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Miguel Oliveira, piloto de 24 anos, natural de Almada, é o primeiro português a disputar o Campeonato do Moto GP, a classe rainha do Mundial de motociclismo. O piloto luso compete com uma KTM e pertence à equipa francesa Tech3. Hervé Poncharal, patrão francês da Tech3, acredita no potencial de Miguel Oliveira e quer levar o piloto português ao pódio numa das corridas do Moto GP.

O LusoJornal teve a oportunidade de falar com Hervé Poncharal após o GP de França, onde Miguel Oliveira acabou no 15º lugar. O patrão francês abordou esta temporada 2019 e os feitos que ainda espera realizar com o piloto luso.

 

Como podemos analisar a prova em França? É uma corrida especial para a Tech3?

Para a Tech3 é sempre um Grande Prémio especial. É aqui onde temos mais adeptos e mais fãs. Temos inúmeros amigos em França que só vemos aqui em Le Mans. Há também meios de comunicação nacionais e regionais que estão presentes nesta prova unicamente. Nós queremos sempre promover o nosso desporto, sobretudo aqui em casa, no nosso país. Claro que queremos sempre obter bons resultados. Este ano não foi igual ao precedente porque no ano passado brilhámos com um piloto francês em França, era a situação ideal. No que diz respeito ao Miguel, penso que fez uma boa corrida, não era fácil. As condições eram complicadas, ele está numa fase de aprendizagem, é um ‘rookie’ [ndr: primeiro ano no Moto GP], e para mim ele fez uma boa prova. Na grelha de partida eu disse-lhe que se alcançasse pontos era um excelente objetivo, ele cumpriu. Com o Miguel temos uma excelente relação. Ele sente-se bem na equipa e nós gostamos dele. É uma pessoa inteligente, bem-educada, é um excelente técnico, além de ser um excelente piloto. Ele também tem dotes para as línguas visto que apesar de não falar tão bem francês como outras línguas como o inglês, o italiano e o espanhol, está a progredir. Há momentos em que falamos todos em francês e isso é agradável. Acho que durante todo o fim de semana, ele encontrou-se com fãs franceses, e até jornalistas, e falou em francês. É incrível. Admito também que realmente há uma grande Comunidade portuguesa em França e, falando de uma forma objetiva, eu tenho amigos portugueses, e acho que são agradáveis e com um contacto fácil com as pessoas. Cada vez que fui a Portugal, fui sempre bem recebido. É talvez a maior Comunidade estrangeira em França mas não nos podemos esquecer que também há muitos reformados agora em Portugal (risos). São dois países que funcionam bem juntos e que apreciam-se um ao outro. Estamos felizes de ter o Miguel connosco e felizes de termos renovado com ele para a próxima temporada em 2020.

 

Hervé Poncharal deu uma oportunidade a um piloto português…

É uma grande honra para mim. Ficámos muito contentes quando ele marcou os seus primeiros pontos com uma excelente corrida na Argentina, mas espero que vamos continuar a crescer juntos, e espero fazer com que o melhor piloto português, Miguel Oliveira, esteja até ao fim da temporada 2020 no pódio de um Grande Prémio Moto GP. Seria fantástico. É o meu sonho e é o que posso desejar ao Miguel e a Portugal. Tudo o que poderemos fazer para que o Miguel funcione no Moto GP, vamos fazê-lo.

 

Pensava um dia ter um piloto luso na sua equipa?

Há 10, 5 ou 3 anos, é impossível prever os pilotos que vamos ter. Fiz 20 anos com a Yamaha. Mas quando assinei com a KTM, abriu-me outros horizontes. O Miguel esteve na luta pelo título no Moto 2 com a KTM, e foi Vice-Campeão do mundo, mas admito que ao assinar com a KTM, sabia e queria colaborar com o Miguel. Tudo decorreu de forma normal. Ele queria vir para a Tech3, nós queríamos ter o Miguel e a KTM queria guardá-lo, então foi uma história simples de escrever.

 

Que sonhos ainda tem Hervé Poncharal?

Neste momento estamos numa aventura não sei se ambiciosa ou muito difícil. Eu fiz quase 40 anos no motociclismo com a Honda, Suzuki e Yamaha, três marcas japonesas. Pela primeira vez estou a trabalhar com uma marca europeia. Então posso dizer que o meu último desafio, porque não somos eternos, seria participar no reconhecimento da KTM no Moto GP. E gostaria que fosse com o Miguel Oliveira, seria ainda mais bonito. Vou fazer tudo o que posso para fazer progredir o Miguel para que passe de um piloto que acabe nos pontos, a um piloto que acabe no Top-10, e depois no Top-5. E tentar que ele se aproxime do líder neste momento da KTM, o Pol Espargaró. Se um dia conseguimos fazer um pódio com a KTM e com o Miguel Oliveira, acho que vou ter estrelas nos olhos.

 

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