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A galeria de arte Mendes, referência em Paris da pintura francesa e italiana dos séculos XVI a XIX, foi vandalizada no último protesto dos “coletes amarelos” e o proprietário prepara-se agora para esvaziá-la, temendo o que possa acontecer este sábado.

Instalada há cerca de 10 anos no chamado Triângulo de Ouro da capital francesa, na prestigiada rua de Penthiévre – perto dos Campos Elísios -, a Galeria Mendes, propriedade de Philippe Mendes, galerista e lusodescendente, nunca conheceu uma violência como a de sábado passado, tendo ficado com os vidros destruídos no meio dos estragos gerados pela passagem dos “coletes amarelos”.

“Os vidros ficaram todos partidos. Já encomendei as madeiras para pôr à frente dos vidros para protegê-los, não quero que partam mais ou tentem entrar dentro da galeria. Eu tive sorte, na minha galeria só partiram os vidros. Na galeria ao lado da minha partiram vidros e roubaram coisas e noutra mais à frente partiram, não roubaram, mas destruíram um quadro”, relatou Philippe Mendes em declarações à Lusa.

No sábado passado, a rua Penthiévre, conhecida pelas suas galerias de arte, foi bloqueada pelos “coletes amarelos” com uma barricada de fogo, permitindo a disseminação da violência. Inacessível pela polícia e pelos bombeiros, há também relatos de violência física contra quem tentou apagar os diferentes fogos que foram eclodindo ao longo desta rua.

Philippe Mendes crê que se criou um ambiente de adrenalina que levou à violência generalizada. “Acho que são atos inconscientes e não pensados. As pessoas estão num efeito de adrenalina, acham aquilo excitante e partem as coisas. Eu tenho vídeos, a minha vizinha mandou-me. Os ‘coletes amarelos’ estão a passar e nem estão com a cara coberta e, de repente, um apanha uma coisa qualquer de ferro e bate nos vidros e outro faz a mesma coisa. Assim, sem pensar”, disse o galerista.

Cada folha de contraplacado utilizada pela maioria das lojas, restaurantes ou supermercados nos Campos Elísios, custa cerca de 600 euros, fora as despesas de instalação, com valores semanais a rondarem os 2.000 euros – dependendo do número de vitrinas. Uma situação que nalguns casos dura há meses e noutros, como na galeria Mendes, começou no sábado passado.

Para além de proteger os vidros e esperar até os ânimos acalmarem para os substituir – o preço da substituição das vitrinas pode ascender a 15 mil euros se for vidro triplo -, Philippe Mendes vai optar por retirar este fim de semana todas as obras que tem na galeria. Este é também um processo dispendioso, já que implica transporte de obras de arte e seguros avultados.

Mais do que a destruição, desde o início dos protestos, estas galerias deixaram de ser visitadas por potenciais compradores. “Desde novembro que Paris, em termos comerciais, parou. As vendas foram feitas através de pessoas que conheço, na galeria não houve nada”, indicou Philippe Mendes.

Uma situação partilhada pelos vários negócios nos Campos Elísios. Jean-Noël Reinhardt, Presidente do Comité dos Campos Elísios, disse à France-Presse que a avenida está mergulhada “no caos” e pediu para ser recebido pelo Governo. No total, cerca de 80 lojas, restaurantes ou supermercados foram vandalizados, não só com vidros partidos, mas completamente destruídos e pilhados, nas imediações dos Campos Elísios. Houve ainda um incêndio numa agência bancária que causou vários feridos ligeiros.

 

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