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I Guerra Mundial: Memorial português no Cemitério de Boulogne-sur-mer está em perigo de ruir

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O monumento português do Cemitério Est de Boulogne-sur-mer está em vias de ruir, necessita de uma intervenção rápida e de uma restauração. A parte de cima do monumento apresenta aberturas e buracos e até um arbusto já cresce no memorial.

Por baixo da cúpula formaram-se estalactites que vão crescendo com as infiltrações de água.

Numa altura em que Portugal anuncia uma vontade de também alargar a Boulogne-sur-mer a Temporada Cruzada Portugal França, um evento cultural organizado entre os dois países, a situação atual do monumento português não dignifica a imagem de Portugal nem a memória dos 44 soldados que estão sepultados neste cemitério.

João Pinharanda, o Conselheiro cultural junto da Embaixada de Portugal e Comissário português da Temporada Cruzada, anunciou no LusoJornal, na semana passada, uma exposição sobre a I Guerra mundial, e um projeto entre a Nausicaa, em Boulogne, a o Oceanário de Lisboa.

 

44 sepulturas portuguesas

No Cemitério Est de Boulogne-sur-mer estão sepultados 44 soldados no talhão português, onde se encontra também um Memorial de homenagem aos soldados portugueses que participaram na I Guerra Mundial.

Neste cemitério, para além dos 44 soldados portugueses, repousam 5.801 soldados da Commonwealth, entre os quais 224 morreram durante a II Guerra mundial. De notar também que ali está enterrado um soldado alemão.

O Memorial português foi inaugurado no dia 27 de novembro de 1938. Após a I Guerra mundial, os soldados portugueses que morreram em França e que foram enterrados nos vários cemitérios da região, foram depois transladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg, onde estão atualmente 1.831 campas. Em Boulogne-sur-mer foi, em tempos, previsto uma Necrópole com os corpos dos soldados portugueses, e por isso ali permaneceram os 44 soldados que já estavam naquele cemitério da cidade.

 

Sem Caderno de condolências

À entrada do cemitério há uma caixa com a lista dos soldados do Commonwealth, como aliás acontece com outros cemitérios da região, mas não há nenhuma lista dos soldados portugueses sepultados em Boulogne à disposição do público, nem nenhum caderno de condolências.

No entanto, por coincidência, na semana passada, quando a equipa de reportagem do LusoJornal visitou o cemitério, o último comentário que foi escrito no Caderno de condolências inglês, era de um visitante de Bry-sur-Marne (94), que visitou o cemitério no dia 8 de junho e escreveu “Hommage aux Portugais morts pour la France”.

 

Perigo do Memorial ruir

Até há bem pouco tempo, eram os jardineiros da Commonwealth que cuidavam também das campas portuguesas, mas essa tarefa passou recentemente para os serviços municipais daquela cidade francesa.

Dado o perigo de ruir, o Memorial português esteve vedado com uma fita plástica porque há perigo para quem se aproxime do monumento. A fita foi retirada para as comemorações do Armistício do 11 de novembro – que se realizou, mais uma vez sem a presença de nenhuma personalidade oficial portuguesa – e não voltou a ser colocada apesar de permanecer o perigo do monumento ruir.

As lápides das campas dos 44 soldados do cemitério de Boulogne-sur-mer são idênticas às do Cemitério militar português de Richebourg. Têm a mesma largura, de 38 cm, mas são mais pequenas 17 cm, ou provavelmente estão mais enterradas. A explicação deve-se ao facto de em Boulogne-sur-mer as rajadas de vento serem mais violentas pela proximidade do mar, mas também devido ao tipo de solo areoso.

O resultado é que em Boulogne-sur-mer, há menos informações nas campas do que em Richebourg. Aqui não figura, como em Richebourg, por baixo da cruz, nem a inscrição “Morto pela Pátria”, nem a data em que o soldado morreu.

 

Três campas renovadas

Quase todas as lápides do cemitério de Boulogne (41) estão degradadas, com fissuras e os nomes dos soldados quase apagados. A situação é ainda pior do que no Cemitério Militar Português de Richebourg.

Três das lápides foram recentemente restauradas ou substituídas. A equipa de reportagem do LusoJornal não conseguiu apurar quando, nem por quem. Nos três casos, apesar da lápide necessitar de uma limpeza, os nomes dos soldados estão bem visíveis. Trata-se do Cabo António Pereira Cerqueira (n°30745) de Baroco (Mealhada), morto de tuberculose no dia 22 de novembro de 1917 e dos soldados Francisco Simão (n°22956), de Torre de Coelheira (Évora), morto por gás no dia 10 de janeiro de 1918 e Joaquim da Cunha (n°57419), de Rebordelo (Amarante), morto em combate no dia 31 de outubro de 1917.

 

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