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II Coletânea de Poesia Lusófona foi apresentada em Paris

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Os salões Eça de Queirós do Consulado Geral de Portugal em Paris, encheram para a apresentação da «II Coletânea de Poesia Lusófona», uma obra editada pela Portugal Mag Editora, coordenada pelo escritor e historiador Adélio Amaro, e que reúne 107 poetas de 12 países de língua portuguesa. Na sessão de apresentação esteve o vocalista dos UHF, António Manuel Ribeiro, autor do prefácio do livro, Adélio Amaro e o editor Frankelim Amaral, a escritora Alice Machado, que escreveu o prefácio da primeira edição, e Cristina Branco, em representação dos 107 participantes.

«Em Portugal não se leva muito a sério os Portugueses que residem no estrangeiro. Não sabem que se juntam para falar de poesia, para declamar e para comprar livros de poesia. É fantástico» disse ao LusoJornal António Manuel Ribeiro. «Um livro de poesia que vende bem em Portugal, vende 400 ou 500 exemplares e hoje aqui vendemos metade disso. Isto é uma coisa fantástica. Porque é quase impensável em Portugal nos tempos que correm».

Na ausência do Cônsul Geral, as honras da casa foram feitas pelo Adido Social Joaquim do Rosário, visivelmente contente com a sala cheia. «Esta é uma orientação do Cônsul Geral António Moniz, a de manter esta casa de portas abertas para a cultura e não só».

A coletânea resulta da inscrição de poetas dos diferentes países de língua portuguesa, junto da Portugal Mag Editora, de Frankelim Amaral e Pedro António, e sucede à «I Coletânea de Poesia Lusófona», editada no ano passado, igualmente com poemas inéditos, na maioria, de autores menos conhecidos.

«Na primeira edição houve um trabalho de divulgação, fomos ao encontro dos poetas, era algo de novo, mas conseguimos 80 participantes. Nesta segunda coletânea já foi mais fácil e ultrapassámos a centena» disse Frankelim Amaral ao LusoJornal. «A coletânea tem um regulamento com as condições, se eles respeitarem, e aceitarem, podem participar».

Frankelim Amaral pediu a colaboração de Adélio Amaro para este projeto. «Ele deu-me todo o apoio, mas também a experiência. Estar a lidar com as nossas letras e com a nossa cultura, requer exigências e eu achei que não estava à altura e pedi a colaboração do Adélio».

Na sua intervenção, António Manuel Ribeiro começou por se declarar contra o novo acordo ortográfico. «A língua portuguesa não necessita dos erros do novo acordo ortográfico» disse antes de ser aplaudido. E depois contou que quando começou a publicar poesia, começou a frequentar espaços como este «não tão bonitos como este, mas onde há pessoas que se juntam para declamar poesia. Por isso sinto-me em casa».

«Isto é a preservação da identidade nacional que é feita pela língua, pela nossa lingua mãe, pelo português» explicou ao LusoJornal. «Quando estou nas Comunidades, já apanho, há muitos anos, os descendentes dos Portugueses que vão perdendo a ligação com o país e sobretudo com a língua. Isto aqui é uma forma de nós mantermos a nossa língua viva».

Frankelim Amaral explica esta segunda coletânea como uma «necessidade de podermos dar uma voz às centenas de poetas, que são muitas vezes pessoas simples, que exprimem no papel os seus sentimentos, as suas loucuras, as suas vivências». Por isso, considera haver «uma necessidade de olhar mais para as pessoas que vivem fora de Portugal».

Pouco a pouco, muitos dos poetas foram lendo poemas, elogiando esta coletânea. «Parece útil para apurar talentos muitas vezes encobertos. Nos dias de hoje, no mundo da edição, é difícil transparecer visto que tanta gente escreve e quer ser publicada, estas iniciativas favorecem pois os talentos mais escondidos» diz ao LusoJornal Horácio Ernesto que publicou 5 poemas na primeira edição e dois poemas nesta obra.

«Vamos dar um pouco de luz a quem escreveu e que por vezes tem até receio de mostrar aquilo que escreveu, pensando que não interessa a ninguém, mas há poesias muito profundas» diz Carlos Manuel Varandas, antigo animador de programas na rádio Alfa, atualmente aposentado, mas que levou precisamente muitos ouvintes a dizer poesia nas ondas da rádio.

Helena Esteves é uma das poetisas que publica pela primeira vez. É a Vice-Presidente da associação dos emigrantes lesados do BES. «Um dia vinha no avião, de Lisboa, de uma reunião que não se tinha passado lá muito bem, para falar de pessoas que perderam fortunas com a falência do BES e pensei no meu pai. Foi nos ares que escrevi este poema que agora publico» explica ao LusoJornal.

«O ponto comum nestes poemas é a emoção» diz António Manuel Ribeiro. «As pessoas querem transmitir alguma coisa que no dia a dia não revelam e a poesia permite isso. A poesia, a escrita em geral, é um ato solitário, de solidão, e isso pode revelar muitas vezes aquilo que é a pessoa fora do seu contexto social e fora do seu contexto laboral, na cidade onde vive, guarda para si e depois transmite» conta ao LusoJornal.

Para Cristina Branco, «a importância desta coletânea é essencialmente dar a voz à lusofonia. Porque não basta saber falar, queremos também que se fale bem, que se fale bonito. Num tempo em que se perdeu o hábito de se escrever e de ler, uma coletânea é um bom incentivo para fazer renascer a vontade e o hábito de escrever» diz ao LusoJornal.

Alice Machado concorda. No ano passado escreveu o prefácio a pedido de Frankelim Amaral e este ano participou com um poema. «Se não considerasse que é interessante, não teria participado» confessa.

Frankelim Amaral já fala numa terceira edição da coletânea, mas Adélio Amaro destaca sobretudo o facto da Universidade de Cracóvia, na Polónia, se ter mostrado disponível para traduzir os poemas. «Por isso vamos ter uma versão em polaco desta obra» garante.

 

 

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