
A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou esta sexta‑feira, 5 de junho, uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do Lusodescendente, uma efeméride de alcance global dedicada às novas gerações da diáspora portuguesa. A associação vai solicitar audiências à Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, com o objetivo de sensibilizar os deputados para a criação desta data.
A AILD sublinha que, apesar de o calendário oficial já assinalar o 10 de Junho como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, “os lusodescendentes representam uma realidade distinta, marcada por identidades híbridas, percursos multiculturais e uma relação com Portugal diferente da emigração tradicional”.
A proposta pretende homenagear os filhos, netos e bisnetos de portugueses que, nascidos e integrados noutros países, continuam a cultivar a ligação à portugalidade.
Entre os argumentos apresentados pela associação destacam‑se três eixos: a “afirmação global” de uma comunidade transnacional com milhões de pessoas; a “continuidade da herança cultural e linguística”, incentivando o ensino do Português como Língua de Herança; e o reconhecimento dos lusodescendentes como um “ativo estratégico” para Portugal, pela sua presença em posições de influência económica, científica, cultural e institucional em vários países.
A Presidente da AILD, Gilda Pereira, considera que esta iniciativa responde a uma necessidade há muito identificada: “Os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo. Chamar-lhe dia ‘nacional’ seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global e transnacional. É o Dia do Lusodescendente. Vamos pedir estas audiências parlamentares convictos de que os deputados – em especial os eleitos pela Emigração – reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”.
A associação apela ainda ao “movimento associativo da diáspora” e à sociedade civil para que se juntem ao esforço de promoção desta causa, que considera “justa, necessária e estruturante” para o futuro das comunidades portuguesas no mundo.
A iniciativa marca um novo passo no debate sobre o reconhecimento institucional das novas gerações da diáspora e promete ganhar destaque nos próximos meses no espaço político e comunitário.






