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A delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, lança um programa de parcerias com instituições francesas, em 1 de fevereiro, na sua nova morada, para promover artistas portuguesas, cerca de um mês antes da reabertura da biblioteca na capital francesa.

“A nossa ideia é sermos um colaborador, parceiro e financiador ativo e não passivo. Não queremos apenas financiar os projetos de forma distanciada, temos o ‘know-how’, temos redes e é muito interessante colaborar com todas estas instituições na montagem destes projetos”, disse Miguel Magalhães, Diretor da delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, em declarações à Lusa.

Tal como anunciado no ano passado, a representação da Fundação portuguesa deixou as suas antigas instalações junto aos Invalides e mudou-se para o edifício da Fondation Maison des Sciences de l’Homme, na Boulevard Raspail, dividindo-se agora em dois polos, com a biblioteca a passar para a Casa de Portugal, na Cidade Universitária Internacional de Paris.

Esta mudança, segundo Miguel Magalhães, é uma “evolução” que permite libertar recursos para mais apoios à divulgação dos artistas portugueses. “É uma evolução que respeita o património de 50 anos que nós temos. As principais diferenças é deixarmos de ser produtores únicos de exposições. […] Permite libertar recursos para mais atividades, mais projetos e mais artistas, e permite-nos também uma certa agilidade de colaboração, pois nas parcerias reside uma parte importante da nossa atividade no futuro”, indicou.

Para este novo programa de colaboração entre a Gulbenkian e instituições e galerias francesas, cujo período de candidaturas abre a 1 de fevereiro, os principais critérios são trabalhar com artistas portugueses, de origem portuguesa ou artistas instalados em Portugal, a relevância do projeto artístico e a relevância da instituição em questão.

O ‘envelope’ financeiro para este novo programa é de 250 mil euros, mas deve crescer já no próximo ano. A mudança de instalações também permitiu um aumento no orçamento global da instituição na capital, passando de 600 mil euros, em 2019, para 800 mil, em 2020.

Entre os projetos apoiados pela Gulbenkian já este ano estão a exposição de Diogo Pimentão no Fonds Régional d’Art Contemporain (FRAC), em Rouen, patente até 1 de abril, assim como a presença de Pedro Costa no festival Cinéma du Réel, em março.

A biblioteca desta delegação, uma das mais significativas no âmbito da língua e cultura portuguesas em todo o Mundo, vai ser reaberta já em março deste ano, junto àqueles que mais a procuram, segundo defende Miguel Magalhães. “A biblioteca começou como uma biblioteca generalista, nos anos 60, e, ao longo das décadas, especializou-se com um foco grande em temas como literatura ou história portuguesas, e os nossos leitores correspondem a isso e são fundamentalmente estudantes e investigadores. Portanto, estamos a ir ao encontro do nosso público”, disse o Diretor sobre a mudança para Casa de Portugal, na Cidade Universitária Internacional.

As instalações da Casa de Portugal foram alvo de obras, recentemente, para acolher o espólio vindo das antigas instalações da Gulbenkian e para criar salas de leitura capazes de receber os investigadores que ali se desloquem.

Sem a organização de uma grande exposição em 2020, a Gulbenkian em Paris está concentrada em ser um “ator ativo” na Temporada cultural cruzada entre Portugal e França, em 2021 e 2022. “O principal objetivo para esta Temporada é que haja um número crescente de artistas portugueses expostos em instituições francesas, que esses artistas tenham representação nas galerias francesas e que haja cada vez mais coleções privadas e públicas que comprem as suas obras”, afirmou Miguel Magalhães.

Para 2021, a Delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris vai ser coprodutora da exposição em torno das mulheres artistas portuguesas, a acontecer por ocasião da Presidência Portuguesa da União Europeia, e que será apresentada no centro de artes Bozar, em Bruxelas, durante o primeiro semestre. Esta exposição seguirá depois, no segundo semestre de 2021, para o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, na cidade francesa de Tours, no âmbito da Temporada cruzada.

 

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