Saúde: Cancro da mama, cada vez mais razões para ter esperança


O cancro da mama continua a ser o tumor maligno mais frequente nas mulheres. Mas há uma boa notícia que merece ser destacada. Nunca tivemos tantas possibilidades de o diagnosticar precocemente, de o tratar eficazmente e de proporcionar às mulheres uma vida mais longa e com melhor qualidade.

Em Portugal, são diagnosticados cerca de nove mil novos casos de cancro da mama por ano. O número de diagnósticos tem aumentado, em parte porque vivemos mais anos, mas também porque detetamos melhor a doença e porque alguns fatores associados ao nosso estilo de vida se têm modificado.

É uma doença que continua a atingir sobretudo mulheres com mais de 50 anos. No entanto, temos assistido também a um aumento da sua incidência em mulheres mais jovens. É uma realidade que merece atenção, sem alarmismos, e que reforça a importância de conhecer os fatores de risco e estar atento a alterações da mama em qualquer idade.

Mas, perante o aumento dos diagnósticos, há uma pergunta que naturalmente se coloca. Estamos também a morrer mais de cancro da mama?

Felizmente, a resposta é mais encorajadora. Apesar de continuarem a existir muitas mortes, o risco de morrer desta doença diminuiu ao longo das últimas décadas, graças à deteção precoce e aos progressos dos tratamentos. Em Portugal, a sobrevivência aos cinco anos aproxima-se atualmente dos 90%.

Estes números mostram bem o quanto mudou. Hoje, a grande maioria das mulheres diagnosticadas com cancro da mama pode esperar viver muitos anos e, quando a doença é detetada numa fase inicial, as possibilidades de cura são frequentemente muito elevadas.

A evolução dos tratamentos tem sido notável. Conhecemos cada vez melhor as características de cada tumor e sabemos que o cancro da mama não é uma doença única. Existem diferentes tipos de cancro, que exigem tratamentos diferentes.

Dispomos hoje de terapêuticas dirigidas a características específicas das células tumorais, de imunoterapia e de novos medicamentos capazes de transportar o tratamento diretamente até às células cancerígenas. São avanços que permitem aumentar a eficácia e, em muitas situações, reduzir o risco de a doença regressar.

Mesmo quando a doença se encontra numa fase avançada, em que a cura habitualmente já não é possível, os progressos têm sido muito importantes. Muitas mulheres conseguem viver durante anos com a doença controlada, mantendo a sua atividade profissional, a sua vida familiar e os seus projetos pessoais.

Mas tratar o cancro da mama não é apenas tratar um tumor.

É também cuidar de uma mulher que, de um momento para o outro, vê a sua vida interrompida por um diagnóstico inesperado. É compreender o medo, a incerteza, as preocupações com os filhos, com o trabalho, com o corpo e com o futuro. É assegurar que, para além dos melhores tratamentos, existe acompanhamento, proximidade, informação clara e apoio em todas as fases da doença.

A medicina evoluiu muito, mas a dimensão humana dos cuidados continua a ser insubstituível.

Importa também recordar que o diagnóstico precoce salva vidas. Participar nos programas de rastreio, conhecer o próprio corpo e procurar avaliação médica perante uma alteração suspeita são atitudes fundamentais.

E há uma última mensagem que gostaria de deixar a todas as mulheres que hoje enfrentam esta doença.

Um diagnóstico de cancro da mama continua a ser um momento difícil, mas não deve ser encarado como uma sentença. Há cada vez mais tratamentos, cada vez mais conhecimento e cada vez mais mulheres que ultrapassam a doença e retomam plenamente as suas vidas.

Temos ainda muitos desafios pela frente. Mas temos também motivos muito concretos para olhar o futuro com confiança. Porque, hoje, falar de cancro da mama é, cada vez mais, falar de vida, de possibilidades e de esperança.

.

Dr. Paulo Cortes

Coordenador Nacional do Programa de Oncologia – Lusíadas Oncology Total Care

Coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Lusíadas Lisboa

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca