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Embaixador evocou mensagem de Macron para destacar a importância da Comunidade

LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga

O Embaixador de Portugal em Paris organizou uma cerimónia oficial para comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas precisamente em frente do busto do poeta Luís de Camões, na avenida Camões, em Paris 16, a dois passos dos jardins do Trocadero e da Tour Eiffel.

“Estou aqui para cumprir uma tradição” disse o Embaixador numa intervenção que foi transmitida em direto pelo LusoJornal nas redes sociais. “Desta vez não temos banda, nem público. Hoje é essencialmente uma cerimónia simbólica, aliás pela primeira vez – e tenho disso pena – a Embaixada de Portugal não promove uma festa no dia nacional, mas como sabem, sucede isso também com os festejos oficiais nacionais que estavam previstos na África do Sul e na Madeira e que se realizam hoje no Mosteiro dos Jerónimos” em Lisboa.

Para acompanhar o Embaixador estava o recentemente chegado a França, Cônsul Geral de Portugal em Paris Carlos Oliveira, os demais diplomatas e representantes militares da Embaixada, o Diretor da AICEP em Paris, Rui Almas e o Conselheiro Cultural João Pinharanda.

O Embaixador Jorge Torres Pereira deixou para o Presidente da República “um comentário mais profundo sobre o significado do Dia nacional” e preferiu dirigir-se à Comunidade portuguesa de França “que é praticamente um quarto ou um quinto da diáspora portuguesa no mundo”.

“O Dia nacional é o Dia de Camões o que diz muito da nossa maneira de ser diferente e dos brandos costumes portugueses, isso de se ir buscar a referência a um poeta e não a um evento revolucionário violento ou o aniversário de um monarca” disse Jorge Torres Pereira. “Devemos sentir um orgulho discreto e feliz de ser assim o nosso Dia nacional. Ainda por cima, Luís de Camões foi o Português que, quem nós dera a todos ter tido um pouco da sua juventude, da sua vida amorosa, da sua peregrinação pelo mundo, da sua aventura do estudo e, no seu género, exprimir o que devemos ser, quando queremos ser grandes. Camões é Portugal, até nos capítulos mais tristes da sua vida, podemos reconhecê-lo como da nossa gente, continuar a lutar até ao fim”.

Lembrando os textos do poeta que tem um busto e uma avenida em Paris, o Embaixador disse que “são do mais português que há, porquê do mais universal que se escreveu”. Aliás, no fim da intervenção do diplomata português, coube ao ator radicado em França, Victor de Oliveira, declamar textos de Luís de Camões, em português e em francês.

Jorge Torres Pereira evocou as vítimas de Covid-19, entre os quais muitos Portugueses, em Portugal e no mundo. “Essas pessoas, assim como as suas famílias estão nos nossos pensamentos”.

“Este dia é também, como sabem, desde há mais de 40 anos, associado às Comunidades portuguesas. É inteiramente justo que nos lembremos que a celebração disto que sentimos ser, é comum aos Portugueses dentro e fora do território nacional. É um dia de festa para todos. E atrevo-me a dizer que a emoção aqui mais longe, talvez seja mais viva e mais intensa, como quando a nossa equipa joga fora de casa e temos um entusiasmo especial”.

Por razões de distanciamento sanitário, estavam presentes poucas personalidades na cerimónia, mas na linha da frente estava por exemplo o autarca de Paris Hermano Sanches Ruivo, o empresário e Presidente do Lusitanos de Saint Maur Mapril Baptista ou o Conselheiro municipal de Cormeilles Carlos Soares. E o Embaixador português evocou a “eloquente mensagem” da Secretária de Estado das Comunidades portuguesas que explicou “aquilo que temos feito nas diferentes áreas: na proteção e acompanhamento consular, no ensino do português, no apoio social e às associações, no incentivo ao investimento da diáspora”. Aliás a mensagem de Berta Nunes por ocasião do 10 de junho foi publicada no LusoJornal.

“Como sabemos todos, o valor da nossa Comunidade em França é bem reconhecido” e Jorge Torres Pereira lembrou a mensagem que o Presidente Emmanuel Macron enviou ao seu homólogo português por ocasião do Dia de Portugal. “Neste dia de Camões que também é o Dia das Comunidades portuguesas no estrangeiro, destaco as relações humanas excecionais que existem entre a França e Portugal, e a parte que cabe às nossas Comunidades respetivas”.

O Embaixador de Portugal em França lembrou que “muitos dos que aqui são Portugueses, são também Franceses, como também são Europeus. Nada se contradiz. Como Fernando Pessoa, podemos ser muitos, não deixando de ser um só. Mas quanto mais ricas e múltiplas estas identidades, mais importante é a ligação à nossa terra, a ligação à nossa língua – que até já tem um Dia mundial – às nossas raízes e não perder o contacto com a família e com os amigos que ficaram em Portugal”.

Aliás, este foi também o pretexto do Embaixador português evocar o verão que se aproxima, como período “de reencontro”. Mesmo se evocou “toda a cautela” diz que a pandemia parece declinar em toda a Europa – note-se que Jorge Torres Pereira é médico de formação – e Portugal prepara-se para o levantamento de barreiras. Lembrou que a distância entre a França e Portugal “não se mede tanto em quilómetros como em unidades de saudade”.

“A nossa família continua lá, assim como as praias, as ilhas e as montanhas que a geografia nos ofereceu. Estão lá à nossa espera o azul do mar, a areia da praia e a sardinha que se quer boa. Está lá Portugal, como também está aqui Portugal” concluiu o Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira.

 

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