
Investigadores de Portugal, Brasil e França vão reunir-se em novembro, em Mação, num simpósio internacional dedicado ao cientista jesuíta Joaquim da Silva Tavares, que morreu em Paris, e incluirá o lançamento de uma biografia e da primeira pedra de uma casa-memória.
O encontro realiza-se nos dias 06 e 07 de novembro, na Casa do Cidadão de Cardigos, no concelho de Mação, distrito de Santarém, assinalando os 160 anos do nascimento do naturalista (1866-1931), que se destacou na investigação em Ciências Naturais e foi um dos fundadores da revista Brotéria.
“Não estamos só perante alguém que nasceu no lugar de São Bento, em Cardigos, há 160 anos, mas sim alguém que conquistou um lugar na história da ciência em Portugal e fora do nosso país”, afirmou o Presidente da Câmara municipal de Mação, José Fernando Martins.
A sessão inaugural, marcada para dia 06, contará com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e incluirá a apresentação do livro “Joaquim da Silva Tavares, S. J. 1866-1931 – Um Mestre Empreendedor da Ciência e da Fé”, da autoria de Ana Lúcia Ferreira. Será ainda inaugurada a exposição “Leitores do Património – Joaquim da Silva Tavares S.J., um herói da ciência”, coordenada por Joana Lopes e desenvolvida com alunos do primeiro ciclo, no âmbito de atividades educativas promovidas pelo município.
O programa científico, concentrado no dia 07, reúne especialistas de várias instituições académicas, incluindo Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra, Luiz Oosterbeek, da Universidade Politécnica de Tomar, e João Luís Cardoso, da Academia das Ciências de Lisboa.
Participam também Alícia Duhá Lose, investigadora brasileira, e Pierre Antoine Fabre, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris, que proferirá a conferência de encerramento, dedicada à escrita da história e da ciência pelos jesuítas.
José Eduardo Franco, da Universidade Aberta, responsável pelo programa científico, classificou Joaquim da Silva Tavares como “uma das maiores figuras da ciência na primeira metade do século 20”, considerando que o seu percurso ficou parcialmente esquecido devido às transformações políticas e sociais associadas à implantação da República.
Nascido em 17 de agosto de 1866, Joaquim da Silva Tavares ingressou na Companhia de Jesus aos 14 anos e desenvolveu investigação nas áreas da botânica, zoologia e cecidologia, dedicada ao estudo das galhas produzidas nas plantas pela ação de outros organismos.
Em 1902, fundou, juntamente com os jesuítas Cândido de Azevedo Mendes e Carlos Zimmermann, a revista Brotéria, no Colégio de São Fiel, em Louriçal do Campo, Castelo Branco, publicação inicialmente dedicada às Ciências Naturais.
Foi membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa desde 1903 e eleito sócio efetivo em 1928, tendo desenvolvido atividade científica e docente em Portugal e no estrangeiro, incluindo durante o exílio que se seguiu à implantação da República, em 1910.
Morreu em Paris, em 02 de setembro de 1931, aos 65 anos.






