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Religião

 

 

O programa da Semana Santa e do Tríduo Pascal no Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Paris terminou ontem, domingo, com a Missa de Páscoa, celebrada pelo Reitor do Santuário, Padre Nuno Aurélio.

O programa começou com a Missa vespertina do sábado de Ramos, às 18h30, precedida pela bênção dos Ramos e pela procissão à volta do Santuário, num programa que se repetiu no Domingo de Ramos, dia 10 de abril.

Na Quinta-feira Santa, às 21h00, teve lugar a Ceia vespertina da Ceia do Senhor e Lava-Pés; na Sexta-feira Santa, o momento alto foi a Celebração da Paixão do Senhor; e no sábado, às 21h00 teve lugar a Vigília Pascal da Noite Santa. Começou com o Lucernário – bênção do fogo à porta da igreja – e o rito da luz, com o anúncio pascal.

Esta foi a primeira celebração da Páscoa com fiéis no Santuário, depois de uma interrupção de dois anos por razões evidentes da pandemia de Covid-19. Por isso, estas celebrações tiveram ainda mais simbolismo. “Eu penso que são momentos em que as pessoas se recordam talvez daquilo que a vida do dia a dia não lhes permite reconhecer com tanta evidência” disse ao LusoJornal o Padre Nuno Aurélio, lembrando uma frase da mãe: “Ela dizia-me, filho, tendo Deus temos tudo, não tendo Deus não somos nada”.

Respondendo às perguntas do LusoJornal depois da Vigília Pascal de sábado à noite, o Reitor do Santuário disse que “eu penso que nesses momentos, as pessoas recordam-se que uma vida sem Deus não é uma vida completa. Miguel Torga dizia: temos tudo, falta-nos o essencial! E ele escrevia isso no diário dele, precisamente na época de Natal. Nestas épocas de festa, por vezes lembramo-nos que temos tanta coisa no nosso dia a dia, que nos enche, que nos subcarrega, que nos alegra, que nos preocupa, mas se calhar, falta-nos o essencial. E esse essencial, poderemos encontrá-lo nas nossas raízes cristãs”.

 

Menos gente na igreja

 

O Santuário funciona como uma paróquia para os católicos de língua portuguesa e por isso tem os serviços que uma paróquia habitualmente proporciona, desde os serviços ligados à liturgia, à catequese das crianças.

Mas o número de membros da Comunidade tem baixado bastante. “A pandemia foi um embate muito forte, porque de facto quebrou os laços de encontro, de união e até de reunião. Há dois anos que não tínhamos festas pascais e isso, parecendo que não, tem sido de recuperação lenta. Mas enfim, confiamos que venha a ser possível ainda manter e transmitir aos vindouros, quer a memória da igreja do lugar em que estamos, quer também o nosso próprio património espiritual e cultural que se associa à celebração da fé”.

“Uma missa como esta não se encontra em lado nenhum em França” comentou uma senhora à saída da Igreja depois de uma cerimónia de mais de duas horas. “De qualquer das formas, eu não sei rezar em francês” comenta o marido.

“Evidentemente que ao longo dos anos vamos notando que há uma progressiva diminuição, não apenas da fé das pessoas – que se calhar deixam de praticar – mas eventualmente também – e se calhar até é mais por isso – por não reconhecerem a importância da língua portuguesa” explica Nuno Aurélio ao LusoJornal.

“Até porque na terceira geração, o português já não é a primeira língua falada. É uma língua falada às vezes a muito custo pelos mais pequenos. E por isso também aqueles que guardam a fé eventualmente vão procurar vivê-la na paróquia da sua residência, dado que neste Santuário os Portugueses têm que vir de muitos sítios, às vezes até de longe, para poderem chegar aqui e aqui poderem educar os filhos e fazerem a sua vida de fé”.

 

150 crianças na Catequese

 

No sábado passado foram batizadas duas crianças – Renata e Lucas – que seguem a Catequese no Santuário. “Temos cerca de 150 crianças na Catequese, dos 7 aos 17 anos, que se preparam para os diferentes Sacramentos” explica Alzira Santos, uma das 25 Catequistas do Santuário.

“Tentamos fazer a Catequese em língua portuguesa, mas o nosso objetivo enquanto catequistas, é de transmitir a mensagem de Deus, de Jesus, e quando vemos que em português torna-se mais complicado para as crianças, vamos falando em francês, fazemos em duas línguas” diz ao LusoJornal. “Nós, os Catequistas, também nascemos cá, falamos mais facilmente o francês, mas há muita coisa que fazemos em português: as orações são todas em português, a missa é em português e temos os livros de apoio e os guias dos Catequistas que são em português”.

Alzira Santos lembra que as crianças vêm por vezes de muito longe, não apenas de Paris e dos ‘Departamentos’ a norte da capital. “Alguns fazem 50 km para vir cá à Catequese e à missa porque querem guardar esta identidade portuguesa”.

 

Uma igreja votiva

 

O Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris é uma igreja votiva que foi construída na sequência de um voto durante a II Guerra Mundial, caso Paris não fosse destruída, e fosse poupada pela guerra.

Em 1988, o Cardeal Lustiger “confiou esta igreja à Comunidade portuguesa, transformando-a num Santuário dedicado a nossa Senhora de Fátima – Maria Medianeira de todas as graças” explicou o Padre Nuno Aurélio.

 

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