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A greve da Portway, empresa de assistência em terra, provocou hoje de manhã extensas filas e muitas reclamações no aeroporto do Porto, devido ao cancelamento de voos, a maior parte destinados a França.

Eram dezenas de pessoas, a maioria emigrantes, que depois de terem sido avisados do cancelamento dos respetivos voos, se dirigiam esta manhã ao balcão de compra de bilhetes, em busca de uma alternativa.

Uns tentavam um voo alternativo, outros agendar nova data e muitos pediam reembolso, depois de verem goradas as suas expectativas de regressar a casa.

Indignados por não obterem a solução desejada, a maior parte questionava quem lhes iria pagar os dias de trabalho que irão perder.

Em declarações à Lusa, Sérgio Mendes, cujo destino era Paris, criticava a falta de respostas: “Mandaram-se ligar para a companhia, o que eu fiz, só que ninguém atende”.

“Eu recomeço o trabalho em setembro, mas a minha mulher tem uma consulta muito importante amanhã, que não pode perder”, lamentou.

Este passageiro disse ainda ter consultado a aplicação da companhia Transavia onde não constava o cancelamento do voo. “Cheguei aqui e o voo estava cancelado. É inadmissível”, criticou.

Também Rui Brito e família pretendiam regressar hoje a Lyon, mas “ninguém tem uma solução, tentei comprar outro bilhete, mas está tudo cheio e só em setembro conseguiria”.

“Pedi o reembolso, porque tenho de arranjar uma alternativa, porque os meus filhos têm escola e eu trabalho”, disse.

Ricardo Ferreira, dois filhos e a mulher chegaram ao aeroporto do Porto às 05h00 e ao viram que o seu voo para Genebra, na easyJet, tinha sido adiado, primeiro para as 08h30, depois para as 10h30, depois para as 12h00 e finalmente para as 13h55. “Vamos ver o que acontece, mas temo que seja também cancelado”, referiu.

Maria Miranda veio de Lyon por “um dia, para celebrar uma data especial com os pais”. “Com a idade avançada dos meus pais quero aproveitar todas as datas para celebrar com eles. Não contava com isto. Informam em cima da hora, é muito mau, acho que merecemos algum respeito”.

Lyon, Berlim, Genebra e Paris eram, até as 11h00, os voos cancelados que constavam no painel de informação do aeroporto do Porto.

 

Esta greve foi decretada pelo SINTAC – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal, com início às 00h00 de hoje e fim às 24h00 de domingo.

No aeroporto do Porto, Pedro Mota, do SINTAC, disse aos jornalistas que dos “quatro ou cinco” funcionários da Portway que deveriam estar ao serviço, “apenas um compareceu, os restantes que estão a trabalhar são tarefeiros, não podem fazer greve”.

Os trabalhadores estão contra a política de “confronto e desvalorização dos trabalhadores por via de consecutivos incumprimentos do Acordo de Empresa, confrontação disciplinar, ausência de atualizações salariais, deturpação das avaliações de desempenho que evitam as progressões salariais e má-fé nas negociações”.

A greve de três dias de trabalhadores da Portway, que hoje começou levou ao cancelamento de 83 voos nos aeroportos de Lisboa e Porto, segundo contas da Lusa a partir da informação do ‘site’ da ANA – Aeroportos de Portugal.

De acordo com os dados consultados pela Lusa, foram canceladas 30 partidas e 23 chegadas em Lisboa e 15 partidas e 15 chegadas no Porto. Não foram registados cancelamentos em Faro nem no Funchal, os outros aeroportos abrangidos pelo pré-aviso de greve de três dias, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac).

 

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