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Ana del Rio é espanhola, de Santander. Em 1969 veio estudar para Paris onde conheceu Álvaro Cordeiro, um Português que tinha fugido para França por razões políticas. Juntos chegaram a fazer alfabetização e teatro no Bidonville de Champigny para os Portugueses que lá moravam, até que em 1977 “ele enganou-me” diz a sorrir ao LusoJornal. “Prometeu levar-me para Espanha e, depois do 25 de Abril, acabamos por ir para Portugal”.

Há 42 anos que mora em Portugal. “Conheci o meu marido aqui em Paris há 50 anos, precisamente no mês de fevereiro, e por isso vamos aproveitar a minha vinda cá para comemorar esta data”.

Ana Del Rio veio expor no Salão internacional de arte contemporânea que teve lugar no hall 5 do Parque de exposições de Paris Porte de Versailles, no fim de semana passado. “Chegamos a uma idade em que temos de fazer o que queremos” confessa. E aproveitou esta oportunidade para expor em Paris, juntamente com centenas de outros artistas. “O nível do Salão é, em geral, muito bom” confessa.

Álvaro Cordeiro foi um dos fundadores do Cinanima, o reconhecidíssimo Festival internacional de cinema de animação de Espinho. Foi em Espinho que o casal se instalou. Ele dentista, ela tradutora para a Universidade de Aveiro. Levaram o primeiro filho, que nasceu em Paris e tiveram uma filha já em Portugal.

“Gosto muito da gente de lá. Sinto-me muito à vontade em Portugal. Por vezes nem sei bem se sou portuguesa ou espanhola porque já vivi mais anos em Portugal do que no meu país de origem” confessa ao LusoJornal num português com um sotaque espanhol que nunca perdeu.

Quando traduzia para a Universidade de Aveiro trabalhava em casa “numa máquina de escrever, quando ainda não havia computadores”. Quando colegas da Universidade descobriram os quadros que pintava nos tempos livres, insistiram para que fizesse uma exposição na Universidade. E foi na Universidade que vendeu os primeiros quadros.

Quando os filhos chegaram à idade adulta, dedicou-se mais à pintura. “As coisas corriam bem, comecei a trabalhar com galerias, numa altura em que se vendia bem” diz. E a pintura começou a ser a sua atividade principal. Gosta de se isolar, com música clássica e uma gata que não se cansa de a ver pintar. “Sinto-me muito bem quando estou à frente de uma tela. É uma maneira de estar no meu mundo. Fico ali, isolada, gosto do cheiro das tintas, gosto do ambiente do meu atelier, para mim é a minha igreja”. Deixou de pintar a óleo por causa de uma alergia, para se dedicar ao acrílico. E foram quadros em acrílico que trouxe a Paris.

O Salão internacional de arte contemporânea teve lugar entre sexta-feira e domingo. Depois, o casal ficou mais dois dias em Paris, para comemorar 50 anos de vida em comum, para encontrar amigos que conheceram em Paris e para revisitar a capital.

 

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