
A GNR deteve ontem em Fátima o homem de 55 anos e a mulher de 41 suspeitos de violência doméstica e abandono das duas crianças francesas encontradas sozinhas em Alcácer do Sal, revelou a força de segurança.
Em comunicado, a GNR anunciou que os dois suspeitos foram detidos em Fátima, no concelho de Ourém, distrito de Santarém, por militares do posto territorial daquela cidade, “em consequência do trabalho de pesquisa e proatividade policial desenvolvido”.
Na terça-feira, por volta das 19h00, os dois irmãos, de 4 e 5 anos, de nacionalidade francesa, foram encontrados quando se encontravam sozinhos e a vaguear junto à Estrada Nacional 253 (EN253), na zona do Monte Novo do Sul, entre Comporta e Alcácer do Sal, distrito de Setúbal.
Contactada pela Lusa, fonte do Comando Territorial de Santarém da GNR revelou que os suspeitos foram localizados numa esplanada de um café situado nas imediações da cidade de Fátima.
Ao final da tarde, o casal estava detido no posto territorial da GNR de Fátima, acrescentou a mesma fonte.
No comunicado, a Guarda Nacional Republicana esclareceu que o homem e a mulher são suspeitos de “violência doméstica e de exposição e abandono, relacionados com a ocorrência envolvendo duas crianças menores encontradas sozinhas junto à via pública no concelho de Alcácer do Sal”.
Segundo a Guarda, após o alerta inicial na terça-feira sobre a presença de duas crianças sozinhas junto à via pública, “os militares da GNR deslocaram-se de imediato ao local, onde localizaram os menores, garantindo a sua proteção e segurança”.
“Perante a situação de evidente vulnerabilidade, as crianças foram encaminhadas para a casa de um popular”, onde permaneceram e lhes foram prestados os primeiros cuidados, na presença dos militares da Guarda”, acrescentou.
A seguir, os menores foram encaminhados para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.
Na nota é ainda referido que a investigação encontra-se a cargo do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE) da GNR de Santiago do Cacém.
Ao início da tarde, a Polícia Judiciária chegou a anunciar que o caso tinha passado para a sua alçada, mas o Ministério Público esclareceu posteriormente que “a investigação está a ser dirigida pelo Ministério Público coadjuvado pela GNR”.
Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Grândola.
Caso teria começado em Colmar
O caso tem sido noticiado por diversos meios de comunicação social portugueses e franceses. Os dois irmãos foram encontrados por um popular, transportando uma mochila cada um com uma muda de roupa, fruta e uma garrafa de água.
O caso começou ainda em França, quando a mãe raptou os filhos, trazendo-os depois para Portugal, onde entrou por Bragança. “Ao que as autoridades conseguiram perceber, a mãe disse aos dois filhos que iam fazer um jogo e vendou-os. Quando voltaram a abrir os olhos a progenitora já não estava e os irmãos estavam perdidos no meio da Estrada Nacional 253, entre Alcácer do Sal e a Comporta”, realçou a CNN.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou à Lusa que o caso foi comunicado ao Ministério Público, que, na quarta-feira de manhã, “deu entrada, no Juízo de Família e Menores de Santiago do Cacém, com um procedimento judicial urgente”.
“Aguarda-se decisão judicial”, pode ainda ler-se na resposta.
De acordo com a CNN, as autoridades terão ligado este caso a “um outro desenvolvido em França, onde esta mãe e os filhos eram procurados há 15 dias, depois de terem fugido do país, já depois de a mulher ter deixado para trás um outro filho, este com 16 anos”.
Autoridades francesas já pediram retorno das duas crianças abandonadas
A Ministra da Justiça de Portugal disse ontem à tarde já haver por parte das autoridades franceses um pedido de retorno das duas crianças e que esse processo seguirá os “trâmites normais”.
Em declarações aos jornalistas, Rita Alarcão Júdice destacou sobre este caso que “tudo correu da melhor forma possível de maneira a comunicar rapidamente com os tribunais franceses”, tendo a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) assegurado o contacto com os tribunais franceses. “A DGAJ tem estado em contacto com os tribunais franceses, articulando e facultando toda a informação que é necessária e obtendo a informação que os tribunais solicitaram para permitir este encontro rápido que foi feito. Por isso agora aguardamos os trâmites normais de um possível retorno, porque tanto quanto percebi, embora ainda não tenha muita informação concreta, há já um pedido de retorno das crianças, portanto será tratado da forma natural que estes processos têm”, disse a ministra da Justiça.
Rita Alarcão Júdice manifestou-se satisfeita por as autoridades em Portugal terem “rapidamente conseguido encontrar ou deslindar este problema”.
“Espero que o processo agora possa correr da forma o mais rápida possível para minimizar o trauma que estas crianças hão de ter sofrido”, disse a Ministra.






