dimensão europeia é muito importante para os próximos anos e Emmanuel Macron defendeu isso em 2017 e não era esta a dimensão defendida pelos outros candidatos” diz ao LusoJornal. “Sem a Europa, estaríamos em situação muito pior, porque as nossas moedas nacionais não teriam resistido face a uma crise como a que conhecemos hoje”.

Dominique da Silva conhece pouco da política portuguesa. Prefere não se pronunciar. “Reconheço a minha falta de cultura pela política portuguesa. Interesso-me pelo país, mas como um cidadão lambda, porque tenho esta ligação a Portugal, mas confesso que o que se passa em Portugal a nível político, não sei”.

Mas garante que segue as posições portuguesas a nível da União Europeia. “No quadro europeu, a política portuguesa interessa-me e acredito que estamos mão-na-mão, Franceses e Portugueses, a caminhar no mesmo sentido. E isso satisfaz-me plenamente. Muitas vezes, em França cita-se Portugal como um exemplo para levarmos à frente este projeto europeu juntos”.

Muito naturalmente, como aliás acontece com os outros 4 Deputados franceses de origem portuguesa, Dominique da Silva integra o Grupo parlamentar de amizade França-Portugal presidido por Samantha Cazebonne, a Deputada eleita pelo círculo eleitoral dos Franceses do estrangeiro que inclui Portugal. “É verdade que a pandemia travou muitas ações, porque cada país queria, antes de mais, ultrapassar este desafio a nível nacional”. Mas o Deputado franco-português participou numa reunião interparlamentar no quadro da Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. “Foi um momento muito forte, um momento de intercâmbio muito interessante”, mas considera que o Grupo de Amizade podia ter feito mais. “Podíamos fazer mais, mas eu não sou o Presidente, sou apenas um membro” confessa.

Mas também acredita que, com a aproximação do fim do mandato, vai ser difícil agora “tentar elaborar um novo projeto”.

Interrogado pelo LusoJornal sobre se pensa recandidatar-se, Dominique da Silva diz que sim, mas para já, promete depor todas as suas energias na reeleição do atual Presidente Emmanuel Macron. “Depois disso, voltaremos a falar da minha própria recandidatura” conclui.

 

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