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O que podem ter em comum, António Farrica e Carlos André (na foto)? Pelos menos dois pontos comuns: nasceram no Alentejo e viveram em França.

António Farrica fez 94 anos em julho, membro clandestino do Partido Comunista Português a partir de 1947, rumou de autocarro para França em 1964 para trabalhar perto da fronteira belga na campanha da beterraba. Regressou em 1965 e em 1966 voltou para a região de Reims para trabalhar na agricultura. O ano de 1967 foi passado em Portugal, e em 1968 já com a família, veio instalar-se em Arpajon, na região parisiense.

Durante 6 anos trabalhou na construção civil e acabou por regressar definitivamente a Portugal em outubro de 1974, pouco depois do 25 Abril.

Os caminhos dos dois homens, sem se conhecerem, cruzaram-se na região de Paris, entre 1970 e 1974.

Com 6 anos de idade o Carlos André, chegou a Mantes-la-Jolie, fez a sua escolarização completa nas Yvelines e depois de estudos superiores na Universidade de Nanterre, dedicou a sua «primeira vida» ao humanitário.

Em 1990 integrou a equipa de «Médecins sans Frontières» em Moçambique e praticamente sem transição foi para Diarbaquir, na Turquia, onde coordenou o programa de assistência aos refugiados Curdos na primeira guerra do Golfo. Por fim esteve em Havana onde participou com a organização portuguesa OIKOS, na cooperação e desenvolvimento da União Europeia em Cuba.

Regressou definitivamente a Portugal em 1993. Hoje reside em Lisboa e trabalha no Hospital de Santa Maria.

Após 23 anos passados em França, durante este verão, Carlos André publicou o livro “Memórias de um assassinato em Montemor-o-Novo”, pelas edições Colibri.

“Quando ia de férias a Portugal, a lápide comemorativa colocada pela Câmara Municipal de Montemor em 1986, em frente da barbearia do meu tio Agostinho Tangarrinhas, que assistiu a tudo, inclusive uma bala que entrou pela loja adentro, sempre me interpelou” explicou ao LusoJornal. “José Adelino dos Santos, foi abatido por um atirador desconhecido escondido numa das janelas da Câmara de Montemor em 1958. E eu quis saber porquê. Foi um trabalho de investigação durante 8 anos para compreender a luta dos trabalhadores que se revoltavam contra o regime de Salazar”.

“Foi como se fosse uma homenagem, não só a este assassinato, mas também a todos os que resistiram e que continuam a resistir a todas as formas de opressão. Tive a oportunidade de conhecer o filho do José Adelino, assim como o António Farrica, amigo e companheiro de luta, testemunho ainda vivo dessa época obscura da história de Portugal”, disse Carlos André ao LusoJornal.

O livro foi editado em junho de 2017, pela Colibri artes gráficas em Lisboa, com a colaboração da República Portuguesa, Cultura do Alentejo, Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, a União das Freguesias do Bispo, da Vila, e das Silveiras e o prefácio da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses.

 

 

 

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