Emigrantes exibem gramofones e rádios de outros tempos em Celorico de Basto

Cultura


Grafonolas, gramofones, caixas de música e rádios antigos podem ser admirados em Celorico de Basto, numa exposição onde dois colecionadores, ambos emigrantes, exibem até ao final de agosto um espólio que traduz a paixão pelas antiguidades.

“Achei interessante dar a conhecer o que eram os aparelhos mecânicos de música”, contou à Lusa o colecionador Joaquim Teixeira, dono de 270 equipamentos, alguns dos quais em exibição na Casa da Taipa, na localidade de Canedo.

O primeiro andar do edifício, recentemente requalificado, está repleto de grafonolas de manivela, de vários tipos, decorações e tamanhos, todas operacionais, com raros discos de 78 rotações por minuto, em carbono, material anterior ao vinil dos LP populares nas décadas de 70 e 80 do século passado.

Também ali se encontra uma caixa de música, em madeira, trabalhada e colorida, com algumas centenas de anos, oriunda de França, que toca Amália Rodrigues ou Édith Piaf, a partir de uma fita de cartão picotada, acionada por uma manivela, como mostrou, deliciado com a sonoridade que faz lembrar os saltimbancos de outros tempos.

Explicando cada pormenor, o colecionador também exibe várias fitas com gravações de música portuguesa, para matar a saudade de emigrante, como “Cheira a Lisboa”, gracejou.

Nas paredes da sala, podem ser apreciadas algumas ilustrações de outros tempos alusivas àquele tipo de equipamentos e artistas da época.

Joaquim Teixeira é natural de Sabrosa, em Trás-os-Montes. Emigrou para Franca com 21 anos, onde, numa feira de antiguidades, comprou a primeira grafonola portátil. “Como uma criança que recebe o primeiro brinquedo, fiquei apaixonado e nunca mais parei de colecionar”, contou sorrindo “de orelha a orelha”, segredando que até já expôs algumas das suas peças em lares de idosos, em França, país onde ainda reside.

Noutra sala, numa visita guiada pelo colecionador, foi possível observar outras engenhocas do passado, sobretudo contemporâneas de Thomas Edison.

À Lusa, exibiu um reprodutor de rolo de cera (fonógrafo) e outras pequenas caixas de música, ainda mais antigas, uma das quais, asseverou, “do tempo de Napoleão”, que fizeram as delícias das meninas ricas de outros tempos. “São peças muito raras e de grande valor”, referiu, sugerindo que várias delas valem muito dinheiro, por serem antigas.

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No rés-do-chão, Vítor Carvalho, natural de Celorico de Basto e emigrante na Suíça, exibe vários rádios a válvulas, também todos operacionais, alguns, como sinalizou, anteriores à II Guerra Mundial.

Na maioria, são aparelhos de grande dimensão, com caixas de madeira nobre e quadrantes minuciosos, quase aparelhos de relojoaria. Na sala, os visitantes podem apreciar 16, todos adquiridos na Suíça, dos 160 com que conta na sua coleção.

“Desde criança, tenho uma paixão pelos rádios, adoro adquiri-los, recuperá-los e ouvi-los”, contou à Lusa, destacando o prazer que sente ao ouvir um relato de futebol naqueles equipamentos. “Têm um som completamente diferente, são uma maravilha”, comentou, ligando um dos aparelhos que transmitia frequências de ondas curtas, muito úteis no passado, quando não havia Internet, pontuou ao repórter.

Da sua coleção e também em exibição naquela sala, consta o primeiro gramofone elétrico e, por isso, desprovido de manivela – uma inovação técnica à data – que pode ser ouvido no local. “É uma preciosidade”, exclamou.

Sérgio Mota, Presidente da Junta de Canedo, disse à Lusa ser um privilégio a sua freguesia poder proporcionar aos visitantes uma exposição tão valiosa e gratuita. “As que pessoas que vêm, e já foram muitas, ficam maravilhadas, como eu fiquei”, anotou.

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