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Uma exposição «Paris Haussmann Modelo de Cidade» com mais de 100 peças, resultado de uma investigação urbanística recente sobre a cidade de Paris está atualmente patente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A investigação, do atelier LAN, de Paris, reúne desenhos, planos, arquivos, fotografias de Cyrille Weiner, e maquetes que sustentam descobertas e questões levantadas sobre uma herança que poderia servir de modelo para a cidade do futuro.

«Paris Haussmann Modelo de Cidade» foi inaugurada a par da mostra «Desenhos de Marques da Silva no Atelier Laloux 1890-1896», e que ficarão patentes no Centro Cultural de Belém (CCB) – Garagem Sul [Exposições de Arquitetura] até 17 de junho.

Durante uma visita guiada aos jornalistas pelos arquitetos André Tavares, programador da Garagem Sul, e Maxime Enrico, do atelier LAN, foram apresentados os resultados desta pesquisa inédita sobre a capital francesa que se questionou sobre como construir a cidade de amanhã, e «se [se está] no bom caminho».

A equipa do LAN (Local Architecture Network) – criada por Benoît Jallon e Umberto Napolitano em 2002, com o objetivo de explorar a ideia de arquitetura como uma área de atividade na interseção de várias disciplinas – apresentou este trabalho há um ano no Pavilhão do Arsenal, e agora, pela primeira vez, fora de França.

O ponto de partida foi o trabalho do arquiteto Haussmann, responsável pelo Departamento do Sena, entre 1853 e 1870, que transformou profundamente Paris, acima e abaixo do solo, do centro para a periferia.

Dos inúmeros edifícios que construiu, na época, «ainda restam cerca de 60%, que continuam a ser muito valorizados pela população, e são considerados de culto», indicou Maxime Enrico.

A equipa procurou a identidade da cidade, uma das mais densas do mundo, fazendo um levantamento exaustivo dos lotes construídos e vazios, as tipologias, as formas, a funcionalidade, obtendo dados que trataram e concluíram que, ainda hoje, sobretudo devido ao legado histórico, Paris é uma cidade «com muito equilíbrio, coerência, homogeneidade, adaptabilidade, flexibilidade, muito eficiente do ponto de vista urbanístico».

Questionado pela Lusa sobre a duração deste projeto e a sua utilidade como ferramenta para outros arquitetos, Maxime Enrico disse que a equipa foi fazendo outros trabalhos ao mesmo tempo, mas conseguiu acabar a investigação em dois anos, tratando-se de um projeto inédito, que nunca tinha sido feito, nesta dimensão, sobre Paris.

«Pensamos que será útil como ferramenta de reflexão para outros arquitetos, porque aprendemos imenso à medida que íamos desenvolvendo o projeto», apontou.

Por seu turno, o arquiteto André Tavares sublinhou que esta apresentação da exposição no CCB é importante «porque mostra como Paris pode ser uma referência para pensar, construir a cidade contemporânea».

«Desenhos de Marques da Silva no Atelier Laloux 1890-1896», por outro lado, inaugura a série de exposições sobre arquivo na Garagem Sul, que irá apresentar conteúdos preservados num número cada vez maior de instituições que se dedicam à salvaguarda, tratamento e valorização de acervos de arquitetos.

A obra deixada pelo arquiteto português Marques da Silva (1869-1947), que estudou naquela época em Paris, evidencia a matriz parisiense «que se tornou fundamental para a caracterização da cultura arquitetónica portuguesa».

Esta exposição apresenta um núcleo de desenhos do período da sua formação em Paris, quando foi aluno da École des Beaux-Arts e discípulo de Victor Laloux, o arquiteto da Gare d’Orsay. «Marques da Silva é um arquiteto importantíssimo do Porto, que construiu mais do que Álvaro Siza Vieira e Souto de Moura, deixando uma marca muito importante na cidade», sublinhou André Tavares.

 

 

 

 

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